sexta-feira, agosto 26, 2005

Quem guarda a Guarda?

De Menezes 'shot for 30seconds'

"Witness feared terrorists were attacking train as police fired at Brazilian, leaked statement reveals.

Armed police officers fired at Jean Charles deMenezes for over 30 seconds when they killed him at Stockwell tube station,according to a witness statement made to independent investigators and obtained by the Guardian.

The witness says the shots were fired at intervals of three seconds and that she ran for her life fearing terrorists had opened fire on commuters."

In "The Guardian"

Mais nostalgia....


Mais um clássico em versão especial de DVD....

Agora foi a vez do Misha, a mascote dos jogos olímpicos de Moscovo 1980.


Para quando o "Mogli - O livro da Selva" e uma edição especial da "Fame"...

Post de serviço público


Este post presta-se a ser intitulado de serviço público... é preciso que alguém denuncie os carros da BT que se escondem discretamente nas bermas sujas das nossas estradas com o objectivo de apanhar e castigar os prevaricadores.

É preciso que alguém diga que eu, tal como milhares de portugueses, não fizemos mal a ninguém para a policia se esconder na sombra para nos saltar ao caminho.

É preciso que de uma vez por todas alguém diga à BT que o gosto particular que têm em apanhar os portugueses em falta, o gosto particular que têm em ver-nos a regatear, rebaixando-nos à autoridade, não é compativel com o estado de direito democrático.

Alguém tem de dizer a esta gente que os carros escondidos nas esquinas, bermas, arbustos e outros fazem mais mal do que bem.... que o diga eu e todos os que diariamente passam no IC17 e têm de suportar as travagens súbitas dos veiculos da frente ou redução de velocidade para 15km/h, como se além dos impostos que pagam devem-se à autoridade algum tipo de vassalagem.

A transparência e a presença na rua são boas, o secretismo e o comportamento pidesco não.

Limpar-lhe o sebo

Depois dos ataques do 11 de Setembro temos visto a política americana seguir caminhos que não poderiamos jamais imaginar enquanto estávamos divertidos a assistir às desventuras do Clinton com as estagiárias.

Depois dos atentados a política americana tornou-se ainda mais próxima de grupos de extrema direita e perigosos evangélicos com ideias quase eugénicas apesar de fervorosos apoiantes da causa pró-vida, como é chamada por cá.

E entre esses perigosos grupos está a Coligação Cristã da América e o seu pouco convencional líder Pat Robertson. Este senhor é um dos maiores apoiantes da família Bush e recentemente, para coroar um conjunto de afirmações infelizes ao longo dos tempos, disse que era melhor os Estados Unidos começarem a pensar em limpar o sebo ao Chavez, até porque isso era bom para o preço do petróleo....

Triste é ver que a administração americana não condenou publicamente Pat Robertson e se limitou a dizer que não está a pensar limpar o sebo ao Chavez.... Quem sabe mais tarde pensem nisso.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Zapping II

100ª Edição

Agora que estão atingidos e ultrapassados os 100 posts, é necessário comemorar a 100ª edição com algumas alterações que anteriormente já comecei a editar.

Ao longo de quase um ano deixei aqui a minha forma de ver as coisas nuns posts mais inspirados, outros mais pobres, uns mais interessantes e outros mais banais, por isso é altura de começar a fazer algumas alterações mais técnicas que de conteúdo.

Assim, além do contador de presenças que já consegui colocar aqui de lado, surge um novo nome e uma nova descrição.

Surge a rubrica "zapping" em que procuro deixar aqui imagens que vou encontrando pela net, preferencialmente noutros blogs e também a rubrica "Apontamentos da Blogoesfera"onde irão aparecer textos e/ou opiniões interessantes do blogoespaço em português (com ou sem sotaque).

Tb irão aparecer pela primeira vez aqui na barra do lado links vários com as páginas que eu acho que merecem uma visita diária ou ocasional e tb um chat onde os meus amigos podem conversar comigo se porventura eu estiver por cá.

Em breve algumas mudanças a nível do layout.

Abraços a todos.

Deixa arder

Não falo mais sobre incêndios. Para mim acabou a época. Não se consegue fazer nada neste país (não quero tentar valorizar o que se possa querer fazer) sem que apareça logo um monte de técnicos e especialistas de trazer por casa a dizer que "isso não é bem assim..."já nem o presidente escapa.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Zapping

A Fera

A fera que divide comigo a casa nos suburbios. De sua graça "Fidel".

Apontamentos da blogoesfera

"Agora o Abrupto, meus amigos, o Abrupto é o cúmulo. Pacheco Pereira acredita que é plagiado em cada texto que publica. Pelo que vejo em algumas opiniões, já nem haverá redacções de jornais. A classe jornalística acorda, vai ao Abrupto, copia as opiniões de Pacheco Pereira e faz um jornal diário. Num texto recente até difama colegas autores, citando os seus blogues como exemplos de como o Blogómetro não pode funcionar bem. Nesse mesmo texto, refere, pela primeira vez, a dicotomia visitas/influência. Para ele, mais do que muitas visitas, o Abrupto tem influência. O fundamento está nos linques feitos ao Abrupto. Mas Pacheco esquece-se que, como José Castelo Branco, ele é uma figura pública. A sociedade tem uma certa atracção pelas figuras públicas. Se ele assinasse como António Vítor, provavelmente estaria a lutar pela dezena de visitas."


JCS in "Arrogância blogosférica..." Lóbi do Chá



Jerónimo a presidente (a sequela)


Mas porque raio o PCP insiste em fazer estas coisas???

Será possivel que não tenham entendido que um secretário geral que vai a todas e que ainda por cima já concorre pela segunda vez só aprofunda a visível falta de soluções do PCP.

Não seria melhor assumir claramente que o espaço eleitoral que o PCP influencia deve apoiar uma candidatura de esquerda que venha a surgir?

Enfim, pelo menos conseguem um pouco mais de projecção mediática com mais umas conferências de imprensa carregadas daqueles jornalistas que tantas e tantas vezes são criticados pelo PCP.

Musica no Coração


The hill's are alive... with the sound of music....

Pois é, a nossa habitual companhia de Natal, junto com a Mary Poppins está de volta em edição especial em DVD.

Apesar de já não ser um filme da minha geração, a televisão publica e os trocadilhos do Herman e da Rueff com os "montes estão vivos" fizeram com que o filme fosse quase uma referência para mais de uma geração.

Numa altura em que se vai a correr à Fnac comprar o pack "Dartacão" ou "Verão Azul" (esse ainda tenho de comprar) não fica nada mal ter na prateleira esta edição especial.

Bons filmes

Pelos ares


Agora que me tornei um tardio fanático de aviões não posso deixar de vos dar mais uma foto de um dos aviões que considero mais impressionantes, tendo em conta o serviço público que presta.

Aqui fica para os aficcionados uma foto de um Canadair a encher os tanques.

Era bom que tb tivessemos alguns....

O Sonho

Já todos sabemos que a galinha da vizinha é melhor que a minha, o que traduz uma certa mesquinhez do povo Português...

O que não tínhamos percebido é que a famosa simpatia e convivência pacifica dos portugueses em relação aos vizinhos (quem é que terá inventado esta...) fazia com que fossemos altruístas ao ponto deixar arder as nossas próprias casas só para não incomodarmos a propriedade alheia....

A lei, (essa coisa quase abstracta) exige a limpeza à volta das construções rurais numa área de 50m.

Aqui importa diferenciar a propriedade rural em que existe um terreno efectivo que por vezes tem uma exploração agrícola ou florestal, da habitação pirosa que se mandou fazer no lote de terreno que se comprou à revelia dos PDMs e da reserva agrícola nacional.

E é nesta segunda categoria que reside o principal problema. Quando os portugueses resolvem construir nestes lotes martelados, fazem-no no limite do espaço que adquiriram para que possam ter uma vivenda murada e azulejada com 10 assoalhadas embora apenas utilizem três e só no verão.

O problema é que não há espaço além da vivenda para mais do que uma horta (sonho de qualquer português com mais de 45 anos), o que inviabiliza a lei dos 50m.

Além disso se a casa arder e ainda por cima houver a possibilidade de culpar o vizinho por não ter limpo o lote onde ainda não construiu.... então ainda melhor, ao fim ao cabo culpar alguém que não se tenha substituído à nossa própria responsabilidade como cidadãos é uma espécie de desporto nacional.

