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sexta-feira, janeiro 30, 2009

Maiores de 23, 30 ou 35 (Parte II)

Dito isto, importa perceber o óbvio, a razão pela qual os cursos que os maiores de 23 seguem, não serem os cursos com maior empregabilidade. Mas creio que a questão não pode ser colocada dessa forma se antes não pensarmos se os cursos que a generalidade dos estudantes opta por seguir são, ou não, os de maior empregabilidade. Senão qual é o sentido de se achar por bem comparar os resultados dos maiores de 23 com os dos restantes estudantes, mas achar que sobre estes recaía a responsabilidade especial de escolherem cursos de fortes níveis de empregabilidade? Não faz sentido, pois não? Alguém já se lembrou de perguntar aos alunos saídos do secundário porque vão para Antropologia e não para Engenharia aeronaútica? Então porque razão colocar essa questão aos maiores de 23?
Claro que os cursos escolhidos não são os de maior empregabilidade, e em muitos casos nem sequer são os cursos que em outros contextos as mesmas pessoas acabariam por escolher. Mas são em muitos casos os cursos possíveis, limitadas que estão as áreas devido ao percurso que se teve no secundário, mas também aqueles que por conveniência de proximidade ao trabalho, disponibilidade horária pós laboral ou outra qualquer razão, as pessoas acabaram por escolher, tenham ou não muita empregabilidade. Afinal o que parece importar é o canudo e não bem o que se faz com ele.
Mas não haja ilusões, estas universidades que aparentemente viveriam à custa dos maiores de 23, não estão objectivamente preparadas para os receber, nem tão pouco as empresas estão disponíveis a assegurar o que legalmente lhes compete do estatuto de trabalhador estudante.
O pedido de estatuto é sempre boa razão para torcer o nariz. Inexplicavelmente este é um efeito que se produz nas chefias e nos colegas, mas isso são contas de outro rosário…
As universidades estão organizadas em torno de estudantes que é suposto irem às aulas todos os dias, no eterno conflito entre avaliação contínua (bom) e avaliação final (mau). Os professores continuam a ficar muito maçados com essa coisas de as pessoas só terem disponibilidade para aparecer no exame final, mesmo que tenham dispensado muito do seu tempo para estudo individual em casa.
Bolonha apenas veio dar uma mãozinha a esta dificuldade. A existência, mais ou menos permanente, de trabalhos, todos eles de grupo, é incompatível com um emprego e a flexibilidade / tolerância dos professores para encontrar soluções alternativas deixa um pouco a desejar. Especial perplexidade quando o esforço da avaliação contínua não parece justificar em termos de resultados, quando comparados com os de avaliação final.
Mas nem todas as responsabilidades podem ser das universidades, dos percursos de vida das empresas ou simplesmente do sistema, esse é responsável noutras problemáticas…
Há também responsabilidades dos próprios estudantes maiores de 23. A ideia que isto agora são só facilidades também está presente dentro das cabeças dos que pretendem voltar a estudar e completar ou iniciar um curso superior. As pessoas têm alguma dificuldade em adaptar-se a diferentes ritmos, principalmente de estudo, que entretanto perderam. Mas também têm dificuldade em entender qual o melhor momento para voltar a estudar. Não se preparam pessoalmente, não preparam as suas empresas ou chefias, não preparam as famílias, não preparam os seus orçamentos e não estão dispostas a fazer grandes sacrifícios nas suas vidas pessoais e a mudar rotinas. E isso reflecte-se no desaparecimento após as primeiras semanas de aulas e naturalmente em muitos maus resultados.
Ainda assim não posso considerar uma má iniciativa o regresso à escola através deste processo dos maiores de 23. Faz sentido que a formação ao longo da vida continue a ocorrer, para mais não seja porque a formação pode nem sempre estar relacionada com a empregabilidade, mas apenas com o cumprimento de metas e objectivos pessoais.
Utilizando uma expressão conhecida, deixem as pessoas trabalhar em paz... Os maiores de 23, 30 ou 35 são pessoas normais com objectivos normais como todos os outros, independentemente da opinião fervorosa dos adeptos dos comentários venenosos do costume e independentemente dos resultados do estudo aqui apontado. Que este sirva para apontar caminhos e soluções para um maior sucesso e não apenas para constatar que é dificil voltar à escola.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Maiores de 23, 30 ou 35 (Parte I)

