quinta-feira, abril 12, 2007

Viagens na minha terra...

... ou uma dedicatória especial a um Suburbano, desejando que tenha já recuperado o ânimo, depois do programa do António Barreto desta semana.
















"Deixo na marcha a marca doce
Dum passo alegre por voltar
Na outra margem, sou feliz
Invoco a Terra, campo em flor
Um mau olhado por Lisboa
Rio da sorte e maus caminhos
Linha entre a dúvida e o desejo
Pão tão difícil
Incerteza, d´amanhã

Vou no vapor da madrugada
A minha estrada vai prò Sul
Dá-me um abraço d´encantar
Volto para o fundo dum olhar
Meiga paixão ao Sol do Estilo
Rubra papoila fugidia
Encontro certo no trigal
Nada me prende, vou-me embora
Vou prò Sul..."

Vitorino - Sul


(imagens via http://cantoalentejano.com e http://pracadarepublica.weblog.com.pt/)

E dura, e dura, e dura...

quarta-feira, abril 11, 2007

Figuras tristes...

...as de Marques Mendes esta noite...
"Não vou concretizar nada..." mas que grande surpresa.
Diz Marques Mendes que “quem utiliza títulos que não possui, não pode continuar...”
Perguntaria eu, se Marques Mendes considera que o primeiro-ministro se deve demitir?
Nunca responderá a esta questão até porque o próprio admite não concretizar.
A palha veio substituir o silêncio dos últimos dias.

Dúvidas há?

Parece que sim.
Esclarecido o assunto que proibiu esta entrevista de entrar noutros campos mais interessantes, Luís Delgado dá já o mote da próxima investida na SIC.
Segundo o isento jornalista, Sócrates é responsável por ter estado ocupado a estudar o seu passado em vez de governar.
Crime de lesa-majestade de que o Primeiro-ministro é o único responsável...

Uma no cravo...

Ou se promulga ou se veta. Não está previsto juridicamente o meio termo que Cavaco parece querer instituir.
Mas já estamos a ficar habituados. Cavaco do alto da sua sapiência não consegue decidir-se sobre se gosta de carne ou de peixe. Prefere ficar no limbo dos que gostam apenas de legumes, evitando hostilizar os omnívoros, tudo para no final acabar por dizer que sempre teve razão, seja ela qual for. Assim eu também nunca me engano e raramente tenho dúvidas.
Fazer acompanhar de uma mensagem à Assembleia da República, que em muitos aspectos contraria uma lei que acaba de promulgar, só poderia vir de Cavaco.
Não só vai contra o espírito da lei que os legisladores interpretaram dos resultados do referendo, como é moralmente inaceitável dar como a opção às mulheres, a adopção, cujo sistema perpetua o sofrimento de crianças que ninguém quer, porque não correspondem aos padrões da sociedade limpinha que o Presidente sempre preconizou.
A possibilidade/obrigatoriedade de serem mostradas ecografias às mulheres é para mim moralmente inqualificável e constitui uma chantagem emocional que condiciona a opção livre da mulher, e é totalmente contrária aos resultados do referendo.

Pare, escute e olhe...


Nem de propósito. Horas depois de uma conversa sobre o desinteresse português sobre o que se passa cá no burgo, eis que António Barreto explica. O episódio de ontem do Portugal Social foi de tal forma deprimente que justifica, por si só, todos os que, à mesma hora, optaram por fazer outra coisa qualquer.

Depois de episódios em que observámos as mudanças que a sociedade portuguesa viveu, fomos controntados com o que parece na mesma ou ainda pior. Foi difícil de ver este episódio, tal como é “difícil viver nas cidades portuguesas”. Pior que isso só o facto de não se antecipar uma inversão de tendências.

Presumo que as “Estefânias” deste país não tenham visto o programa, tal como aqueles que, como o casal do Algueirão, passam dois dias e meio em cada mês no percurso casa-trabalho, trabalho-casa.

A relação trabalho-tempo é, digo eu, algo cada vez mais preocupante. Para além das óbvias implicações nas vidas das pessoas, tem efeitos cada vez mais evidentes na qualidade da democracia. Ou alguém espera que as “Estefânias” tenham disposição para acompanhar os temas do momento ?

E que dizer da abordagem que Saldanha Sanches fez da “capacidade” dos autarcas acelerarem processos que a burocracia prolonga no tempo ? Assustador e sintomático da sociedade em que vivemos. Salve-se quem puder…

O mínimo que se pode dizer é que estes factores contribuem, directa ou indirectamente, para o aumento do individualismo de cada um de nós. E é por via disso que me lembrei das palavras de Brecht que, salvo qualquer variante de tradução, aqui ficam:

"Primeiro eles vieram atrás dos comunistas
E eu não protestei, porque não era comunista
Depois, eles vieram pelos socialistas
e eu não disse nada, porque não era socialista
Mais tarde, eles vieram atrás dos líderes sindicais
E eu calei, porque não era líder sindical
Então foi a vez dos judeus

E eu permaneci em silêncio porque não era judeu
Finalmente, vieram me buscar
E já não havia ninguém para protestar."

terça-feira, abril 10, 2007

Pontapé na Liga (de Honra)

Andam escondidos, é uma realidade. Mas a vida de um gajo não começa e certamente não termina no Suburbano.