Notas de rodapé

Consta que o jovem abençoado trouxe uma justificação do Bento, para entregar no trabalho...

segunda-feira, agosto 22, 2005

Arte alentejana


Permitam-me de vez em quando a arrogância de falar daquilo que de certa forma faz parte da minha história e que por inúmeras razões suscita em mim sentimentos discordantes.

Alguns de vocês compreenderam já que falo do Alentejo e mais concretamente de Moura. Não penso perder aqui muito tempo a salientar o marasmo ou situacionismo em que o Alentejo vive nos dias que correm e nos dias que já passaram.

Permito-me hoje apenas a salientar o que de bom se pode fazer com uma herança cultural de séculos posto ao serviço das novas gerações.

Assim foi criado em Moura à algum tempo na Igreja de São Pedro um museu de arte sacra que merece uma visita se porventura passarem pela margem esquerda do Guadiana.

Fica aqui o link para o site da câmara que não têm propriamente informação sobre o museu. Tentei encontrar informação digital mas neste momento ainda não está disponivel. Se estiverem interessados contactem a câmara de Moura com os contactos que estão na página.

O museu fica na Rua da República mas se tiverem de perguntar por direcções perguntem antes pela "Rua dos cafés"...

A malta tem de fazer pela vida


No melhor pano caí a nódoa...

Eu assim como uma série de pessoas com quem me relaciono, temos sempre uma espécie de nostalgia popular (quase Kitsch) pelas intentonas de esquerda na América latina e uma nostalgia ainda maior pelas democracias de esquerda derrubadas por golpes militares.

Por isso, Lula da Silva e o PT representavam uma espécie de ultima esperança para a América do sul. Para muitos o farol da liberdade (frequentemente invocado por Bush) estava no Brasil e não nos EUA.

Frustrantes noticias vindas do outro lado do atlântico, com mais ou menos envolvimento português, têm destruído este sonho.

Fica bem ao Lula pedir desculpa ao país pelo escândalo do mensalão mas o problema brasileiro da corrupção é bem mais vasto. Alguns dizem até que foi uma herança que por lá deixámos.

O problema da corrupção no Brasil é culpa do sistema político criado na República Federativa do Brasil que à semelhança do caso francês é também uma valente confusão.

O Brasil não tem, porque nós não deixámos, uma realidade cultural diversa, que se possa dividir por estados tal como acontece nos Estados Unidos. Ainda assim e por comparação com a divisão regra e esquadro que as potências europeias fizeram em África, consideraram melhor dividir o país em estados mais físicos do que entidades culturais. Esta divisão cria um sem número de cargos políticos que devido à extraordinária distância em relação a Brasília, permite aos caciques locais exercerem o poder a seu belo prazer.

Em segundo lugar e apesar de o Brasil ser a maior democracia da América Latina a proporção dos deputados ou senadores para Brasília respeita uma relação directa entre número de eleitos por terreno total do estado e não por população. Ou seja, era como se o distrito de Beja fosse a zona do país que mais deputados elegesse embora fosse a zona menos povoada. Ora no Brasil, os estados da amazónia onde vive menos gente e com menos acesso à cultura e à informação é onde se elegessem mais deputados ou senadores. Está mesmo ver-se que vão para Brasília todos os coronéis das novelas.

Terceiro problema: A existência de duas câmaras. O congresso e o senado. A meu ver não faz sentido até porque não é claro, nem para os brasileiros, onde começam as responsabilidades de uns e acabam as dos outros.

Quarto problema: A profusão de partidos políticos devido à dimensão continental do país, o que gera a necessidade permanente de acordos mais ou menos claros entre eles.

E ultimo problema mas não menos importante, a necessidade de um grande número de legislação ter de passar pelo congresso onde fica na maioria das vezes retida. No Brasil e por o sistema ser presidencialista, as acções legislativas do governo estão na sua maioria limitadas à aprovação do congresso, ao contrário de Portugal onde existem compartimentos estanques entre a capacidade legislativa do governo e da assembleia.

Ou seja, isto tudo para dizer que só há mensalão porque é necessário pagar para que os projectos passem no congresso. É a única forma de fazer aquilo andar para a frente.


Não consigo deixar de me lembrar que estou a falar do país que aqui à uns anos referendou se os brasileiros pretendiam um regime presidencialista, semi-presidencialista ou monárquico... não posso esquecer que caso os brasileiros tivessem mesmo levado este referendo a sério, poderiam ter escolhido uma monarquia presidencialista....e que assim que escolhessem este fantástico sistema, criar-se-ia uma imediata crise de sucessão monárquica... palavras para quê...

Preguiça

Eu até tinha umas coisas para dizer... mas não me apetece mesmo nada falar das presidenciais...
Fica para mais tarde... reservo-me (como os candidatos a candidatos)

sexta-feira, agosto 19, 2005

Economices

Depois da divulgação de mais umas previsões péssimas para a nossa economia pelo INE, pelo menos existe um indicador positivo.

Verifica-se um aumento da produção industrial, sendo que este aumento é mesmo o mais forte da UE.

Pode ser que se consiga aliar este aumento, muito pouco comum em Portugal, a um reforço das exportações para dinamizar a economia.

Já estamos todos cansados de ser o aumento do consumo privado a puxar isto para a frente....

quarta-feira, agosto 17, 2005

Jovem português abençoado por Deus


Não tenho por hábito seguir a agenda da igreja mas devido à projecção da primeira visita ao estrangeiro do Papa Bento XVI, fiquei a saber que se irá realizar em Colónia um grande encontro da Juventude cristã.

Naturalmente que irão estar presentes alguns milhares de jovens portugueses. No entanto, nem todos manifestarão tão próxima relação com Deus como o jovem de Vila Nova de Gaia que não tinha previsto a ida à alemanha e que apenas pretendia despedir-se da sua namorada, quando por desígnio divino abriu uma vaga na camioneta e o jovem não hesitou em compreender a vontade de Deus e embarcou rumo a Colónia.

Até aqui tudo bem, mas o jovem começou a trabalhar à cerca de dois meses num museu do Porto e perante tão clara vontade de Deus não teve sequer tempo de avisar que ia faltar ao emprego durante todo o período do encontro.

Quanto questionado sobre a sua situação no emprego, o jovem não hesitou em dizer que esperava que Deus o ajudasse a justificar a ausência (pois é, vai levar um papel assinado pelo Pai....)

Das duas uma.... ou o moço é um vidente de Fátima tardio de quem poderemos ainda esperar grandes milagres e a salvação dos pecadores ou é um grande calão com a mais esfarrapada das desculpas jamais ouvida.

Fogo em bloco

Eu bem que já tinha desconfiado que em Espanha algo se passava porque nas imagens dos incêndios só se vê fumo, helicópteros e grandes planos. Sempre pensei que por lá as reportagens sobre os incêndios não fossem feitas por jornalistas estagiários à espera do furo que lance as suas carreiras, mas sim por jornalistas com créditos firmados e por isso não estavam para se arriscar na proximidade com as chamas.

Afinal estava enganado... pelas bandas de lá existe uma espécie de acordo sinistro e obscuro entre os canais de televisão para não mostrarem chamas. Assim como quem diz que se houver algum artista a atear um fogo perderá todo o impacto que esperava ter aparecendo nas noticias.

Pois por cá o Bloco de Esquerda sugeriu medida de igual impacto para a nossa comunicção social.

Confesso que desconfio sempre deste tipo de acordo que visa esconder algum tipo de informação da generalidade do publico. Ainda por cima poque este suposto acordo está baseado na ideia, a meu ver ingénua, que a generalidade dos incêndios em Portugal têm mão criminosa.

Apesar de todos os nossos defeitos (que eu tanto gosto de denunciar) já estamos crescidinhos para ver o que vai acontecendo por esse país fora.

Além disso as imagens de gente a fugir em pânico e de povoações ameaçadas de desaparecimento são uma ferida muito maior que não podem deixar de provocar dores em alguém com responsabilidades.

Estranhos kibutzs

Estranhas imagens estas que temos assistido ultimamente da evacuação dos colonatos israelitas na faixa de gaza...

Estranho porque a ultima vez que me recordo de evacuações ou demolições naquela zona elas afectavam exclusivamente os palestinianos que tinham o azar de ter filhos que se tinham feito rebentar em israel e por isso o exercito deitava-lhes a casa abaixo.

