terça-feira, março 14, 2006
O letreiro
Descobri agora mesmo que hoje transporto um letreiro invisível, pelo menos para mim, que diz: "Precisa de ajuda? Pergunte-me".
Até agora fui abordado por 4 pessoas o que muito provavelmente não acontecia à vários anos, especialmente porque não ando de transportes públicos com um ar particularmente feliz ou motivado.
O homem é um animal de hábitos mas eu sempre fui avesso à continua manutenção de rotinas... Apesar disso, nesta altura em que tenho de ser fiel às minhas rotinas, não posso deixar de considerar confortável a previsíbilidade dos horários e da repetição das mesmas pessoas todos os dias, como se todos tivéssemos combinado aparecer à mesma hora. Será que me estou a tornar numa daquelas pessoas com ar respeitável que não nos vão enganar sobre o destino do comboio?
Sociedade de (des)informação
É sempre importante termos moderação em relação ao relativo sucesso das inovações tecnológicas e em relação ao impacto que elas têm nas nossas vidas.A Internet veio para ficar, e são inúmeras as vantagens do ponto de vista da eficiência empresarial e são inúmeras as possibilidades dos negócios web-based.
Eu aderi incondicionalmente à rede e tenho todos os acessos possíveis e imagináveis e todas as possibilidades wireless que existem, e não hesito em afirmar que a Internet poupa muito do pouco tempo que disponho. No entanto, não posso esquecer que me foram criadas necessidades que efectivamente eu não precisava.
Não vejo qualquer razão para questionar o plano tecnológico, na medida em seja devidamente aplicado e que a aposta em diminuir o fosso tecnológico que nos divide dos restantes países europeus, seja uma aposta de sucesso. Acho mesmo que é possível encontrar soluções simples e práticas para problemas que geralmente consideramos muito complexos e que bloqueiam principalmente o progresso e sucesso das PME's.
Mas não nos podemos dar ao luxo de ser uma sociedade tecnologicamente mais avançada e ao mesmo tempo mais desinformada. A Internet e as tecnologias de informação per si não resolvem problemas de décadas do mais completo abandalho da educação e em muitos aspectos não servem a orientação pedagógica que alguns políticos insistem em dar-lhe, tendo em conta que não basta ter um computador se não se souber o que pesquisar, como pesquisar e se permitir que continue a degradação da língua portuguesa que se assiste com as novas tecnologias.
Não é possível que as empresas portuguesas e os serviços públicos tenham aderido à sociedade de informação como forma de se demitirem da responsabilidade de informarem os que os procuram. Não é razoável que a democratização do livre acesso à informação seja uma coisa para os outros, sejam eles contribuintes, clientes ou fornecedores.
Não é sustentável durante muito mais tempo que ao contactarmos telefonicamente um serviço ou uma empresa, do outro lado gentilmente nos indiquem a consulta da página da Internet para esclarecimento de dúvidas, até porque muitos milhares de portugueses não possuem acesso à net.
A conclusão é óbvia, quem nos atende não faz ideia do que falamos e não faz ideia do que está na página. Quem construiu a página nunca atendeu um cliente na vida e não faz ideia que os regulamentos que apresenta numa página web podem carecer de procedimentos de excepção para os diferentes tipos de clientes.
No final estamos todos mais avançados e com mais gadgets, até conseguimos adaptar-nos a uma nova geração de máquinas, mas continuamos igualmente desinformados.
segunda-feira, março 13, 2006
Curiosidade
Apesar da joseraposo.com poder comprar a padaria da esquina, não o vai fazer :), podem descansar os padeiros e os moleiros.
Foi apenas uma piada a mais uma OPA no minúsculo mercado português. Para todos os que vibram com esta coisa das OPAs ou take-overs hostis e que já estavam a salivar com a concentração empresarial que vinha aí devem estar um pouco desiludidos porque o sector bancário é aquele que menos necessita de concentração e onde mais concentração trará menos benefícios ou vantagens para o cidadão comum.
Já falei aqui o suficiente e apenas deixo um dado que me parece curioso quer no caso PT, quer no Caso BPI. Em ambas as empresas o maior accionista nunca atinge sequer os 20% do capital. Na PT a Telefónica espanhola tem cerca de 10% e no BPI o maior accionista são os brasileiros do Grupo Itaú com 16,1%...
Anúncio público II
Tal como esperado a associação das panificadoras e padeiros da esquina e a confederação dos moinhos de vento, opõem-se à nossa OPA.