Por isso o nosso pouremuz, que me furto aqui a identificar, resolveu associar ao seu perfil, uma parte escondida, da sua vida passada que se espera agora queira continuar a dinamizar.

É aquela parte de ser um maluquinho da bola, tipo Gabriel Alves, no fundo um homem da estatística.

A partir de hoje em http://ligadehonra-jorgebarata.blogspot.com/ está disponivel a base de dados da Liga de Honra duramente compilada e segundo ouvi outras novidades para breve... (é só para pressionar)

Muh!!


segunda-feira, abril 09, 2007

Publique-se

Alerta a todos os amigos, ocasionais visitas e futuros comensais nos jantares que eu prometo sempre organizar… apreciadores de chá, cappuccino, cookies com mais ou menos chocolate, greens e futebol de primeira selecção, e dois dedos de conversa.
A partir deste momento deixo oficialmente de ter uma rua. O cerco aperta-se e se a chuva insistir em cair vejo-me na contingência de não sair mais de casa e por arrasto toda a gente impedida de entrar. É a vida do Suburbano.

domingo, abril 08, 2007

Dança de cadeiras

A política é uma coisa interessantíssima. Quando Bush criticava França por representar a velha Europa estava longe de saber que os democratas lhe iam fazer a vida negra. E em França ainda não havia o fenómeno Sarkoshow.
Agora que Bush está quase a sair e a América (espero eu) a mudar de caminho, o “bushismo” naquilo que de mais neo-con ele tem, começa a surgir em França pela mão de Sarkozy.

Ressurreição televisiva

Temos de agradecer ao Mel Gibson por nos ter proporcionado a nova referência televisiva pascal para os próximos 50 anos.
Hollywood já nos tinha dado o Quo Vadis e o Ben-Hur, agora trouxe-nos a Paixão de Cristo e a RTP este ano resolveu dá-los todos.
Obrigado.

A responsabilidade

Já lá vai uma semana, mas ainda actual. Quando um país precisa, após uma semana relativamente complicada, que um comentador de direita, auto proclamado nacionalista, explique porque razão o PNR é um poço sem fundo de gente incoerente, isso significa que a esquerda que pelas ultimas legislativas representa quase dois terços dos portugueses, está a trabalhar mal
Salazar está morto. E muito bem morto. Houvesse mais cadeiras providenciais por esse mundo fora e talvez muitos dos conflitos que hoje vivemos não nos assustassem tanto.
Mas o PNR, ainda que se arrogue na defesa do legado de Salazar, que um programa de televisão confirmou estar bem vivo, não é exactamente como o ditador ou como o estado novo.
Muitas vezes existe a tendência desculpabilizante de afirmar que o regime salazarista não foi tão violento como o fascismo italiano, alemão ou espanhol. Que não se revestiu do mesmo estilo de propaganda e culto da personalidade dos outros, e talvez seja verdade para todos aqueles que não estiveram em Caxias ou em Peniche ou na frigideira do Tarrafal.
O PNR e seus lacaios não são propriamente o mesmo que Salazar. São piores, porque estão vivos. Ninguém imagina ver Jaime Nogueira Pinto e outros que tal ligados a esta gente.
Esta gente pretende sob a capa de um provincianismo rural salazarista com o qual tanta gente se identifica, fazer passar a ideia que são iguais, quando na realidade com falinhas mansas vão revelando a sua verdadeira essência, a sua matriz.
Aquilo que os orienta é o racismo, a xenofobia, a homofobia e o ódio generalizado a tudo o que é diferente e a tudo o que a liberdade acarreta.
O caminho não é deixar esta ameaça passar incólume, como se se tratasse de uma trivialidade infantil de crianças imberbes, mas enfrentá-la politicamente. Explicar as suas incoerências, explicar como os portugueses não são como eles pensam e trabalhar para que a crise que afecta a sociedade portuguesa não continue a dar-lhe argumentos.
E é aí que a esquerda e principalmente o PS têm grande responsabilidade.

É a vida...