Estranho que os colonos agora evacuados não tivessem considerado o direito inalianável à habitação que agora defendem na altura em que o exercito que os defende deitava abaixo casas de palestinianos.

Mas a situação é um pouco mais complexa do que se possa imaginar. Apesar da histórica e sábia decisão de abandonar a faixa de gaza após 38 anos de ocupação, Sharon terá de continuar a lidar com problemas internos dos extremistas religiosos (com memória curta...) e com os extremistas reforçados por esta meia vitória...

Neste momento as posições estão extremadas como nunca e a situação antes de melhorar pode piorar seriamente. Os colonos que obteram este território à 38 anos no decorrer de uma guerra que nem sequer foi iniciada por israel mas pelos àrabes, acham que esta terra lhes pertence por direito... apesar de à 38 anos serem outros que lá estavam...

Os palestinianos apesar de nunca terem tido qualquer "terra prometida" oficialmente reconhecida pelos (supostos) amigos àrabes, e apesar de sempre terem vivido como apátridas entre várias regiões, arrogam-se no direito de não reconhecer o estado de Israel nem que seja uma àrea de 10m2.

Para mim é linear que faixa de Gaza deve ser abandonada até porque não faz qualquer sentido que para forçar a presença de alguns milhares de colonos seja necessário protegê-los permanentemente de mais de um milhão de palestinianos que vivem na região. Além disso é simplesmente.... justo....

O problema é a criação de um estado palestiniano independente fora da faixa de Gaza e a polémica questão da capital ser em Jerusalém. Isto porque na Cisjordânia os colonatos foram deliberadamente construidos como cogumelos quebrando a continuidade de um suposto território palestiniano na margem do Jordão entre a Jordânia e Israel.

Na Cisjordânia os colonatos foram dispersos à volta das cidades palestinianas e cercados de muros e arame farpado e não se está a ver que Israel venha a abdicar destes como já fez no libano e agora em Gaza.

Aqui é que reside o problema principal e a possível escalada de violência no conflito israelo-palestiniano

Correio dos leitores II

Meu caro anónimo, de facto andei a passear durante o fim de semana prolongado... gosto por vezes de levar à letra o "vá para fora cá dentro" e para minha desilusão não consigo desligar o sensor que me permite ir ao Santo Antonio e comer tranquilamente algumas bifanas (sardinhas era pedir demais).

Realmente essa prática requer alguns anos de treino e reconheço agora que ainda não está ao meu alcance nas minhas viagens cá dentro.

Não consigo ainda passar para além da falta de cuidado com que tratamos as nossas coisas, não consigo ver além da sujidade, do desleixo, da aberração, da alarvidade entre outras coisas....

Mas o meu caro anónimo tem razão.

Há realmente neste post algum ressentimento.

sábado, agosto 13, 2005

Wild lost west

Como eu detesto o oeste...

O nosso oeste cresceu numa espécie de franja agricola de lisboa, o oeste é uma espécie de sucedâneo rural da sofisticação novo-riquísta de lisboa, e não serve para mais nada além de ter uns monumentos bons para umas voltas saloias, umas vivendas pirosas onde as pessoas que as habitam têm a audácia de dizer que vivem no campo, e tem Fátima....

Aqui nada que tenha menos de 200 anos vale o esforço de conhecer.

Mas ainda pior que o oeste ou até pior que fátima são as dezenas e dezenas de excursões com ainda mais dezenas de gente pirosa e saloia de outras partes do país mas que insistem em vir para o oeste aos almoços convívio em aveiras de cima e insistem em parar em todas as estações de serviço da auto-estrada para dar uma "mija"a dois metros da porta oficial do wc da estação de serviço porque um homem precisa de os arejar...

Certamente é uma forma de se vingarem da auto-estrada pois teriam preferido vir sempre pela nacional para poderem discutir (com tempo) até quase à agressão quais possuem a doença mais debilitante tendo em conta que todos sofrerão do coração e dos nervos... ou os mais aptos a trabalhos físicos que nunca antes estiveram habilitados a fazer... Eu detesto o oeste...

Isto faz sempre lembrar aqueles sítios que por mais obras que se façam vão sempre parecer inacabados como grande parte da margem sul onde por mais que se limpe está sempre tudo cheio de areia. Parece que aquele pedaço de país foi criado para os arrastadores de chinelos mas por alguma razão obscura eles acabaram todos por conseguir fugir....

Lá está este gajo outra vez... o oeste é uma linda região com tesouros escondidos que é preciso procurar... Pois, mas se houver alguma coisa de realmente interessante por estas bandas é melhor que salte à vista porque no meio de tanto azulejo nas paredes exteriores e telhas pretas daquelas da Baviera vai ser dificil encontrar...

quinta-feira, agosto 11, 2005

Incêndios transfronteiriços



Parece que já se concluiu que Portugal, apesar da área que tem, é o país da Europa onde percentualmente mais arde área florestal.

Os nossos vizinhos espanhóis, franceses, gregos e italianos que tal como nós enfrentam todos os anos, Verões tão quentes quantos os nossos, ardem muito menos.

Ainda que pontualmente tenham incêndios de grandes dimensões, nunca ardem tantos hectares como em Portugal.

São inúmeras as razões culturais para isso acontecer, mas a principal razão é porque no combate aos incêndios como nas outras áreas o dinheiro escasseia embora escorra em grandes quantidades para as empresas privadas que disponibilizam meios aéreos.

Mas vamos a exemplos curiosos:

Há dias houve um incêndio no parque natural de Montesinho em Trás-os-Montes. Este incêndio devido à proximidade com Espanha motivou os "nuestros hermanos" a darem uma ajuda que se traduziu na vinda de três meios aéreos pesados para fazer companhia ao único meio aéreo português disponibilizado para este incêndio.

Infelizmente não temos este tipo de iniciativa e rapidez de reacção para resolver os nossos problemas sejam eles incêndios ou outros.

Claro que para visão espanhola é sempre melhor arder em Portugal do que arder em Espanha... é um raciocínio infalível e a nós apenas nos resta agradecer a disponibilidade espanhola.

Já em Espanha, este ano também tem sido difícil e os incêndios têm provocado algumas mortes. Ainda assim o total de área ardida continua a ser percentualmente muito inferior.

Dá que pensar que no ultimo grande incêndio em Espanha, na Andaluzia, arderam 6000 hectares para os quais foram disponibilizados 38, sim 38 meios aéreos…

terça-feira, agosto 09, 2005

segunda-feira, agosto 08, 2005

Outra vez as chamas...


Poderia dizer algumas palavras sobre os incêndios que mais uma vez assolam o país, mas certamente que não passaria de uma série de perguntas sem resposta para a minha perplexidade....

Assim aqui fica o link para alguém que melhor se expressou sobre este assunto, eu não o teria feito melhor.

Até sempre camarada


Para todos os que acham mesmo que eu sou comunista não poderia deixar passar em claro a morte de um dos pais fundadores (como se diz agora) do nosso actual regime.

É verdade que durante toda a sua vida defendeu um sistema com o qual agora podemos não concordar, mas como poucos defendeu as suas ideias de forma coerente.

É importante nesta altura reconhecermos o que devemos a Àlvaro Cunhal.

Quantos de nós estariam disponiveis para na mais profunda clandestinidade, assim como na prisão, resistir à ditadura e continuar uma luta sem quartel pela queda do regime??

Provavelmente muito poucos.

Quantos nesta altura podem dizer que não utilizaram a sua influência politica para protagonismo pessoal??

Provavelmente muito poucos.

Bem haja camarada.

Quem te viu e quem te vê...


Desde sempre mantive com a França uma espécie de relação de proximidade e admiração, não sei se por ser um país de eleição para uma parte da minha familia ou se por ser a casa preferencial dos exilados politicos da ditadura. Não sei se por causa da revolução ou até porque ainda ecoa no meu espirito alguma coisa de um Maio de 68 que não vivi.

Para mim os franceses sempre se juntaram numas tertúlias bem regadas com vinho de qualidade ou "pastis". A França para mim sempre foi um sitio onde a democracia triunfava, onde as ideias de liberdade floresciam em cada esquina, tal como as flores, tudo aliado a um certo glamour que os franceses se esforçam por manter.

Mas as coisas nos ultimos tempos têm vindo a mudar... cada vez mais se tem vindo a instalar em França um medo irracional sobre o futuro.

