domingo, fevereiro 26, 2006

O Alentejo da minha memória


- Mãe, como é que se chama este bairro?
- Salazar. Quer dizer era Salazar no dia em que eu andava na Escola e viemos todas à inauguração com um fumo preto porque tinha morrido o Carmona nesse dia. Agora não sei, mas só pode ser 25 de Abril.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Vazio

Não vou falar sobre debates sem interesse que mensalmente justificam horas inúteis de televisão. Um total vazio de ideias interessantes mas uma boa tribuna para a lavagem de roupa suja e ajustes de contas. Não me merece qualquer comentário a relação que existe na cabeça dos políticos entre apoio social, e a urgência de defender o estado dos aproveitadores de subsídios.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Vai uma central nuclear?

Pois é, hoje durante o dia a Ordem dos engenheiros, numa ímpar e democrática sessão de esclarecimento público, convidou vários conhecidos empresários e apoiantes do projecto nuclear para discutir o tema.

Felizmente não se esqueceram do impacto ambiental deste tipo de projectos e resolveram convidar uma associação ambientalista francesa pró-nuclear.

Não quero aqui questionar a legitimidade da energia nuclear até porque entendo como muito séria a questão da energia no futuro, mas não posso compreender a arrogância dos Van Zeller e Monteiros de Barros deste país que têm a lata de nem se sujeitarem à maçada de terem de ouvir esses paspalhos que continuam a falar do ambiente e essas coisas desinteressantes e esquerdistas...

Com este tipo de atitudes são os parceiros ideias para trabalhar com qualquer governo, no melhor interesse dos portugueses...

Daí até esta foto foi um passinho...

Segmentos de mercado

Na eventualidade de a Sonae conseguir mesmo concretizar a OPA sobre a PT (não, não vou falar sobre a OPA) e se vierem a verificar vários anos de prejuizo do grupo Sonae-PT em virtude dos valores envolvidos, é possível que este novo grupo não venha a ter obrigações durante muito tempo.

Sobre este assunto, Teixeira dos Santos (o sorridente ministro aqui do lado) disse que não seria por causa da receita fiscal que o Governo se oporia a esta operação.

Ora, apesar de eu por definição acreditar que o papel do estado na economia é excessivo e considerar que o Estado sendo interveniente não está livre para ser um tão bom regulador como se desejaria, esta observação deixa-me algumas questões...

Então se continuarmos no caminho, que aparentemente todos os governos seguem, de privatizar e liberalizar o mercado e a economia desenvolvendo cada vez menos ligações com as empresas, então se não for a receita fiscal, qual será o negócio do estado?

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Holocausto do bom senso ou como virar o bico ao prego (encerramento do tema aqui no burgo)

Hoje é mesmo um dia dado a encerramento de assuntos pendentes porque a falta de esperança que indevidamente se apropriou deste blog não é aceitável. Ainda não ficam todos resolvidos hoje mas por mais interessantes que as questões me pareçam, pretendo dar menos tempo à discussão de argumentos estéreis do ponto de vista que já nada de novo se trás ao debate.

Por isso aqui vai:
Afinal continuamos todos à volta do Anti-americanismo primário vs Americanismo primário que ao longo dos últimos anos todos temos arremessado uns aos outros baseados em conceitos mais ou menos fundados de liberdade e do que é preciso fazer para a manter.

Depois da questão das caricaturas do profeta Maomé, nada melhor que um detractor do Holocausto para pôr muita gente a salivar por essa blogoesfera fora. Não me interessa nem tão pouco me motiva, tentar perceber se a tolerância exigida anteriormente quanto à liberdade de expressão aquando das caricaturas está agora a ser posta em causa pelas mesmas pessoas. O que sei é que os anteriores defensores de limites provavelmente vão passar a ocupar o espaço que anteriormente era ocupado pelos defensores da liberdade sem fronteiras, para defender o ultraje da prisão de um homem por ter ousado manifestar a sua opinião e os segundos gentilmente passarão ao lado desta polémica porque não estavam à espera que ela lhes viesse tirar o tapete. Tudo muito coerente como habitual...

Mas do que é que estamos a falar? Estamos a falar de David Irving que no direito que a liberdade de expressão lhe confere publicou livro ou livros (que confesso não conhecer) que contestam a existência do Holocausto e que por isso foi acusado, levado a um tribunal onde teve a oportunidade de constituir a sua defesa e por fim condenado.