Este blog está quase a atingir dois anos e meio. Mas entretanto uma coisa ficou clara para mim. Dificilmente atingirá os três anos e de certeza não os irá ultrapassar.

quinta-feira, abril 05, 2007

Vale o que vale

Sócrates vai falar sobre a sua biografia. Vai ser um interessante momento televisivo quando na próxima semana o primeiro-ministro, o primeiro primeiro-ministro da democracia a ter de explicar qual o seu percurso académico, falar ao país, mas é urgente que o faça.
Sócrates terá concluído a primária, o unificado e o secundário. Terá concluído um bacharelato, terá concluído uma especialização e tirado um MBA no aclamado ISCTE, mas restam dúvidas sobre 5 cadeiras que lhe permitiam concluir a licenciatura.
Não podemos dissociar este interesse quase mórbido sobre a licenciatura do homem, do caos que está instalado na Universidade Independente e da habitual chicana política quando não existe nada de concreto para se discutir.
Ainda assim, Sócrates tem mesmo de falar. Não pode evitar, porque neste país nada pode deixar de ser explicado sob pena de às pessoas ficar irremediavelmente, e para o resto da vida, agarrado um estigma qualquer, que condiciona e insulta.
Faz bem em separar a questão da Independente do seu próprio curso superior para não alimentar a confusão, mas não nos enganemos sobre o que viermos a ouvir. Sócrates não tinha de ter um curso superior. Até podia ser operário e ainda assim ser primeiro-ministro. A questão não é saber se Sócrates foi um bom aluno, mas saber se Sócrates tem ou não uma licenciatura que aparentemente faz parte da sua biografia oficial e o assunto deve morrer no dia em que se confirmar que de facto ela existe.
Extrapolações políticas sobre os valores atingidos, juízos de valor sobre a qualidade das licenciaturas da Independente, a assiduidade, o carácter ou empenho do aluno, não fazem qualquer sentido após esse momento.
Sócrates não é especial e terá sido um aluno como os outros, que tiram uma licenciatura como podem, fazendo os possíveis para chegar ao 10, e isso não os torna nem melhores, nem piores pessoas e muito menos maus profissionais.
Uma licenciatura vale o que vale, e muitas vezes vale muito pouco.

terça-feira, abril 03, 2007

Re: Mudar a administração pública

Como se nota o tempo não abunda e este blog começa a cheirar a bafio, só tem dado para acompanhar a troca de impressões entre o no_campo e o nosso estimado visitante h.horta neste post. Fica aqui a minha achega ao assunto, em forma de post porque não dá tempo para mais :)
Acho que estamos aqui a confundir as partes com o todo. Claro que existem diferenças em muitos casos totalmente injustificadas entre funcionários públicos e trabalhadores privados. Claro que existem climas de ansiedade e receio em sectores da administração pública, tal como existem no sector privado. A agitação é normal, e existiria mesmo que a forma adoptada fosse outra. Isso não invalida a virtude da reforma, mas penaliza fortemente a forma como esta deveria ser explicada aos que se pretende reestruturar. Até porque é básico que as pessoas entendam o que se passa, porque não são estúpidas e é básico que a reforma se deve fazer com as pessoas e não contra elas.
Também existem privados com muito mais garantias que os funcionários públicos e destes últimos, existem muitos que não estão minimamente receosos com esta reforma, nem se revêem nas suas estruturas sindicais e por isso não aparecem nos noticiários. O Estado deve falar com quem? Com os sindicatos, legítimos representantes dos trabalhadores, ou deve tentar falar com os restantes seja qual for a sua dimensão? Bem, cairia o Carmo e a trindade se o governo começasse a falar na maioria silenciosa de funcionários públicos que está a favor de uma reforma. Seriam imediatamente acusados do mais refinado fascismo pelas estruturas sindicais, mas na realidade ela pode existir.
Portanto têm de falar com sindicatos e estes se efectivamente pretendem ajudar e participar no processo e se acham que o governo é arrogante, mal criado, se o primeiro ministro é autoritário, se não respeita ninguém, convém não serem iguais e insistirem em sair das salas a cada virgula que se discute. Baterem com a porta e irem a correr para os jornalistas que estão à espera. Porque se o fizerem onde está a suposta legitimidade moral que a soberba de alguns sindicalistas insiste em ter sobre quase toda gente?
O que não pode acontecer é aplicarem-se leis diferentes a portugueses que trabalham por conta de outrém, seja qual for o patrão. Esta reforma é inevitável e urgente. Não há nada a fazer, tem mesmo de ser feita. Tal como o défice tem de descer para 3% porque o rectângulo não tem alternativa ao Euro.
Eu não quero mais, e julgo que muitos portugueses funcionários públicos também não querem, que os meus impostos sirvam para alimentar o desperdício (atenção: isto não quer dizer que o desperdício sejam os funcionários públicos), mas fico contente se eles forem correctamente utilizados nas funções que o Estado pretende manter (que até ver são todas as que o Estado tinha antes de 2005).
O que para mim é estranho, do ponto de vista da credibilidade destes plenários e outros que tal, (não quero errar, mas) é nunca ter ouvido um único sindicato, com qualquer governo de qualquer cor, em qualquer legislatura ter concordado com uma única alteração na administração pública. Nada, absolutamente nada.
Eu considero importantes os sindicatos, não considero importante o pensamento linear ou a manipulação. Mas foram feitos milhares de plenários, milhares de manifestações, milhões de dias de trabalho perdido com centenas de greves, gerais ou sectoriais na administração pública, com o único objectivo de deixar tudo na mesma, o que na maioria dos casos conseguiram.
Era o que mais faltava que nos deixássemos arrastar para a dicotomia maniqueísta que todos os governos tivessem como ódio de estimação os funcionários públicos, na mesma medida em que todos os governos são o ódio de estimação de todos os sindicatos. Isto não são condições de trabalho para ninguém.
Eu, em consciência, não consigo depreender das presenças nestes eventos (há excepção das greves onde todas as questões de principio se diluem...) que todos os funcionários públicos vejam as reformas como uma ameaça. A ausência nestes plenários pode não ser apenas por receio, mas por total falta de credibilidade dos sindicatos que representam a administração pública.