A França tal como o resto da Europa está a mudar e começam a ser evidentes os receios de insegurança relacionada com a imigração que têm como resultado a quase eleição de Le Pen, a lei sobre a religião nas escolas e a derrota do referendo Europeu.

Precisamos todos que a França rapidamente recupere a sua auto-estima e perca o medo que sente actualmente.

Casa roubada...


Pois é, tivemos um arrastão... pois é não tivemos um arrastão....
Bem entendam-se... tivemos ou não tivemos um arrastão???

Como estou verdadeiramente confuso quanto à definição em causa para a polícia e para os meios de comunicação social e até para os candidatos independentes do BE... resolvi deixar aqui uma definição que obtive no dicionário:

arrastão
s. m.,

  • esforço violento e impetuoso para arrastar;
  • repelão;
  • vara que nasce no pé da videira e se estende pelo chão;
  • rede grande de saco que é arrastada pelo fundo do mar, a reboque dos barcos de pesca;
  • barco de pesca que emprega redes de arrasto.

Podemos excluir desde já a vara, a rede e o barco, mas mesmo assim fiquei na mesma, houve ou não um arrastão? Vamos então por partes. Houve ou não um esforço violento e impetuoso de arrastar??? aparentemente sim, houve.

Não há na definição de arrastão qualquer indicação que me possa ajudar quanto à quantidade de pessoas relacionadas no esforço violento e impetuoso de arrastar ou repelão.

Ou seja, se não existe qualquer diferença na definição quanto à quantidade de malfeitores que praticam o acto violento e impetuoso de arrastar ou repelão.

Assim não posso deixar de concluir que aquilo que com o tempo tinha passado de arrastão a carga policial, foi e continua a ser um arrastão ainda que nele possa ter participado um único arrastador.

Nesse caso sinto-me na contingência que exigir ao Sr ministro da administração interna que garanta a minha segurança na praia durante todo o tempo e não apenas quando é preciso pôr trancas à porta.

Londres e o terrorismo


Londres à semelhança de Nova Iorque e Madrid foi tb vitima do terrorismo que tem vindo a afectar este inicio do século XXI.

Mais uma vez os inocentes cidadãos das mais variadas origens e credos que abundam em Londres foram atacados sem que para isso haja qualquer razão objectiva e sem que consigamos alcançar qualquer tipo de fim que justifique este meio.

A cidade que visitei em Janeiro (ver posts entre 16/01 e 05/02) é tal como disse uma enorme sede das nações unidas reunindo-se ali todas as nacionalidades e religiões numa convivência geralmente pacífica agora perturbada pelos atentados.

Pena é que numa cidade em que se respirava uma atmosfera de segurança, onde era possivel andar por quase todo o lado sem grandes preocupações, passe a haver uma paranóia securitária ao estilo de nova iorque.

Nada podemos fazer contra bombistas suicidas e ninguém como os ingleses souberam interpretar isso continuando a seguir as suas vidas normais apenas perturbadas por um aumento das operações policiais no seu caminho para o trabalho...

Devo reconhecer a inteligência dos britânicos e de Tony Blair na gestão desta crise, pelo menos Tony Blair compreendeu a necessidade de não transformar esta "guerra" num (tão falado) "choque de civilizações" como Bush insiste em nomear (para isso era preciso que ele fosse civilizado) e tratou os terroristas como vulgares criminosos que nada têm a ver com a religião que defendem até porque não hesitam em matar muito mais dos seus do que ocidentais.

Continuemos todos a viver as nossas vidas normais, pois é essa a única forma de deixar claro que não nos deixaremos vencer.

Correio dos leitores

Presunção e água benta.... agora até auto-denomino os comentários que são feitos aos meus posts como "correio dos leitores"

De qualquer forma gostaria que o meu amigo que gentilmente colocou o comment que aqui transcrevo se identifique nas proximas vezes até porque eu sei muito bem quem você é....

Aproveito a oportunidade para alertar os meus exigentes amigos que a minha cosmopolita vida (não tenho tomado os comprimidos, só pode) por vezes me impede de manter a actualidade deste blog.

"(...) Talvez o PS perca de facto nas autárquicas, porque nada faz para se libertar (um pouco que fosse...) da lógica "aparelhistica" e de algum populismo dos candidatos "figurinha" e "figurão"(dos desconhecidos caciques locais aos recém-candidatos a VIP). Mas convenhamos que a gestão das questões de governo também não tem sido pautada por aquele rigor e serenidade que se apregoavam, além das questões de substância poderem de facto ser discutíveis (nomeadamente OTA e TGV - se não as ideias, a pressa de as empacotar e vender). E as autárquicas ditarão assim provavelmente um eco do que se sente sobre o governo, quando pareceria ainda tão cedo para os famosos "cartões amarelos". Mas logo virá o Sebastião, que a esquerda agora também arranjou um (e o Sócrates também se portou lindamente nisso...)"

Meu amigo, mais lá para a frente, neste esforço hercúleo de actualização falarei dos nossos novos ou antigos presidenciaveis... aliás até porque por diversas vezes já falámos de sebastianismo... no entanto não posso deixar de concordar que a imagem que nos quiseram habituar com aquela questão do silêncio na formação do governo e a simplicidade e rapidez da tomada de posse acabaram por se perder, e falta agora alguma ponderação que se reconhecia logo no inicio. Sim, parece que há urgência em ter projectos e apresentar alternativas não se sabe muito bem ao quê, embora considere os projectos de indiscutivel importância.

Até breve.

O desafio europeu da agricultura


Como já vimos mais para trás a Europa está numa situação dificil se não se conseguir chegar a um acordo sobre a constituição e ainda mais importante (pelo menos para a maioria dos países) sobre o quadro comunitário de apoio para os proximos anos.

Segundo o duplamente "nosso" presidente da comissão Europeia, Franceses e Ingleses estão a condenar o projecto europeu.

As palavras aparentemente sábias mas profundamente imprudentes de Durão Barroso revelam um complexo problema que a maioria da união tem preferido arrumar de lado até agora.

Sim, a agricultura europeia e a famosa PAC.

Ao longo dos anos a Europa tem subsidiado os seus agricultores para produzirem em excesso ou então para não produzirem. A agricultura tornou-se ao longo dos anos a única actividade com certeza de rentabilidade na Europa para os agricultores que souberem aproveitar bem os fundos, o que nem sempre aconteceu aos portugueses.

O problema principal é que os agricultores franceses têm sido os mais beneficiados da Europa e mesmo assim continuam a lamentar-se apesar de inundarem, tal como os espanhóis, os mercados dos outros e os menos beneficiados têm sido os ingleses que ainda assim têm uma agricultura de sucesso.


Agora estamos perante o dilema de os franceses quererem mais dinheiro para a sua agricultura e os ingleses se recusarem a aprovar um orçamento que dê mais dinheiro aos franceses se os seus agricultores continuarem sem receber incentivos.

Ora tudo isto para explicar que esta conversa não me interessa para nada... parece-me cada vez mais claro que a agricultura subsidiada e protegida da União Europeia não tem futuro porque prejudica gravemente o investimento noutras àreas fundamentais e principalmente prejudica os países em vias de desenvolvimento que depende quase exclusivamente da agricultura.

Os mercados destes países emergentes que nós insistimos em apoiar em grandes e humilhantes campanhas humanitárias é frequentemente inundado por produtos excedentários vindos da Europa a preços artificialmente baixos devido aos subsidios.

Sejam ingleses ou franceses devem começar a olhar menos para os seus umbigos bem cheios.

Crónica de uma morte anunciada...

Está marcada para outubro a morte do artista. O artista é o PS e mais concretamente o seu coordenador autárquico Jorge Coelho.

A maioria dos comentadores politicos não hesita em afirmar que o PS será violentamente castigado nas eleições autárquicas devido às medidas impopulares que tem vindo a implementar.

De qualquer forma quero crer que a maioria dos portugues até considera estas medidas como justas e então não haveria razão para castigar o PS.

Então porquê uma morte anunciada???? porque o aparelho do PS optou pelo tacho certo no aparelho do estado e nas empresas públicas e não se chegou à frente para as autarquias.


Num pequeno exercicio de café com uns amigos rapidamente concluimos que para a àrea metropolitana de Lisboa, além do Carrilho (e sua interessante família) e da candidatura reciclada de Soares para Sintra, não há qualquer candidato que seja uma figura de primeira linha do PS.