Por aqui no subúrbio discorda-se por princípio da existência de leis que visem limitar ou penalizar com prisão assuntos tabu, porque se acredita que a força daquilo que se defende é maior que a eventual necessidade de limitar opiniões.

Mas importa fazer uma distinção quanto à substância de ambas as situações.

Contestar o holocausto independentemente do juízo de valor que lhe atribuamos, é contestar a existência de um acontecimento real, comprovado pelos mais diversos documentos, provenientes de diversas origens, tendo inclusivamente existido um julgamento dos autores morais e materiais da matança.

Outra coisa substancialmente diferente é questionar a figura supostamente abstracta de um profeta ou de deus e do que eles representam, muito embora do ponto de vista dos ofendidos possa não haver lugar a qualquer dúvida razoável.

Ainda assim, ambas as questões embora diferentes e no meu entender totalmente opostas quanto aos fundamentos, são legitimamente criticáveis por quem assim o entender. A essência da legitimidade da crítica está na forma como se traduz.

Agora sim prometo não alimentar mais esta polémica.

OPA hostil à PT (encerramento do tema aqui no burgo)

Uma OPA sobre uma empresa estratégica (seja pública ou privada), não faz sentido quando a empresa que compra tem dimensão claramente inferior e pretende hipotecar o investimento e o cash-flow operacional da primeira, por tempo indeterminado, ao serviço da dívida contraída para a comprar.

Amor e uma cabana

Brokeback Mountain é sobre o sonho que existe em todos nós da vida simples em contacto com a natureza, junto da pessoa que amamos. Mas como a maior parte dos sonhos de amor raramente as condicionantes da pressão social nos deixam seguir incondicionalmente as nossas paixões.

Para estes dois homens arrumados numa América rural prestes a deixar de o ser pela chegada de uma ruralidade corporativa descaracterizada, uma América que se extingue aos poucos em que o papel social predominante pertence a um núcleo familiar onde a existência de filhos é fundamental à manutenção do sistema e à sucessão do único bem passível de ser herdado - a terra, este era um amor impossível à partida.

Mas o amor é muitas vezes surpreendentemente mais forte do que aqueles que o vivem alguma vez pensaram e Ennis e Jack limitaram-se a seguir um instinto que de certa forma não entendiam mas que sabiam fazia sentido enquanto isso apenas os envolve-se aos dois, num segredo impossível de manter mas de uma simplicidade quase infantil.

Seguiram caminhos diferentes, os anos passaram e como quase sempre ficou a mágoa do que o passado poderia ter sido se tivessem escolhido outros caminhos para seguir. Caminhos diferentes, casamentos diferentes, futuros diferentes que um simples postal volta a juntar num reencontro que marcará definitivamente o rumo de cada um, assim como um simples postal traçará o fim deste amor.

Dois homens que tiveram a coragem de assumir responsabilidades diferentes nesta espécie de amizade colorida que durou mais de vinte anos sem que nenhum tenha dados os passos necessários à construção da cabana. Um que não resistiu a acabar o casamento com que sempre sonhou mas não teve a coragem de assumir um relacionamento com um homem, e outro que não resistiu a uma vida aqui e ali pontuada de promiscuidade mas que nunca teve a coragem de destruir o seu casamento de fachada.

Estes homens que faziam da montanha Brokeback a sua cabana não queriam nada mais que ter tido a coragem de ficarem juntos e isolados de um mundo que nunca os iria compreender. Tendo em conta a lógica irrefutável do amor que nos diz que duas pessoas que se amam devem ficar juntas, é triste perceber que mesmo que a descriminação não lhes tivesse matado o amor estes dois homens muito provavelmente nunca iriam ficar juntos.

Figo Maduro parte II

Ir receber militares que vêm do estrangeiro é o equivalente moderno do Guarda-republicano que regressava à aldeia... Só ainda não reparei se também há uma banda.

O conjunto não ficaria completo sem umas rapariguinhas pirosas com a maquilhagem borrada de saudades do homem que foi para a guerra e de mães histéricas que soluçam pelos filhos como se eles ainda fossem o sustento da casa.