domingo, abril 01, 2007

Festa Eventual



Não é uma mentira, é a mais pura das verdades. O Dolo Eventual faz mesmo 2 anos apesar do Pedro estar em negação. Se o dia continuar a ser das mentiras, ainda vai dizer que o Dolo não é um blog.

sexta-feira, março 30, 2007

Mudar a administração pública

A implementação do PRACE tem causado alguma agitação nos diversos serviços públicos. Independentemente das leituras que se queiram fazer dessa agitação, ou do sentido que se lhe quiser atribuir, ela parece-me de algum modo natural. O início da publicação das novas orgânicas dos serviços veio agora relançar o bulício.
Segundo notícias da rádio, o plenário de trabalhadores que se realizou esta manhã num organismo público, a propósito das mudanças, teve pouca participação, alegadamente por estar criado um ambiente de medo generalizado. A ser assim, está de parabéns o governo, e o primeiro-ministro em particular, pois, a meu ver, está cumprido um dos desígnios do PRACE. Não era o que queriam? Agora trabalhadores do sector público e privado estão em iguais condições nos seus locais de trabalho...

quinta-feira, março 29, 2007

Este blog é amigo da China

Ou melhor, a China aparentemente não nos bloqueia. Vá lá alguém perceber porquê... Não podem dizer que sejamos propriamente amigalhaços do regime chinês. Queremos ser bloqueados JÁ. Queremos ser uma ameaça à estabilidade do Império do Meio.

quarta-feira, março 28, 2007

Não passará!

O novo Alentejo


Adivinha

Qual é coisa qual é ela? Que mais dia, menos dia vai engrossar as fileiras do PSD?

Apenas (mais) um sinal

Diz que foi uma espécie de concurso televisivo. Ainda bem que foi apenas isso. Via sondagens, o maior António não obteve mais do que 6% das intenções de voto. Se os 41% também estivessem presentes nos resultados das várias sondagens de opinião, seria um sinal de alerta. Assim sendo, a leitura de que se tratou de uma mobilização de extremistas e/ou de desgostosos do sistema parlamentar, parece-me aceitável e, principalmente, suficiente.

O que me parece muito insuficiente é ver alguns elementos do sistema a esbracejar contra o suposto significado de tal votação. Num País marcado por alguns provérbios trágicos, o “Casa arrombada, tranca na porta” voltou a fazer valer os seus (de)méritos.

Parecem não entender que isto foi (no máximo) apenas mais um sinal de que a “democracia” não é o fim da história. Le Pen não foi à segunda volta com Chirac ? Não está a extrema-direita disseminada um pouco por essa Europa democrática fora ? Não será hora de abrir os olhos para estas questões ?

A população portuguesa já inclui 6% de estrangeiros. O conceito de “estrangeiro” ainda perdurará durante umas boas décadas. Como as condições económicas andam de mãos dadas com a ignorância, o populismo da direita mais radical tem um terreno excelente para prosperar.

Oxalá o “centrão” se aperceba disto a tempo. E quando isso acontecer, poder-se-á dizer que combatida a extrema-direita, é hora de questionar para onde vai a “democracia” ? Oxalá ainda cá estejamos todos para participar nos “Estados Gerais da Democracia Mundial”!

Para que isso seja possível, acredito que programas como o que, pela mão de António Barreto, a RTP estreou ontem, dão um contributo muito relevante. Porque não há nada mais perigoso do que a ignorância, convém que nos conheçamos para que possamos avaliar-nos e, quem sabe, modificar o que gostarmos menos. Desta forma, da próxima vez que acontecer algo semelhante ao que aconteceu com o António, não seremos apanhados de surpresa ou sujeitos a leituras exacerbadas. Saberemos porque é que assim é. E isso é o código postal para dinâmicas de mudança, sejam elas quais forem.

Merci a tout les jeunes...