Tal acontece porque este grupo estagnou no tempo e não reconhece a relevância da globalização do mercado do pão. Estas associações não reconhecem a importância de dar ao pão valor acrescentado que lhe permita competir directamente com outros pães estrangeiros e ameaçam o futuro da empresa com promessas que sabem não poder cumprir e que prejudicam directamente o pão e a sua qualidade.
A visão mesquinha destas associações não protege os interesses de Portugal e coloca em risco a manutenção de centros de decisão do pão no nosso país.
Anúncio público
A joseraposo.com SGPS, declara a todos os potenciais interessados e accionistas, o lançamento de uma OPA hostil para a aquisição de 50,01% da empresa actualmente detentora da padaria da esquina.
O nosso sólido projecto de aquisição visa modernizar a confecção através da instalação de máquinas que não necessitem de intervenção humana para a confecção do pão, assim como o fim do tradicional balcão de padaria, passando todas as encomendas a ser exclusivamente realizadas por internet e por sms.
Esperamos assim estar mais perto das necessidades dos portugueses que comem pão, contribuindo fortemente para a riqueza do país.
Enceladus

Tão longe e ao mesmo tempo dos mais próximos calhaus do universo, Enceladus, é a nova esperança dos cientistas na procura de água e consequentemente de vida no sistema solar.
Esta Lua de Saturno, uma das 19 luas do planeta dos anéis, pode encerrar a descoberta dos segredos do desenvolvimento do sistema solar e do aparecimento de vida no planeta Terra.
Euskadi
"Abertzale" quer dizer patriota em basco (Euskera), como patriotas são as lutas de todos os povos que lutam pela sua autodeterminação e independência. Para nós portugueses, esta ideia de um patriotismo regional, que ultrapassa as fronteiras do nosso vulgar bairrismo fortemente enraizado no folclore popular, é por vezes confusa, o que nos empurra para uma situação de indiferença apesar destes nacionalismos viverem do lado de lá da fronteira.
A última recordação de violência que as actuais gerações têm, que tenha afectado exclusivamente portugueses é a guerra colonial que para a maioria dos que não combateram por lá é uma memória longínqua quase como sempre a África o é, e numa selva que não reconhecemos como nossa.
Além destas recordações mais ou menos empoeiradas, temos a certeza que os movimentos de libertação sejam mais ou menos violentos, tenham mais ou menos razão, protegem o seu povo, atacam os seus inimigos e são fortemente perseguidos pelos estados.
Ora em Espanha é tudo ao contrário... Muitas vezes não podemos evitar ficar com a ideia que o Estado Espanhol é que é acossado pelos Etarras e não ao contrário. Fundamentalmente não se consegue perceber que as principais vítimas da política Etarra sejam os próprios bascos.
Desde sempre houve uma política de intimidação, com cartazes nas paredes à laia de denúncia dos colaboracionistas como no final II guerra mundial, mas aqui trata-se de denunciar aqueles que não pretendem colaborar com a ETA ou com o Herri Batasuna, agora Euskal Herritarok.
A ideia é denunciar todos os que não colaboram pagando o imposto revolucionário devido pelas empresas da região. A ideia é expor aqueles que não cedem à intimidação para que depois, uma bem instrumentalizada juventude possa destruir e queimar a propriedade dos visados.
Na semana que passou houve no país basco uma relativamente calma greve Abertzale motivada pela morte de dois Etarras na cadeia. Houve alguns confrontos típicos de um sítio onde se fazem em média 30 manifestações por dia, mas ainda assim bastante calma para um período em que a ETA pretende ganhar tempo e espaço de manobra perante a relativa vontade do governo Zapatero em prolongar umas tréguas que só um lado respeita, trazendo-os para a mesa das negociações e tentando encontrar uma solução pacífica.
O país basco é actualmente a região europeia onde existe uma questão nacionalista onde mais consolidados estão os direitos da população se expressar livremente e enraizados os direitos de identidade com uma cultura própria e viva, tudo isto coroado por uma bandeira (a ikurriña), um governo (o Eusko Jaurlaritza) e um aparelho político totalmente separado do Espanhol. Só faltam as forças armadas e uma politica externa para serem um país já que até os órgãos de polícia são diferentes (a Ertzaintza).
Ainda assim o Parlamento Vasco (Eusko Legebiltzarra) aprovou à cerca de dois anos o projecto do Lehendakari, o famoso projecto Ibarretxe em que o governo central de Madrid parece não se reconhecer e que preconiza mais autonomia e pela primeira vez a expressão nação. O problema é compreendermos que dificilmente a ETA está interessada nestes processos políticos na medida em que eles anulam o seu espaço de intervenção que basicamente é o da violência.