Não falemos sequer da humilhante derrota que o Assis vai sofrer no Porto.

As autárquicas do PS estão inteiramente entregues aos caciques locais, que acharão óptimo, mas que não lhes garantirá vitórias. Pelo menos nas àreas metropolitanas.

De comboio ou de avião


Muita tinta tem corrido nos nossos jornais e televisões sobre o aeroporto da OTA e o TGV.
Basicamente a questão está entre saber como vamos continuar a sair do nosso cantinho à beira mar plantado para o resto do mundo.
Vamos querer ir de avião ou preferimos o comboio de alta velocidade ou ambos, ou então preferimos perder o comboio???
Sim, o país está numa situação económica delicada e provavelmente não devemos entrar em loucuras megalómanas.... mas tb sabemos que as nossas loucuras megalómanas (muitas vezes convenço-me que é a única forma de fazermos as coisas) geram muitos milhões de euros apesar das já habituais derrapagens.
De qualquer forma importa analisar se a OTA e o TGV se podem chamar loucuras megalómanas assim como alguns chamam à EXPO'98 e ao Euro2004.
O TGV é a norma europeia para transporte ferroviário de alta velocidade, tal como existe uma norma europeia para a televisão digital ou para a publicidade ao tabaco. Por isso se eventualmente optarmos por não fazer o TGV (sejam cinco ou duas linhas) e optarmos por fazer um teleférico, ou um trenó puxado por cães para nos ligar a Espanha e daí para o resto da Europa, Bruxelas não vai entrar com um único cêntimo. Ou seja, se não se fizer o TGV de acordo com a norma europeia para o transporte ferroviário de alta velocidade não vai haver nem dinheiro nem TGV.
Neste momento Portugal está ligado a Espanha e à Europa por via ferroviária por 3 comboios diarios, um para Madrid, um para Paris e um que liga o Porto a Vigo.
No meu entender é o mesmo que dizer que ferroviariamente o país está fechado como à 40 anos.
Infelizmente tenho o desprazer de já ter viajado no "Lusitânia Expresso" (nome estranhamente romântico) para Madrid e posso garantir que se trata de uma descida aos infernos com a duração de 10 horas. Ainda hoje tenho dentro da cabeça o ruido insurdecedor do metal que ininterruptamente se faz ouvir durante toda a viagem.
Não posso deixar de colocar a questão aos críticos se será razoável manter esta situação e permitir que quem chega a Portugal ou vá para o estrangeiro tenha de mudar de carruagem na fronteira com Espanha???
Quanto à questão do aeroporto confesso a minha total perplexidade.... não consigo acreditar que toda a minha vida adulta tenha ouvido milhares de comentadores , analistas e técnicos a dizer que o aeroporto no centro da cidade não poderia continuar e quando alguém toma a decisão definitiva de fazer outro aeroporto que só estará pronto com algum optimismo daqui a dez anos, todos vêm a correr à televisão dizer que é um erro monstruoso e um elefante branco.
Não tenho conhecimentos que me permitam responder, apenas sei que a portela está limitada e as mesmas razões que limitam a portela (aumento da pressão urbanistica) condicionam as opções Alverca e Montijo num futuro próximo.
Apenas sei que seja na OTA ou noutro lado qualquer ele acabará por ter de se fazer, ou não?

terça-feira, junho 07, 2005

NÃO, NÃO e NIM


Um estridente e sonoro "NÃO" parece ser a palavra de ordem na Europa nos dias que correm... bastou o referendo francês para que se instalasse o pânico entre os eurocratas que agora têm de encontrar uma solução martelada para a Europa seguir em frente.

Naturalmente que esta nega francesa e holandesa (outros podem seguir-se...) vem deitar por terra a contrução de uma verdadeira união baseada num texto constitucional.

Mas como quase tudo existem aspectos positivos e negativos. O primeiro aspecto positivo que destaco é a evidente necessidade dos governantes europeus passarem a ouvir os seus eleitorados. Por que cabeças poderá ter passado a ideia de referendar uma coisa em que apenas pode existir uma resposta possivel??? não é possivel referendar questões colocando uma questão em que a resposta seja sempre sim e os eurocratas estão de tal forma afastados dos receios que abundam na parte ocidental da europa que não criaram um plano B na eventualidade (absurda para eles) de haver alguém a votar não. Em segundo lugar uma baixa do Euro nos mercados internacionais em virtude da aparente morte do projecto constitucional europeu pode paradoxalmente ajudar a desenvolver a economia europeia e relançar um projecto europeu baseado numa convergência real. Escusado será dizer que numa altura de crise em Portugal, a baixa do Euro vêm mesmo a calhar porque torna os nossos produtos mais baratos.

Além disso não sabemos se estas negas não vão ajudar países como portugal nas negociações para os fundos de coesão pois é bem provável que alguém ompreenda a necessidade de um maior esforço de coesão para o projecto europeu seguir em frente.

Para aspectos negativos já existem algumas vozes a falar num regresso às antigas moedas o que seria uma natural hecatombe do bloco economico europeu e o fim de um projecto de integração logo agora que ele se começava a consolidar a leste. Para Portugal seria o fim do projecto de desenvolvimento que bem ou mal vamos tendo por cá....

Oportunamente falarei aqui das opiniões pessoais do Sr. MNE mas de qualquer forma concordo que o tratado constitucional está morto. Após o NIM britânico não vale a pena forçar mais 13 paises a ratificar um documento que evidentemente não tem possibilidades de entrar em vigor.

Sim, a europa até se pode fazer sem Portugal.... mas certamente não se fará sem a França.

sexta-feira, maio 27, 2005

O Monstro II

Afinal a tanga continua... apesar da insistência em dizer que não entramos novamente no discurso da tanga, o governo não deixou de ceder à dramatização das contas públicas por forma a melhor poder lançar medidas impopulares, mas necessárias.

Muito já se disse sobre as medidas do governo, e a minha impossibilidade de colocar novos posts dilui a análise possivel dessas medidas. No entanto, julgo que todas as medidas que se revelarem coerentes com as necessidades de justiça social são úteis ao país.

É pena que se tenha de nivelar por baixo, mas temos de uma vez por todas de nos convencer que os que neste momento já são ricos vão continuar a sê-lo e nem sequer podem ser condenados por isso. Afinal ficou já claro que bem ou mal são eles que puxam a economia para a frente e não o estado, afinal foi este que nos arrastou para a crise e não os privados.

Fora do "grande capital" estamos todos nós e convêm que para estes as condições sejam iguais e previsiveis.

Não é possivel continuar a manter por mais tempo o custo elevado de uma administração pública em que trabalham 600.000 pessoas em oposição a 4 milhões que trabalham no sector privado.

Não é possivel continuarmos a manter 6, 7 ou 8 sistemas de saúde diferentes até porque a maioria dos portugueses não tem acesso a eles e tem de recorrer às habituais filas da "caixa"

Não é possivel manter uma economia paralela em que 28% do PIB passa ao lado dos cofres do estado sem factura.

Não é possivel que haja regras diferentes para as idades de reforma entre sector público e sector privado quando no primeiro a maioria das profissões nem sequer são de desgaste rápido.

Não é possivel continuarmos a manter o corporativismo que se começa a manifestar nas nossas ruas quando a maioria das medidas anunciadas só terá impacto ao longo de um periodo de 10 a 15 anos.

Ainda assim é importante mantermo-nos atentos aos sinais menos positivos que vão aparecendo por aí.... não é normal a demissão de um ministro das finanças de um governo com maioria absoluta 4 meses depois de ter começado a governar e não é normal nomear-se antigos ministros para empresas publicas (embora sejam cargos politicos).

quarta-feira, maio 25, 2005

O Monstro I

Sou um rapazinho novo mas recordo-me bem que a actual paranóia do défice não existia aqui à alguns anos até porque era fundamental a um país em vias de desenvolvimento a possibilidade de recorrer à divida externa para se desenvolver.

Assim foi nos anos da maioria absoluta cavaquista em que a palavra de ordem era não nos arriscarmos a um aumento da inflação, mas o pobre do défice estava esquecido nessa altura.

Agora a palavra de ordem é o défice e o efeito que ele tem na economia.

Isto trocado por miudos (num registo tipo Bagão Felix) quer dizer que gastamos mais do que aquilo que recebemos.