O favor que se faz a Sarkozy quando se pretende chamá-lo hipócrita, não pode ser melhor quando se opta por pedir esclarecimentos sobre o comportamento de uns revisores, acompanhado de umas centenas de amigos, não vá não se entender alguma coisa que eles digam.
Dai, a partir, com ajuda das centenas de amigos, as vitrinas das lojas e bilheteiras de um das mais emblemáticas estações de Paris, é um saltinho.
Sempre em crescendo, nada melhor que manifestar a verdadeira amizade e aguardar pelas televisões e pela polícia e atirar-se a eles para lhes morder nas canelas, frente às câmaras de todos os canais.
Sarkozy tem muito a agradecer a esta querida e amistosa juventude.

terça-feira, março 27, 2007

Serviço Público

É para isto que serve a televisão pública e é delicioso assistir a este regresso de António Barreto à televisão, a fazer aquilo que sabe melhor. Olhar para nós objectivamente e de forma desapaixonada, apontar-nos o que temos de melhor e pior.
Um retrato de um povo na voz daquelas pessoas, mas no qual cada um de nós se consegue rever em vários aspectos.
Coragem de dizer que não ficámos parados, que evoluímos e mudámos, mas que não somos perfeitos nem melhores que ninguém, somos todos iguais no trabalho que ainda temos pela frente.
A meu ver um excelente programa, num panorama televisivo deprimente.

Como vive ainda Salazar

Não vale a pena vir agora reiterar que se tratava apenas de um concurso, um passatempo televisivo. Foi dito desde o início e repeti-lo pode fazer crer que se tenta fugir de algo. Do programa só já há a registar o lamento de que os fins tenham sido mais os do espectáculo de entretenimento fácil, em busca das audiências, do que os da informação e formação, que se supõe também deverem pautar os objectivos do serviço público.
E talvez sem grande surpresa, lá foi finalmente escolhido Salazar como “o grande português”. Para além dos condicionalismos próprios do carácter de concurso, é talvez legítimo esboçar algumas leituras do resultado final.
Ainda que só por brincadeira, esta escolha não deixaria de ser macabra. Mas um certo sentimento do tempo que vivemos talvez nos alerte que não é mera brincadeira este reavivar de velhos fantasmas.
A leitura mais imediata dos comentadores do concurso apontava o resultado como um “voto de protesto”. Contra um certo insucesso do nosso modelo democrático, os participantes do concurso teriam elegido o antigo ditador, seu oposto mais evidente. Não estaríamos assim perante um recrudescimento do fascismo e de valores antidemocráticos, tratar-se-á apenas de mais uma manifestação de desagrado perante o estado actual do país. Mas esta tentativa de explicação não nos tranquiliza.
Se é só de “protesto” esta nova afeição por Salazar, não é também salazarenta a atitude que ela pode revelar? Uma certa desaprovação generalizada dos políticos e da política, que se vai tornando demasiado comum, sem preocupações de fundamentação, reflexão e participação cívica real? Uma certa tendência para rejeitar a política (que, no fundo, é assunção de uma atitude política...), para a abstenção e desistência, não é herdeira do salazarismo, da procura do ditador em manter o povo afastado e na ignorância?
Passados os anos e tanta coisa mudada, alguns traços fundos teimam em não desaparecer. Podem abundar por aí velhos e novos fascistas, “pequenos e miseráveis”, como bem diz no texto anterior o meu bom amigo Raposo. Começarão a tornar-se mais visíveis, despudorados. E contra isso é preciso mobilizarmo-nos. Mas é na ignorância cívica, herdada ou voluntariamente mantida, que vejo o fulcro do problema. Essa atitude triste e pequena, que cala ou fala sem pensar, é conivente com todas as ditaduras, criando mesmo o ambiente mais propício à sua germinação.

Não contem comigo

Penso muitas vezes em fechar a loja e acabar por deixar estas escritas na blogoesfera. Também penso e reflicto muitas vezes se faz sentido ter a mania de ter opiniões vincadas sobre quase tudo, que é aquela boa maneira de convencer as pessoas que se tem uma personalidade forte. Penso se vale a pena esta pregação aos peixes, que é basicamente para consumo interno, e se valerá a pena a consciência politica ou social que ao longo da vida me tem arrastado o interesse para a associação de cidadãos ou para a política.
São inúmeras as questões, e alguns arrependimentos. Houve coisas que escrevi e que disse que talvez não as devesse ter escrito ou dito, mas só há uma razão para tal ter acontecido. Porque posso.
Posso independentemente do que digo e do que escrevo, dizer o que me apetece. Posso exercer esta minha pequena liberdade, que sempre tive como garantida, inalienável e intransmissível, porque quero. E garanto-vos que quero muito e quero cada vez mais.
Ontem foi um dia em que percebi isso. Percebi que não pertencia, não me revia, nem queria pertencer a um determinado tipo de país. Um país de gente mesquinha e pequena, que não compreende o alcance dessa coisa maravilhosa que é a liberdade, e a possibilidade de não termos tutores que nos toldem o pensamento. Que não nos prendam o pensamento em troca de uma tranquilidade securitária. Que não nos tirem essa extraordinária capacidade de pensarmos e seguirmos o nosso próprio caminho como quisermos.
O passatempo vale o que vale, mas o voto militante de milhares de portugueses em alguém que representa o que de pior temos em nós, não pode passar em claro porque se trata de um sintoma. Um sintoma que não está apenas naquele programa de televisão, mas antes se desenrola diariamente na Faculdade de Letras, na blogoesfera, na limpeza histórica na imprensa, nas agressões a todos os que são diferentes, no esquecimento das vítimas, tudo por um Portugal branco e limpo, onde alguns que agora se arrogam na sua defesa, se possam encher livremente à custa dos demais.
Reivindicam a grandeza e a glória de Portugal no passado, mas são pequenos e miseráveis. Portugal não se fez com homens tão pequenos e não poderá recuperar a sua auto-estima através da castração da liberdade duramente conquistada.
O hino que lhes enche a boca, também me enche a alma, mas onde eu vejo incentivo ao trabalho de todos, e à coragem de todos, outros vêem uma glória irrepetível, que não lhes pertence. Que apareçam todos, que venham lá debaixo das pedras onde vivem e digam claramente ao que vêm.
Comigo não vão poder contar. Comigo contarão, aqui, noutro qualquer blog, num livro ou numa iniciativa, numa associação ou num partido político, com uma intransigente defesa da liberdade de pensamento, independentemente do momento político ou económico do país.