A organização terrorista perdeu a oportunidade histórica que se seguiu ao 11 de Março para parar com a violência e lançar umas tréguas. Perdeu a oportunidade de deixar passar a ideia que não fazia parte desse grupo de terroristas que mata indiscriminadamente. Perdeu a oportunidade de se juntar politicamente ao plano Ibarretxe e aproveitar a oportunidade que existe neste momento em que se revêm os estatutos da autonomia e a continuar a violência e a intimidação irá perder a oportunidade de desempenhar um papel politico de relevo no pais basco.
domingo, março 12, 2006
Do estado enquanto proprietário
O Bruno, no Bodegas optou por reproduzir estas declarações que me merecem alguns comentários:
A propriedade de um banco por parte do estado não é ou não deveria ser sinónimo de intervenção na economia. Aliás é bem possível imaginarmos, e para mais em Portugal, a existência de um Estado, sem propriedade nas empresas mas que através de um regulador forte intervenha directamente na economia sem que isso seja necessariamente positivo.
O problema actual não é o de o Estado ser proprietário da CGD, nem sequer é um problema a intervenção do estado na economia na medida em que a intervenção ou influência se manifeste de forma positiva para os mercados.
O problema não é a propriedade do estado na CGD, desde que esta instituição possa trabalhar em condições concorrenciais com as outras instituições da banca não as prejudicando.
O verdadeiro problema é a não influência (no sentido anteriormente mencionado) mas o bloqueio que o estado permite que as suas instituições públicas, que não as empresas de que é proprietário, façam à economia.
É tanto mais assim, quanto mais surjam projectos milionários que têm vindo a ser apresentados e que não existiriam se o Estado não estivesse disponível para dar claros benefícios às empresas que querem investir.
Afinal o Estado é ou não necessário ao investimento privado? É fundamental, o problema é que em outros paises que se tornam atractivos para o investimento existem dois tipo de condicionantes:
Ou os Estados estão de tal forma organizados que o processo empresarial corre de forma célere e o acesso aos mercados é facilitado sem excesso de burocracia, ou então na ausência desta clareza existe um nivel salarial de tal forma baixo que compense a instalação de uma empresa.
Ora em Portugal temos tudo, o mais baixo nivel salarial da Europa, o mais burocrático dos sistemas e ainda por cima quase pagamos para as empresas se instalarem em Portugal.
Continuo a questionar-me se isto faz algum sentido, até porque o estado enquanto proprietário não é mau em si mesmo. Existem empresas públicas em todo o mundo e elas são bem geridas.
sexta-feira, março 10, 2006
quinta-feira, março 09, 2006
Eu é que sou o Presidente da República
"Serei Presidente de Portugal inteiro"
Definitivamente já se começam a notar melhorias... Tenho de confessar que o protocolo de estado tem imenso a ganhar com Cavaco.
Finalmente vamos abandonar a sul-americanização protocolar, para entrarmos no pelotão da frente das grandes cerimónias públicas ao melhor nível da Europa.
As viagens por todo o mundo e as dezenas ou centenas de conderações que Cavaco também vai dar vão ter muito mais estilo...
quarta-feira, março 08, 2006
É já amanhã
Ai, ai ai ai... lá está ele com piadas... e o respeitinho?? e o respeitinho que se deve ao D. Sebastião, perdão, ao Sr. Presidente?? hum?
De partida
Sampaio não foi perfeito ao longo dos últimos dez anos, e agora que está de partida muitos se colocaram na fila para o criticar. Estranho será saber que a maioria dos que agora dizem não vir a sentir saudades serem os tais que oportunamente não se manifestaram por auto-obrigação a uma espécie de respeito bacoco e saloio às instituições como se as opiniões de alguém se pudessem confundir com o cargo.
Estranho mas também previsível é sabermos que os que agora o criticam não o fariam se Santana ainda estivesse no governo.... Arrasando deste forma qualquer coerência do discurso dos senhores. Ou muito me engano ou Santana não perderá tempo e na sexta vamos acordar a amargura que vai disparar nos jornais na direcção de Sampaio.
O Presidente não foi perfeito como nenhum de nós consegue sê-lo, mas muitos de nós nem sequer tentam.
Por mais dúvidas ou reservas que os seus mandatos nos possam causar, Sampaio não é culpado por haver primeiros-ministros a querer fugir deste buraco. Sampaio à excepção de algumas atitudes esporádicas não quis influenciar a economia (nem devia) ao contrário do que os seus detractores pretendem ver agora reproduzido em Cavaco. Jorge Sampaio sempre manifestou um respeito ímpar pelas instituições as quais é o principal garante fazendo, a meu ver, uma correcta interpretação dos poderes presidenciais assim como da constituição. O Presidente, nos mais variados contextos internacionais prestigiou sempre o nome de Portugal.