Esta realidade é uma constatação de um facto lógico para a maioria das familias portuguesas. Não podemos esquecer que a estagnação do mercado do arrendamento nos obrigou à contingência de irmos todos a correr comprar casa seja para pagar em 30, 40 ou 50 anos. E não podemos tb esquecer que já fomos os orgulhosos detentores desse recorde de desenvolvimento, que era o maior número de videos per capita da Europa....

O nosso problema actual é que quando podiamos ter um défice muito jeitoso, que permitia a injecção de grandes volumes de capital na economia, não fizemos nada para prevenir que quando chegasse o tempo das vacas magras as coisas não fossem dificeis. E as vacas magras acabaram por chegar....

Palvras sábias as do nosso Presidente, ontem no japão, em que disse que este problema estrutural não era um problema novo e era aliás uma caracteristica histórica dos portugueses.

Recordemo-nos todos que em diversos momentos da nossa historia estivemos perto da falência e que pelo menos numa dessas ocasiões houve alguns que acharam melhor ceder a independência do país a estrangeiros porque isso abria boas oportunidades de negócio....

Depois do discurso da tanga (discurso percurssor da nossa desgraça e do inicio da recessão) estamos de novo numa situação de "choque" e "estupefacção".

Vamos ver esta tarde se as milhares de sugestões dos economistas, nos milhares de debates já realizados nos canais de tv sobre este assunto, encontraram eco na maioria absoluta do PS.

Será que é desta que se fará alguma coisa ao monstro que consome 60% do que nós produzimos???

A ver vamos....

terça-feira, maio 24, 2005

Hable con ella


Confesso-me um ferveroso adepto da legião de ferverosos adeptos dos filmes de almodovar.

Tenho consciência que isso se tornou um daqueles clichés da moda logo a seguir à nomeação para o óscar para melhor filme estrangeiro de "Mujeres al borde de un ataque de nervios", no entanto isso não me preocupa até porque acompanho os filmes do rapaz desde "Entre Tenieblas" - Negros Hábitos - entre nós.

Como a maioria das coisas na vida que valem mesmo a pena, ou se ama ou se odeia Almodovar. No meu caso concreto fascina-me a cenografia por vezes aberrante e os interessantes caminhos do amor sejam quais forem as formas que ele assume.

Isto tudo para dizer que a revista "Time" acaba de considerar o filme "Hable con Ella" como o melhor da década e o coloca na lista dos 100 melhores de sempre.

Bons filmes.

segunda-feira, maio 23, 2005

O jejum...

Estou a ser pressionado (ver comentários de posts anteriores) para dizer alguma coisa sobre a festa do Glorioso....

Sabem os meus amigos que provavelmente não terei palavras amáveis para com o Benfica, tendo em conta que estive a ouvir buzinas pelo menos até às três da manhã....

De qualquer forma parabéns ao Benfica, temos de ter bom perder e como sportinguista passei uma fase dificil da minha vida durante 18 anos e por isso compreendo a festa encarnada deste ano.

11 anos depois, o Glorioso, que alguns acham que se confunde com a própria nacionalidade... (afinal não é só o Porto que é uma naçon...) ganha o campeonato.

Esta Superliga esteve longe de ser a melhor dos ultimos anos em grande parte porque o Porto esteve longe do seu melhor dos ultimos anos... Mas como se costuma dizer a bola é redonda e quem marca golos de forma mais regular acaba por merecer a vitória.

E este ano com altos e baixos foi o Benfica que se demonstrou mais regular e por isso ganhou.

Pena é a história do costume... porrada nos aliados e alarvidade qb na luz....

sexta-feira, maio 13, 2005

Plante-se beterraba...

Isto de se ser governante e não se ter margem de manobra para aprovar os projectos dos amigos é capaz de ser profundamente prejudicial ao interesse que suscita a vida publica para a maior parte dos portugueses.

Na realidade não entra novo sangue na politica porque os jornalistas insistem que quando se é ministro se tem de esquecer os amigos.

Naturalmente que esta aberrante situação não faculta o desenvolvimento de relações pessoais e permite que o cargo de ministro seja muito mais solítário do que ao estado de direito convêm.

Agora que está o mal feito (esses malvados jornalistas...) vou pela opinião do Ricardo Costa da Sic Noticias.

"Como não se podem fazer hotéis, plante-se beterraba"

quarta-feira, maio 11, 2005

A ganza diplomática

Legalizem quanto antes as drogas leves e se não for pedir muito já agora as duras tb...

Afinal estamos num país em que se movimentam vários orgão de soberania para libertar num país muçulmano um jovem cineasta português que como tantos artistas anti-globalização da nossa praça, continua (sem perceber) a manter a arrogante caracteristica dos ocidentais de não respeitar as tradições e a cultura de ninguém.

Lindo exemplo para a diplomacia portuguesa... depois do sucesso dos antigos acordos de paz em Angola, do caso de Timor, entre outros, nada melhor do que juntar a grande pressão internacional e invocar amizades pessoais dos nossos embaixadores com ministros dos negocios estrangeiros da região para retirar da cadeia um jovem que consome estupefacientes.

Compreendo o drama de Ivo Ferreira... não deve ser fácil estar num país como o Dubai... mas ninguém o obrigou a ir para lá. Acho no entanto estranho o alheamento que alguns de nós continuam a ter do mundo que os rodeia esperando sempre que alguém resolva os problemas por nós... nomeadamente o governo.

É no minímo extraordinário que o moço chegue ao aeroporto de Lisboa com criticas ao MNE português depois de tudo terem feito para o libertar de um crime que confessou.

O que Ivo Ferreira pretende é que o Governo Português faculte informação dos países onde os portugueses se podem drogar à vontade.

Não fosse o alheamento do Ivo da realidade (tão caracteristico em artistas para quem tudo o resto que nós os comuns mortais fazemos é um bocado trivial e irrelevante...) e teria preparado devidamente a sua viagem com a consulta na internet à página do MNE - Informação aos viajantes, onde indica claramente e há bastante tempo que o "consumo de estupefacientes é fortemente punido" no Dubai.

terça-feira, maio 10, 2005

Praça Vermelha


Mais em jeito de pergunta do que em jeito de opinião....

Afinal o que significa a impressionante demonstração de força dos Russos na praça vermelha nas comemorações do 60º aniversário do fim da guerra?

Estão mesmo saudosistas do esplendor "vermelho" do antigamente ou foi tudo apenas teatro???

terça-feira, maio 03, 2005

Grande Maçã


Nova Iorque é grande. Mas mesmo GRANDE....

O primeiro impacto quando se chega a Manhattan é olhar para o céu. Quer dizer, não será bem para o céu, é mais para os arranha-céus enormes que nos rodeiam. Lembro-me que no primeiro dia havia algum nevoeiro, o que fazia com que o topo de alguns dos edifícios ficasse acima das nuvens... Para quem está habituado à relativa baixa altura dos prédios em Lisboa, há de facto um grande diferença, e embora a certa altura possa parecer que todos os prédios nova-iorquinos são todos iguais, não deixa de ser impressionante.

Falando em altura, devo dizer que um dos meus sonhos era estar no cimo do Empire State Building, algo que consegui depois de passar por filas monstruosas de turistas que deviam ter o mesmo sonho que eu. Calculo que depois do 11 de Setembro o Empire State seja o edifício mais alto de Nova Iorque, pois é impossível andar pelas avenidas sem dar de caras com o raio do prédio, sempre à espreita, quase que a pedir para lhe tirarem mais e mais e mais fotografias (assim se explica como rapidamente se tiram umas 100 ou 200 fotos...). Subimos a uma altura de 86 andares (não sei quantos metros isso dá, só sei que é muito...), e depois de nos habituarmos aos fortes ventos que parecem querer-nos lá em baixo, onde é o nosso lugar, é de tirar a respiração, sentimo-nos de facto no topo do mundo (que me perdoem as pessoas que já foram até ao Evereste e afins...).