Nos últimos anos têm-se ouvido e lido os mais variados disparates sobre o regime de acesso ao ensino superior para maiores de 23 anos.
Os argumentos têm servido para tudo. Desde criticar este governo porque existe acesso, criticar este governo porque não existe mais acesso, criticar os malandros que não estudam, criticar os malandros que não estudam mas passam de ano. Criticar os malandros porque não estudam e não passam de ano apesar das facilidades que este governo lhes dá. Uns porque não têm a instrução primária, outros porque ocupam o lugar dos pobres esforçados estudantes que a custo conseguiram concluir o secundário, contra todas as adversidades do estatuto do aluno.
Já se leu em parangonas de uns jornais que o ensino superior apenas vive à conta dos maiores de 23 e há algumas semanas (não tinha tido ainda tempo para escrever sobre isto) surgiu esta notícia sobre os desanimadores resultados dos maiores de 23, além de se ter concluído que estes não estão nos cursos que garantem mais e melhores empregos.
Não vou, como se imagina, abordar as injustiças, absurdos e cavalidades dos comentários a este artigo até porque a minha vida mudou, para melhor, no dia em que deixei de ler os comentários que os jornais gentilmente disponibilizam nas suas páginas, uma vez que tudo é possível ser resumido à expressão: “Eu farto-me de trabalhar, aliás sou mesmo a única pessoa que trabalha neste país e o resto é uma cambada de malandros e chupistas que vivem à conta dos meus impostos e tu (quem quer que sejas) és de certeza um palhaço...”
Importa portanto separar as águas e desmistificar algumas ideias.
Em primeiro lugar que as pessoas que se candidatam ao ensino superior por esta via simplesmente o fazem por não terem tido sucesso por qualquer outra via ou até nem terem tido sucesso noutros níveis de ensino. Esta afirmação é falsa e uma análise cuidada dos níveis de ensino das pessoas que se candidatam revelaria uma surpresa para alguns. Claro que tecnicamente nada impede os detentores do primeiro nível do ensino básico de se candidatarem, mas muitos, senão a maioria dos candidatos, concluiu com sucesso o nível secundário e alguns possuirão mesmo frequência universitária mas por razões pessoais várias afastaram-se dos estudos. Outros têm níveis de escolaridade pelo 10º, 11º ou 12º anos, muitos apenas com falta de algumas cadeiras. O número de candidatos com baixos níveis de escolaridade apesar do que se pretende fazer crer, é residual e quase inexpressivo.
A ideia de os candidatos serem gente iletrada, até algo burrinha leva a outra ideia corrente que é igualmente falsa, a de que para entrar é só facilidades. O fim do Ad Hoc como o fim de uma generalidade de coisas neste país, geram sempre uma legião de saudosistas do pior, que passam a vida a dizer que no antigamente é que eram exigentes e agora é tudo uma bandalheira facilitista. Ora o Ad Hoc foi substituído no que aos maiores de 23 diz respeito por provas com base em bibliografia própria de cadeiras de iniciação ou consideradas basilares ao curso. O que é que isto quer dizer? Quer dizer que se porventura alguém dos tais da instrução primária pretender candidatar-se a engenharia aeronáutica porque acalenta desde criança o sonho de fazer aviões porque era muito jeitoso a fazê-los em papel, há uma elevadíssima probabilidade de não conseguir entrar se porventura não concluir com sucesso a prova de matemática que o IST lhe apresentar…
Logo se podemos concluir que não são todos malandros e que tb não são só facilidades, então não há maneira de dizer que o Ensino Superior vive à conta dos maiores de 23.
Infelizmente não existem estatísticas, ou aparentemente eu não as consigo encontrar, ditas oficiais. Aliás a notícia do P que atrás refiro é um claro indicador dessa tendência. Ainda assim não é possível justificar que em três anos entraram 30.000 alunos pelos maiores de 23 até porque faltam nas contas do P um ano porque são quatro anos lectivos e não três, sem atribuir a este valor absoluto uma percentagem relativa ao total de alunos que no mesmo período entrou no concurso geral de acesso e que pelas minhas contas terá sido de aproximadamente 186.000 alunos (pegando apenas no número de vagas de 2004), ou seja, mais coisa, menos coisa 16,5% dos alunos são maiores de 23.
É um número considerável perante valores quase inexistentes em 2004, mas será possível, ainda que demos de barato que estes valores estão correctos, afirmar que as universidades vivem à conta dos maiores de 23?

quinta-feira, novembro 27, 2008

Só pode ser uma brincadeira

Realmente só o facto de esta gente dos sindicatos não ter mesmo de avaliar ninguém, porque não dá aulas, é que torna possível conceber que os professores se auto-avaliem numa "reflexão sobre as condições em que exerce o processo de ensino".
Quem tem reais responsabilidades de avaliar outros e para mais é sério sobre a intenção de ser avaliado ou sobre a utilidade da avaliação, não pode conceber uma coisa destas.
Fico honestamente baralhado. Então a avaliação dos professores passa a ser uma auto-avaliação dos professores, ou uma avaliação da escola e muito provavelmente do governo?
É que pensava que para isso já tinham inventado as eleições.


Sindicatos propõem auto-avaliação acompanhada por pedagógico.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Arrogante

Esta mulher é uma arrogante. Imagine-se que teve a arrogância de corrigir ou tornal condicional as mais relevantes questões que levantava o processo de avaliação dos professores.

Arrogante...

Um dia destes ainda tem a suprema arrogância de suspender o processo de avaliação.

Pior, teve a arrogância de reconhecer o papel dos professores na reforma em curso...

terça-feira, novembro 18, 2008

Greve


Não há condições para se continuar a estudar neste país, com piquetes de greve como este :)

sexta-feira, novembro 14, 2008

Paz social

Tem havido um claro desanuviamento da tensão nas escolas portuguesas, contribuindo para uma maior paz social. Os alunos deixaram de bater nos professores para passarem a bater na ministra e nos secretários de estado. Reina a paz na escola pública.


domingo, novembro 09, 2008

A coerência tem um valor político

Os professores nunca concordaram com qualquer medida, de qualquer ministro, de qualquer governo, de qualquer partido. E provavelmente vão continuar a fazê-lo, logo são coerentes.