Nesta década não nos desenvolvemos e se calhar até somos mais pobres, mas julgo que muito pouca gente poderá responsabilizar directamente Sampaio por isso. Eu não concordei com tudo e apesar disso e se calhar por causa disso agradeço o empenho dos últimos dez anos e a emotividade que por vezes trouxe a Belém que considero ser um sinal de sinceridade e não de fraqueza.
Por tudo isto… Muito Obrigado
A culpa é da PT ou a explicação que serve a toda a gente
Facto nº1 – Existe um processo onde são arguidos várias personalidades mais ou menos conhecidas do público e onde estiveram durante algum tempo envolvidos políticos que afinal não faziam lá falta.
Facto nº 2 – Ao abrigo da investigação a um dos políticos mencionados aqui atrás e que (recorda-se) não fazia lá falta, um juiz pediu listagens de um número de telefone associado a uma conta do estado com vários outros números, para um período em que o politico em causa já não podia utilizar o dito telefone donde resulta a inexistência de chamadas realizadas por este.
Facto nº 3 – A Portugal Telecom na pessoa de uma das suas funcionárias recolhe e destaca através de filtragem em Excel (pronto já estou a complicar) o número solicitado, relativamente a outros da conta onde o número principal se encontra associado tendo dado origem ao envelope nove.
Factos nº 4 – Todos os intervenientes no processo Casa Pia desde o mais simples administrativo ao juiz, não foram capazes de concluir a existência no ficheiro de mais contactos além dos solicitados pois não recorreram à titânica tarefa de seleccionar o tal de filter no Excel (outra vez, já começa a não ter graça)
Facto nº 5 – Uma de duas:
Alínea a) – Alguém do Sistema judicial conseguiu compreender o inestimável valor da listagem que replicava na perfeição o que facilmente se pode obter na lista telefónica e contacta o jornalista do 24Horas para lhe vender estas fundamentais informações.
Alínea b) – O Van Kriken mascarou-se de senhora das limpezas, escondeu-se na reprografia da judiciária e quando toda a gente deixou o edifício vasculhou milhares de documentos com o objectivo de roubar o único que não conseguia entender.
Facto nº 6 – O Van Kriken e o outro publicam no 24Horas a agenda telefónica dos nossos políticos, para grande surpresa do país, pois nunca imaginamos que existissem mesmo políticos que telefonassem uns aos outros e não fossem todos fachadas televisivas de uma grande conspiração interplanetária.
Facto nº 7 – Cai o Carmo e a trindade...
Facto nº 8 - "Levantem as mãos dos teclados". a Judiciária não gosta de ver jornalistas mascarados de senhora das limpezas e para mais escondidos na reprografia e numa acção de represálias sem precedentes confisca os computadores do Kriken e dos outros.
Facto nº 9 – Um Juiz do TIC resolve permitir que os computadores do Kriken e do outro sejam violados como geralmente acontece às krikens baseado no pressuposto que a violação das fontes é hierarquicamente inferior ao crime sob investigação (sim, é o programa da SIC)
Ora então vejamos as conclusões:
Qual é o crime em investigação? É a violação do segredo de justiça ou a publicação de dados supostamente confidenciais sobre o detalhe de chamadas de telefones pagos pelos contribuintes? Se porventura estivermos a falar do crime de violação de justiça então andamos a permitir que quem investiga o faça em causa própria...
Apesar de tudo isto parece-me que a conclusão desta investigação do envelope 9 é básica. A culpa é naturalmente da PT e da sua funcionária e todo o sistema judicial assim como o Kriken e o outro não têm culpa nenhuma.
E a culpa é da PT porque é uma malvada empresa em que o estado ainda está presente e que por uma lógica razão de causalidade é mal gerida e incompetente e daí a necessidade da OPA.
Ou seja só há OPA para que não haja mais envelopes 9.
Dia da Mulher
Como prenda para as mulheres portuguesas no dia que lhes é dedicado, nada melhor do que uma vitória do Benfica...
segunda-feira, março 06, 2006
Aniversário na Blogoesfera
Parabéns ao Bruno Gonçalves pelo Bodegas.
Ainda não é desta...
A falta de tempo associada ao regresso galopante da malvada tendinite, impossibilitaram-me de na última semana deixar aqui as minhas habituais postas de pescada.
Por isso, e para não estar a prejudicar a minha já débil condição (uma nota de dramatismo fica sempre bem) é provável que o ritmo das postas não volte a ser o mesmo nos próximos tempos.
No entanto, tentarei dentro das minhas possibilidades manter a actualidade por estas bandas.