domingo, março 25, 2007

E se...

E se de repente eu quisesse ficar na hora antiga? Uma hora de distância dos comuns mortais... Talvez ajudasse...

sexta-feira, março 23, 2007

Rugby

Assim de repente é futebol aquilo que se pretende jogar em Alvalade no próximo sábado, não é?
Quem diria. Tenho a ligeira impressão que se prepara um jogo de Rugby com resultados imprevisíveis...
Para já dá para ver que os responsáveis e/ou seguranças da selecção Belga comunicam exclusivamente em flamengo e pretendem trazer para Portugal métodos de um conhecido partido belga.
Na melhor tradição do Vlaams Belang alguns elementos da comitiva belga agrediram dois fotojornalistas portugueses na portela (deviam ser arraçados de alguma coisa pouco pura), que como se está a ver, é a melhor forma de negar a importância das declarações do guarda-redes desta selecção.
Algo do género – Já dissemos que ele não disse isso, e como não disse ainda levas na tromba se insistires em perguntar.
É infalível desde que se consiga sempre distribuir uns socos e uns pontapés porque isto de passar a vida a viajar e a dar entrevistas é muito stressante.

Um Secretário-geral...

... a atirar-se para debaixo de uma mesa, só pode representar o apaziguamento da situação no Iraque que o próprio e o primeiro-ministro tentavam demonstrar numa conferência de imprensa.



quinta-feira, março 22, 2007

Re: "Novas Oportunidades"

Uma nova oportunidade é sempre bom. Como o próprio nome indica e como o no_campo referiu aqui em baixo, este pode ser uma última oportunidade e daí justificar-se uma nova oportunidade de fazer aquilo que a burocracia e o encantamento com o sonho europeu não deixou fazer antes. Gosto da iniciativa e considero importante investir fortemente em formação. No entanto sou geneticamente desconfiado e receio que este projecto acabe por não ajudar a formar em novas competências e se limite a reconhecer com um nível escolar correspondente, uma determinada experiência de vida. Se a experiência de vida atribuir um tipo de equivalência que posteriormente sirva para a frequência de um plano de estudos adaptado à realidade profissional parece-me bem. Se porventura se considerar relevante apenas o reconhecimento de competências, acho mal.
Frequentar um determinado nível de ensino não tem apenas, ou não devia ter, como fim único a obtenção de uma profissão, mas também a possibilidade de se ganharem competências várias, não necessariamente úteis a uma profissão, mas úteis para que o ser humano se construa no seu contexto cultural e permita o seu desenvolvimento pessoal e interesses.
Se isso estiver contemplado nesta nova oportunidade, tanto melhor. Resta esperar para ver.

quarta-feira, março 21, 2007

"Novas Oportunidades"

No últimos dias tornou-se impossível não reparar na enorme campanha que o governo lançou para incentivo da formação e qualificação dos portugueses.
Nestas alturas vêm à baila os números terríveis do nosso atraso: 3,5 milhões de empregados sem o secundário completo, mais de dois terços sem o 9º ano sequer...
Sendo, certamente, o programa participado pela União Europeia, tememos ao lembrarmos o que se passou com a primeira grande onda de subsídios para a formação, desde finais da década de 80. Queremos crer que desta é que é, há-de ter-se aprendido algo com os erros do passado, há-de haver a lucidez para perceber a real importância deste desígnio agora (e sempre) renovado.
Rejeitas embarcar nalguma da crítica fácil ao governo, de que estaríamos perante mais uma grande encenação de propaganda, sem resultados concretos. O tempo o dirá. Para já, relegas a retórica de "ambição" do texto de apresentação do primeiro-ministro, que, paradoxalmente, aparece numa foto de braços cruzados...
Crês que este país ainda há-de crescer e desenvolver-se, que o aumento da formação e qualificação dos portugueses um dia será uma realidade. Nem que seja para aumentar o número desses activos qualificados mal remunerados, de que o ministro da economia se gabava há tempos...