Num espaço exíguo acumulam-se as ditas senhoras com militares que cantam alarvemente hinos e cânticos dos tempos em que lhes ensinaram a não pensar por si, mas que são imperceptíveis ao comum dos mortais menos alcoolizado. Os restantes homens correm em direcção ao bar para se agrafarem a uma Sagres, que bebem pelo gargalo não vá alguém lembrar-se de lhes colocar a virilidade em causa e olham os militares com um misto de respeito que se tem pelas gajas que eles conseguem facturar com as fardas, e a profunda admiração que se tem pelo Rambo.

No meio de tudo isto chegam os verdadeiros heróis, de cabelos e barbas feitas, com aquele ar de quem foi ali ao cinema ver o Chuck Norris e que com ele aprendeu uma lição tipo "Kick Drugs Out of America ", mas aqui é uma lição de democracia e liberdade que ajudaram a difundir ao povo mártir do Afeganistão.

Isto é completamente surreal e até seria divertido se não fosse o meu país a brincar aos soldadinhos... Eu, esta gente, os americanos, os afegãos, os iraquianos, os israelitas ou os palestinianos somos apenas peças nesta máquina onde se movem interesses que não conseguimos alcançar. O negócio dos exércitos é um negócio de morte, mas paradoxalmente exorcizam a morte ignorando-a caso contrário a ideia de morte não lhes permitiria continuar e muito menos às suas famílias.

Hipocrisias matinais

A ideia que da precaridade das nossas actuais condições só nos conseguimos desenvolver com mais precaridade é um absurdo. Apenas revela a falta de seriedade dos responsáveis empresariais que estão agarrados ao consumo privado dos portugueses e que insistem em não aceitar que a previsibilidade a longo prazo permite as decisões de consumo adiadas. Aliás, o que serve aos empresários no que toca ao investimento, julgam já não se poder aplicar no caso dos trabalhadores.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

50000



Raro caso de longevidade na comunicação social que apesar da conturbada agitação política desde país, conseguiu manter-se como um exemplo.

Umas vezes melhor, outras pior, o DN lá foi conseguindo ultrapassar as crises e a vontade mais ou menos expressa de intromissão do poder político e atinge hoje as 50000 edições.

Parabéns

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Guerra de Civilizações

Relativamente a um post feito pelo Ricardo (Filhodo25deabril) sobre as afirmações de Pacheco Pereira no programa A Quadratura do Circulo, deixo aqui em forma de post o comentário que por lá deixei.


Ricardo, eu acho que a resposta às tuas inquietações está mais ou menos na questão da falta de tolerância que temos e que têm em relação a nós outros povos. Eu tb não me sinto em guerra, mas sinto-me fortemente motivado a defender aquilo que me parece ser uma ameaça instrumentalizada pelos governos dos países muçulmanos, mas tb pelos nossos governos que ao se calarem vão alimentando um medo que lhes serve para melhor nos controlarem sob uma capa de protecção militar.

É realmente estranha a sucessão de acontecimentos que falas, e como subitamente um acontecimento retardado quatro meses se torna numa espécie de guerra de civilizações. Mas tb não será totalmente inocente o aparecimento de cada vez mais apologistas das limitações da liberdade de expressão ou imprensa baseados em conceitos mais ou menos obscuros de bom gosto ou de boa ou má imprensa.

Preocupa-me que o conceito de liberdade de imprensa não esteja consolidado ao ponto de acharmos detestável ou idiota o que os jornais escrevem sem lhes queremos limitar a possibilidade de escreverem disparates.

Tal como tu não partilho os mesmos valores com os muçulmanos e em muitos aspectos revejo muito poucos dos meus valores noutros ocidentais que tal como eu partilham a mesma herança cultural.

Pacheco Pereira é apenas mais um num universo da "comentarite" (a que nós tb pertencemos) e o impacto das suas palavras vale pela credibilidade que lhe quisermos dar.

Eu tb acho que existe um choque de civilizações evidente e que mais tarde ou mais cedo vai acabar por ter de se resolver, mas não alinho no grupo daqueles que defende a guerra ou a violência como forma de resolver o problema e que insistem em querer arrastar novamente a Europa para a difícil situação de ter de decidir de que lado está da barricada.

A Europa tem um papel neste choque de civilizações e tem de ser a sua própria visão do problema e não a visão maniqueísta dos americanos.