Falando em 11 de Setembro, também estivemos no Ground Zero, e é uma sensação estranha estar num sítio onde milhares de pessoas morreram e num espaço que parece ao mesmo tempo tão vasto e tão pequeno. A cidade ainda vive afectada por este momento trágico da nossa história recente, e não são poucos os restaurantes, museus, lojas de souvenirs, e outros que tais, com algum tipo de “artefacto” que recorda essa fatídica data. Para um português é estranho mas compreende-se a genuína dor que estas pessoas sentem. Como alguém dizia no outro dia, a grande maioria das pessoas tinha família, amigos ou amigos de amigos, que ficaram no meio dos escombros do World Trade Center. E, apesar de tudo, estes sentimentos de dor representados pelos tais “artefactos”, sempre são melhores do que o sentimento ultra-nacionalista que atravessa a cidade. Basta olhar para o sinal mais óbvio, as bandeiras. Bandeiras, bandeiras e mais bandeiras. Sejam meia dúzia delas a decorar a fachada de um MacDonald’s, ou uma só enorme a tapar a fachada da Bolsa de Nova Iorque, em Wall Street, elas estão em todo o lado. Se a mim já me parece esquisito em Portugal ainda haverem bandeiras nas janelas da altura do Euro 2004, podem imaginar como me senti ao andar pelas ruas da Grande Maçã...

A cidade não esqueceu o 11 de Setembro, como é normal, e a prova disso é o enorme dispositivo de segurança que encontramos em muitos dos “landmarks”. Locais onde me recordo que tenhamos passado por detectores de metais: Museu de História Natural, Museu Guggenheim, Empire State Building, Ferry para a Estátua da Liberdade, Nações Unidas, e sei lá mais o quê. Como dizia um dos meus colegas de viagem, “se as nossas mochilas fossem sensíveis aos raios X, já estavam cheias de tumores”. A ver se consigo que percebam a minha opinião sobre esta “paranóia”: compreendo em absoluto o porquê de tudo isto e não me chateia minimamente ter sido quase revistado em todos estes sítios (lembro-me de uma outra ocasião em que tive de tirar o cinto e também me recordo de ver algumas pessoas a tirar os sapatos, tal como o tivemos que fazer no aeroporto de Newark). O que realmente me deixou chateado é a forma como as autoridades americanas põem na prática estes sistemas de segurança. Vou apenas pegar no exemplo que é o corolário do que acabei de escrever, que foi a viagem de ferry até à ilha onde se encontra a Estátua da Liberdade. Logo no local onde estamos a comprar os bilhetes, vemos enormes placas a informar os turistas que não podem levar mochilas para o ferry (algo que acaba por não acontecer) e que não podemos levar a bordo canivetes, isqueiros, armas brancas, bombas, “pepper sprays”.... Espera lá, “bombas”??? Será que esta gente acredita mesmo que, se eu levasse uma bomba para a estátua, ia declará-la antes de embarcar? (a propósito, isto cai dentro da categoria de perguntas que é preciso responder antes de entrar no país, do género “é um terrorista?”, ou “esteve em contacto com gado recentemente?”, ou mesmo “caso tenha nascido antes de 1900 e troca o passo, esteve envolvido em actividades nazis durante a II Guerra Mundial?”). Em seguida vamos para a fila, mas ainda não é a fila para entrar no barco, mas sim a fila enorme para entrar numa tenda onde iremos ser revistados. E que melhor impressão logo à partida do que ter 2 jovens com aparência de terem acabado de vir do Bronx a cortarem os bilhetes antes de entrarmos na tenda? É de facto a melhor forma de dar alguma credibilidade à preocupação com a segurança (estava a ser irónico, caso não tenham percebido). Depois entramos numa tenda que poderia perfeitamente ser de circo, tendo em atenção a atitude dos agentes da autoridade/seguranças que lá se encontram. A antipatia é geral, os berros dados aos turistas (estrangeiros ou americanos, é indiferente) também, e a falta de respeito é de bradar aos céus. Bem sei que Portugal nestas coisas ainda não é grande exemplo a seguir, mas estes jovens abusam. Nunca me tinha sentido tanto como um animal no caminho para o matadouro (tentei inclusive fazer alguns ruídos animalescos para ver se eles percebiam... sem efeito). Ok, pensar-se-ia que aquela gente está ali para cumprir normas de segurança e não para ser simpática, é um ponto de vista perfeitamente defensável (Então experimentem ir à visita guiada das Nações Unidas, onde também passam por detectores de metais, mas os seguranças mostram empatia com os turistas e mostram que de facto é um inconveniente ter que passar por aquelas coisas... será que é porque nas Nações Unidas estamos a pisar terreno não americano?). Mas então que dizer da quantidade de gente que iam deixando entrar no ferry? Eu que estava numa das “varandas” só via gente e mais gente a entrar e só me perguntava se estavam à espera que o barco afundasse para dizerem que já estava cheio. Isto para não falar na quantidade de crianças que se iam debruçando nas amuradas, que não tinham protecção, a ver se conseguiam cair no rio. Mais tarde, já na ilha, iríamos ver um destes barcos a chegar, e mais pareceria uma imagem de um país de terceiro mundo, onde uma multidão de refugiados tentava fugir de uma qualquer guerra... Estranho conceito de segurança tem o departamento de Homeland Security dos Estados Unidos...

Ainda no assunto da simpatia (ou falta dela), tenho uma outra opinião que gostaria de partilhar convosco. Não sei em que empresa vocês trabalham, mas na minha e em muitas de amigos meus, semestre sim semestre não, vejo-me perante mais uma acção de formação de atendimento ao cliente, ou técnicas motivacionais, ou comportamento do consumidor, e o que acontece normalmente é que estas técnicas de atendimento são provenientes dos States. De modo que começamos a imaginar que o atendimento lá seja de 5 estrelas. Bom, o que me aconteceu a mim e às pessoas com quem viajei foi que o atendimento tomou 2 caminhos possíveis: por um lado, um atendimento super-eficiente nalgumas lojas, mas quase aos berros com os clientes, e, por outro lado um atendimento antipático, indiferente, do género “odeio o meu trabalho, por isso não tenho que te tratar bem enquanto cliente”. Verdade seja dita que, ao contrário de Barcelona, não fui atendido por alguém que estava a fumar atrás do balcão, mas mesmo dentro dessa escala as coisas não foram muito boas. Excepções há sempre, mas se vos disser que os sítios onde fomos bem atendidos foram um “diner” propriedade de gregos (que até se meteram connosco por causa do Euro, mas sempre de uma forma afável) e um restaurante italiano onde o jovem que estava a atender eram um bonacheirão tipicamente latino, acho que começamos a ver um padrão, certo?

Bom, não comecem a pensar que tudo isto faz com que uma visita à Grande Maçã não valha a pena. Não, não se trata disso, apenas há que partir de Portugal com uma razoável dose de paciência. Porque de facto há coisas bem bonitas em Nova Iorque. O Museu de História Natural, por exemplo, onde uma pessoa passa horas e horas extasiado no meio de esqueletos de dinossauro, culturas de todo o mundo, ou frente a frente com uma reprodução em tamanho original de uma baleia azul. Lindo, lindo, lindo... E as horas passam a correr... Se vos disser que entrámos por volta das 10 e meia, e saímos já a passar da 2 da tarde, não andarei muito longe da verdade. Também o Museu de Arte Moderna (MoMA, para os amigos) me deixou de boca aberta. No mesmo espaço temos exposições a puxar para o pós-pós-moderno (para quem tem mais abertura de espírito), exposições de volta do design dos nossos dias, e pinturas originais de “monstros” com Andy Warhol, Pablo Picasso, Diego Rivera, Salvador Dali ou Van Gogh, só para mencionar alguns. Acho que todos nós “levámos” connosco alguma coisa que nos agradou no MoMA.

E que dizer do Central Park? Mesmo no centro de Nova Iorque têm um sítio onde podemos fazer um jogging todos os dias (e simultaneamente “atropelar” os idiotas dos turistas que estão parados no meio do caminho a tirar fotos... comigo, por acaso, foram mais os dois ciclistas que tentaram passar-me por cima na Ponte de Brooklyn) passear os nossos cães (sim, porque nova-iorquino que se preze tem no mínimos uns 3 cães, todos de tamanhos diferentes), fazer um slalom com o nosso bebé dentro de um carrinho todo aerodinâmico, ou mesmo fazer uma partidinha amigável de basebol (juro que estivemos uns bons três quartos de hora a olhar para aquilo e mesmo assim não percebemos nada daquilo... nós é mesmo o pontapé na chincha e mais nada...). Mas o Central Park é mesmo imponente, e imagino que no Outono ou no Inverno seja ainda mais belo. E afinal de contas, não é em todos os parques que podemos “comprar” um banco de jardim e dedicá-lo à memória do nosso ente mais querido, com direito a plaquinha e tudo... Esta gente é mesmo esquisita...