Bem-vinda


terça-feira, março 20, 2007

Diálogo Pré-Formatado

- Boa Tarde, quanto custa uma água ?
- Pequena, média ou grande ?
- Pequena.
- Fresca ou natural ?
- Natural.
- 80 cêntimos.

O Pai Natal

Passados quatro anos sobre a invasão do Iraque, não serão muitos aqueles que defendem ter sido instaurado um regime democrático no antigo feudo de Saddam e companhia. Mas ainda há quem, apesar de reconhecer que a situação actual é caótica e longe de ser "democrática", ainda referem que o objectivo inicial passava por "instaurar a democracia" e espalhar a dita cuja naquela área do Globo. Foi isto que ouvi hoje, ao pequeno almoço, na SIC Notícias, da boca do "especialista" em Política Internacional, Luís Tomé. Tomé não faz jus ao nome. Parece dizer que o Pai Natal não apareceu no Iraque durante estes quatro anos, mas continuando a acreditar na sua existência. Ingenuidade ? Falta de coragem ? Bolas... Passavam poucos minutos das oito da matina. Se fosse no Jornal da Noite, a visibilidade seria bem maior. Mas foi assim mesmo. Lá está, ver para crer...

segunda-feira, março 19, 2007

Falácia do dia

"Si vous le voulez, nous allons gagner la plus formidable bataille des idées..." Nikolas Sarkozy

Alguém me chama um táxi???

Era uma vez um partido. Cheio de gente bem composta, vestida com as melhores marcas e bem falantes. Apesar dos penteados estranhos que usam até à meia idade e o ar de quem acabou de chegar das férias na neve, os seus elementos sempre foram defensores dos mais altos valores morais, no mais estrito respeito pela família e pela ética moral católica.
Um dia, um dos limpinhos tenta ser o timoneiro que já tinha sido no passado e a roupa rasga-se, a moral vai pelo cano, o cabelo despenteia-se, as palavras deixam de ser polidas, o bronzeado não consegue disfarçar o vermelho de raiva que ostentam na face e a família, a verdadeira família portuguesa, tem direito a ver tudo pela televisão.

sexta-feira, março 16, 2007

Epá, poupem-me!!!

Fórum TSF. Discute-se a eutanásia.
E eis que o moderador dá extenso tempo de antena à senhora presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos... nada mais, nada menos do que a Dra. Isabel Galriça Neto! Não vos diz nada?! Não vos marcou a memória a sua argumentação e a voz estridente, nos célebres debates de há meses?!
Mas será que esta gente está metida em tudo?! E notoriamente para doutrinar, para enunciar dogmas, não propriamente para esclarecer e ajudar (será preciso lembrar quem, depois do referendo do aborto, lançou a primeira proposta de trabalho séria sobre a educação sexual, o planeamento familiar e a contracepção? E onde se meteram os que queriam "salvar vidas", entretanto?).
Longe de lhes negar espaço de participação, gostaria francamente de acreditar que o país já não está representado na permanente pregação destes senhores sobre tudo o que lhes toca lá à crença...

quinta-feira, março 15, 2007

A (outra) verdade inconveniente


Os livros de História dizem que os seres humanos começaram por lutar pela sobrevivência. As etapas da evolução social humana sucederam-se, permitindo que homens (quase sempre homens...) começassem a dedicar-se a outras actividades. Aquilo a que hoje chamamos “Arte”, “Filosofia”, “Desporto”, dificilmente existiria (nos moldes actuais) se o Homem continuasse a lutar (apenas) para sobreviver.

Economistas de diferentes escolas coincidem na alusão a um facto. Nunca como hoje, a Humanidade teve ao seu dispôr, meios suficientes para garantir o mínimo de subsistência a todos os habitantes do planeta. Nunca como hoje, dizem os dados sócio-económicos, a riqueza esteve tão mal distribuída.

A verdade inconveniente de que um ex-vice-presidente da maior potência mundial fala, por mais urgente que seja, parece-me acessória, dada a gravidade da pobreza extrema que se vive na maior parte dos Países do Mundo.

Que me desculpem os ecologistas mais convictos, mas a verdade inconveniente não é essa ou, pelo menos, não é apenas essa.

A verdade inconveniente é que ninguém de boa fé acredita que caminhamos numa direcção que corrija as assimetrias gritantes. Ninguém acredita que por mais ONG’s que auxiliem populações carenciadas, por mais concertos que Bono ou outros organizem, esta “verdade” se altere.