No entanto as posições Europeias dos últimos tempos levam-me a crer que nos estamos a demitir da responsabilidade de ter uma posição firme.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Operação Rancho Folclórico

Quando não existem jornalistas famosos a dizer mal do trabalho de outros jornalistas igualmente famosos, quando ninguém famoso anda a comer meninas famosas da linha de Cascais é sempre bom falarmos de nós próprios.

É grande a tentação dos jornalistas serem os sujeitos da notícia e o 24 Horas não resistiu ao fenómeno da vitimização tão frequente em Portugal. Nada melhor que uma primeira página em formato rancho folclórico das mãos limpas até porque a credibilidade do 24 Horas está acima de qualquer suspeita...

Faz-me lembrar as sábias palavras de Vitalino Canas na assembleia sobre a conveniente proporcionalidade dos cartonistas aos seus fundamentalistas perseguidores. Esta comunicação Social também está igualmente bem para este sistema de justiça.

Não, este post não invalida o que escrevi anteriormente sobre este assunto, apenas se refere à questão de estilo que uns e outros insistem a adoptar. A questão de fundo sobre a violação do segredo de justiça continua a manter-se.

A irmandade da Justiça

Ontem após reunião com os grupos parlamentares, Alberto Costa declarou que o Governo não pretendia criar nenhum "ente" externo ao sistema judicial, para controlar as escutas telefónicas.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

(actualização do post anterior)



Cada vez mais informação e cada vez mais más notícias...

É sem duvida uma boa questão juridica esta da investigação do "Envelope 9"...

A violação do segredo de justiça está na publicação de informação que nem sequer faz objectivamente parte de nenhum processo em particular ou a violação do segredo de justiça está na fuga de informação que partindo do principio que nenhum jornalista entrou no tribunal e roubou o processo, teve de vir de um agente do sistema de justiça?

I Believe


Eu sou o que em inglês se define como "a believer"... e por isso mesmo acredito que à incompetência do sistema judicial português em compreender um banal ficheiro em Excel, não se junte a prepotência de achar que no final de tudo isto a culpa é do jornalista.

Espero que a estas buscas se sucedam a buscas na casa dos magistrados que instruiram o processo Casa Pia, à PT, à casa e escritórios dos advogados envolvidos no processo assim como à casa e local de trabalho de todos os funcionários judiciais envolvidos neste caso.

Perdido



Não me tenho andado a sentir nada bem, e desconfio que ando de cabeça perdida e a minha vida anda sem rumo e sem destino.

Tenho de fazer alguma coisa. Vou comprar um GPS...

Manias

Respondendo ao repto do Bruno do Bodegas, mas questionando, tal como ele, a utilidade deste movimento, aqui ficam as minhas manias e a sensação que isto vai acabar por ser um novelo que vamos poder ir desenrolando e relevando proximidades e afinidades entre bloggers.

"Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Além disso, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."

1- A fixação de organizar os objectos a minha volta de forma geométrica;

2 - Tenho a mania de fazer as mais variadas colecções que depois nunca completo nem alimento;

3 - A mania de não me conseguir livrar das coisas mesmo quando já não me fazem falta, o que quase sempre resulta numa acumulação de "lixo" desnecessária;

4 - A mania de não conseguir deitar-me às horas das pessoas normais;

5 - A mania consumista de ir a um supermercado e acabar sempre por comprar o que não quero e sempre aos mais altos preços.

Claro que 5 manias é capaz de ser redutor... mas as outras é melhor não se divulgarem :).

Mas para não quebrar a corrente é necessário passar a palavra a outros colegas Bloggers. Assim, fica aqui o desafio para os blogs que se seguem(caso pretenda participar).

Estamos do lado certo...

...da História (2)

O Banco Central Sírio resolveu indexar as suas transacções internacionais ao Euro em alternativa ao Dólar Americano por temer sanções económicas resultantes do mais que previsível envolvimento da Síria na morte do ex-primeiro ministro Libanês Rafic Hariri.

Pelo menos os europeus sempre criam menos problemas...

Estamos do lado certo...

... da História


No Irão também é comum defender-se que só devem ser publicados artigos de bom gosto. O Embaixador do Irão revela também que ao contrário do que indica a crescente fobia no Ocidente contra o Islão, eles sabem mesmo fazer contas no médio oriente.

Afinal o Holocausto nunca existiu e é possivel prová-lo com uma simples conta. Só teria sido possível matar 6 000 000 de judeus em 15 anos.... é tudo uma questão de produtividade.