Como portugueses que somos, o nosso lado gastronómico não podia ficar esquecido. Quando penso numa palavra para descrever a comida em Nova Iorque, só me consigo lembrar de duas: ataque cardíaco. Pois é, se nós cá já somos aquilo que tão bem conhecemos, os americanos decidiram fazer o mesmo mas em ponto grande, pois claro! Eu achei esquisito que, quando chegámos ao aeroporto de Newark, no caminho desde a chegada até ao recolher da bagagem, tenha visto nas paredes uns 10 desfibrilhadores (sabem aquelas máquinas que dão choques no nosso coração para que o mesmo volte a bater?), tal como se fossem extintores. Mas assim que comecei a fazer refeições, comecei a compreender... Desde hambúrgueres (como não podia deixar de ser...), até ovos mexidos com bacon ao pequeno-almoço, passando por sobremesas enormes em restaurantes mexicanos, até um pequeno-almoço esquisito no MacDonald’s chamado McGriddles, que não era mais que uma fatia de bacon super-salgado com ovo no meio de duas fatias de pão doce, até chegarmos ao famoso Hot-Dog, que, a meu entender, exige anos e anos de prática no seu manuseamento, pois assim que dei a primeira dentada, metade dos molhos foi parar ao chão...Pelo meio tive direito a provar o verdadeiro “fortune-cookie” chinês, com a minha sina lá pelo meio, bebi uma verdadeira limonada vietnamita (que eu gostei mas que houve outros que acharam que não era seguro estar a beber aquilo), e ainda deu tempo para recordar um prato dos meus tempos de Coreia... O ponto alto, para mim, foi um spaghetti à carbonara que comi num restaurante italiano em Little Italy, que me soube a comida angelical. Foi também neste restaurante que provei o único café de jeito em toda a cidade. Sim, porque aqui é o reino dos Starbucks, deve haver centenas e centenas destes cafés espalhados pela cidade. Nós até estranhávamos quando ficávamos 5 minutos sem ver um, mas nessa altura de certeza que apareciam uma dezena de nova-iorquinos com copos daquela mistela à nossa frente. Houve até quem tivesse pago uns bons dois dólares e meio por uma aguinha suja, isto depois de quase interrogarmos o empregado se era mesmo um “expresso”.

Por todas estas coisas, a viagem até Nova Iorque vai ficar guardada num local muito especial e, mais não seja, terei sempre as centenas de fotos que tirei para recordar os bons momentos lá passados. Deixo-vos algumas das frases-chave desta viagem que me trazem neste momento um sorriso ao rosto...

“Are you a terrorist?”
“A minha máquina fotográfica não está boa...”
“What’s you number, SIR?”
“Do you know the dangers of lead poisoning?”
“Cuidado Lolita!”
“Olha, umas baratinhas!!”
“Isso já tem a gorjeta incluída?”
“Sounds good...”

“Start spreading the news
I’m leaving today
I wanna be a part of it
New York, New York…”
By Nuno Fonseca

segunda-feira, maio 02, 2005

Ground Zero

Independentemente das opiniões que tenhamos sobre a arrogância americana ou sobre o papel dos americanos no mundo não podemos ficar indiferentes ao imenso espaço agora vazio do ground zero. Afinal os americanos comuns ou os imigrantes que ali morreram, tal como os portugueses ou outros estavam apenas a tentar safar-se, assim como dar uma vida melhor as suas famílias.

Para mim não é possível imaginar agora uma américa sem o 11 de setembro ou uma new york sem aquela gigantesca ferida física para além de psicológica. Talvez as coisas fossem diferentes antes dos atentados, mas esta américa que vimos com os nossos olhos, é uma américa em pânico e ainda um bocado em histeria colectiva em relação a uma segurança a que não está habituada na sua própria casa.

No interesse de todo o mundo livre (onde nós tb nos incluímos, por mais estranho que isso possa parecer a alguns americanos,..) seria útil que a américa olhasse um pouco para dentro e tentasse perceber a razão dos seus erros.

Junto à zona do WTC há uma pequena capela (St Paul's chapel) que juntamente com o ground zero se tornou um local de comemoração dos heróis americanos do dia da tragédia. Temos alguma dificuldade em perceber em que foram heroís mas se calhar é melhor chamar-lhes heróis e não mártires... Nesta capela foi onde descansaram e receberam refeições polícias e bombeiros que se encontravam nas operações de busca. O jardim com cemitério desta capela ficou tão danificado que só reabriu em 2003.

Neste momento existem ainda prédios de 40 e poucos andares que se encontram de tal forma danificados que terão de ser demolidos antes de avançar o projecto para aquela zona, mais um tributo à ambição humana que pretende voltar a ser o mais alto edificio do mundo.

De volta à capela além de inúmeros objectos daqueles dias (que tb podem ser encontrados noutras zonas da cidade) realiza-se um pequeno serviço religioso de evocação e recordação de todos os que morreram. Cada um de nós tê-lo-á sentido de formas diferentes.

Eu optei por esquecer as palavras que ouvi sobre "o apoio aos nossos líderes e as forças no iraque" e senti o silêncio que se seguiu com alguma emoção, e achei que a pequena capela e a simplicidade do acto traduziam uma infíma parte da mágoa que continua a haver nesta cidade.

Torre de Babel

Recordam-se das notas de 20 escudos? Sim, aquelas com o Gago Coutinho? O dinheiro deste lado do atlântico continua a ter o mesmo cheiro das notas de 20 desse tempo em que tudo parecia mais fácil.

Aqui nem tudo é fácil, mas parece tendo em conta a quantidade de notas que temos de transportar todos os dias. Mas as dificuldades começam logo a entrada...

Depois de umas 8h de avião que deviam fazer-nos merecer um café decente, um banho e uma cama temos ainda de prestar uma espécie de estranha vassalagem à porta do império... Funcionários tb eles estrangeiros mas já abençoados pela "pax americana" tentam com razoável sucesso questionar a utilidade de uma visita ao centro do mundo. O questionário previamente preenchido é esclarecedor... "É ou alguma vez foi terrorista? É ou foi filiado na Gestapo quando tinha menos 700 anos que agora? Está ou esteve envolvido com gado antes de embarcar?" são alguns dos mimos à entrada junto com a estúpida pergunta se viaja sozinho ou acompanhado como se isso representasse alguma coisa...

Estranhamente começo a perceber a razão de tantos estranhos processos nestes tribunais. Os funcionários ou empregados são todos muito, mas muito prestáveis... A não ser que sejam europeus, todos parecem ter faltado às formações comportamentais que por aqui damos aos "colaboradores" portugueses com base em modelos bem americanos mas que por aqui não são aplicados.

Por falar em Europa não nos vamos conseguir livrar do momento de glória do Euro 2004... Mas pelas piores razões. O grego que nos atendeu no nosso primeiro pequeno almoço e seguintes, na broadway, fez questão de nos relembrar a nossa derrota entre doses astrónomicas de gordura em ovos sobre salame com acompanhamento de panquecas com doce... Não, não é exagero. Qualquer coisa que eu possa dizer sobre a comida é sempre pouco em relação à quantidade de gordura...

Não é de estranhar o elevado número de adultos gordos mas tb de crianças. Mas honestamente parece não haver alternativa a este tipo de de comida... Se calhar é por isso que existem em todos os restaurantes instruções de o que fazer em caso de uma pessoa se engasgar ou ter um ataque de coração no restaurante.... Faz todo o sentido... Com a quantidade de comida e com a gordura que ela trás o mais certo é engasgarem-se e caírem para o lado com um ataque... No entanto os cartazes tem o interessante pormenor de pedir que se pergunte à vítima se se está a engasgar... (are you choking, sir?) É capaz de se obter uma resposta interessante.

Alguma caminhada depois para desfazer algumas calorias e começa a nossa descida ao esgoto, perdão, ao metro que de tão sujo e maltratado mais parece um esgoto, mas que melhor sítio para nos começarmos a integrar na vida da cidade. Aqui encontramos americanos de vários sotaques, orientais de diversas origem, europeus que cá trabalham ou turistas como aqui os portugas, indianos ou paquistaneses e uma forte predominância de hispanícos de toda a américa latina.

Se existe um torre de babel moderna ela fica em new york.