Porque mudar esta “verdade” implica mudar a forma como a economia está estruturada. Porque implicaria vontade política para o fazer, perda de privilégios económico-financeiros, perda de Poder.

Não possuo a varinha mágica para resolver este problema. Ainda assim, e tendo em conta o último relatório da ONU sobre a distribuição de riqueza no mundo, há alguns aspectos que me parecem determinantes.

Os 2% mais ricos possuem mais de metade da riqueza mundial. No extremo oposto, a metade mais pobre divide pouco mais de 1%! Quase dois terços do grupo de 1% mais rico reside nos EUA ou no Japão.

A mudança passa por “nós”. Nós que não estamos em nenhum dos extremos, nós que até temos direitos democráticos consagrados que nos permitem, por exemplo, escrever este tipo de coisas. E isso é mesmo o mínimo que podemos e, digo eu, devemos fazer.

Caso contrário, arriscamo-nos a que a verdade inconveniente de Al Gore seja levada a sério em detrimento da que refiro aqui. E, nesse caso, seria algo como restaurar um velho teatro enquanto que a esmagadora maioria dos actores da Companhia morrem à fome...

As duas verdades estão relacionadas. O teatro sem alguém para actuar no seu palco ou actores sem teatro onde representar, resulta basicamente no mesmo. Mas, mais relevante ainda, têm causas idênticas. E estas são conhecidas de todos. As diferenças residem no que se pode ou não fazer para transformar este quadro.

Judicialês

Ainda sobre a raptora de bebés cujo marido não tocou durante nove meses…
Depois de já se terem passado vários meses desde que a mulher se tinha posto a milhas com a criança, a judiciária mostrou (a muito custo) um vídeo do sistema interno do hospital em que aparecia uma mulher, quase tapada e com um saco grande, que seria a suspeita ou presumível autora do rapto.
Na altura a descrição divulgada pelos meios de comunicação social e repetida agora, vinha numa língua estranha. O judicialês. Uma língua apenas acessível a alguns portugueses e que naturalmente não facilitou a identificação.
Segundo o comunicado a mulher tinha “compleição física e rosto fortes”, ou seja, era gorda e feia como os cornos. Mas a habitual forma formal, obscura e burocrática como o Estado gosta de se fazer expressar, resulta nestas coisas de compleição física e rosto forte.
A sorte é que as cunhadas são umas chibas, senão ainda ninguém sabia o paradeiro da miúda.

Vida difícil

Não é fácil ser o Marques Mendes. Começo a nutrir pelo homem aquele tipo de simpatia coitadinha que os portugueses dedicam à maioria das pessoas que vêm atrapalhadas com alguma coisa.
Ninguém lhe facilita a vida. O outro que pensávamos nós estaria a fazer a tradicional, e a meu ver fundamental, travessia no deserto, quer agora fundar o PSL com PND do MM. Vale o que vale, mas já garante tempo de antena e prepara-se para lançar mais fracturantes questões a referendo como a abertura de uma Kapital em cada capital de distrito, ou a obrigatoriedade de todos os homens passarem a ter o cabelo oleoso.
O Cavaco já se sabe, não foi eleito pelo PSD e a Cavaca já revelou sempre ter sido uma mulher da esquerda libertária do Maio de 68. Por isso o Marques Mendes até pode ir fazer queixinhas a Belém sobre a OTA que o Cavaco já garantiu que não se vai meter nessa história. E agora a anterior candidata a candidata a primeira-ministra em substituição do Barroso, vem dizer que as ideias de Marques Mendes sobre a redução carga fiscal, são irresponsáveis.
Assim é difícil.

quarta-feira, março 14, 2007

Frase do dia

Não é por muito madrugar que amanhece mais cedo." Presidente do Sporting, ontem à noite.

Que é como quem diz que os dias não esticam e que não se fazem omeletes se não houver galinhas... é mais ou menos o estado actual das coisas por aqui.
As galinhas vão pondo ovos, mas como não há tempo para recolhê-los já devem estar a nascer os pintos, o que aumenta a confusão no galinheiro...

terça-feira, março 13, 2007

Alfinetadas

Já está por toda a blogosfera mas não resisto à alfinetada. Então e agora como é com a mãe afectiva? É legitimo perguntar se uma família com seis filhos tem mais condições para criar mais uma criança, do que alguém que aparentemente ficaria com apenas um? Será que a criança não vai precisar de apoio psicológico e será que vai ser necessário um período de adaptação aos pais biológicos mediado por uma dúzia de pedo-psiquiatras? Porque é que ainda ninguém está a subscrever um pedido de habeas corpus da raptora na defesa dos superiores interesses da criança? De que crime vai ser acusada a mãe afectiva da Joana? De que crime é acusado o pai afectivo da esmeralda? Cinco anos é diferente de um, mas e de dois, altura em que o pai biológico da esmeralda iniciou o pedido de paternidade? Boas questões para todo os que andaram pelas ruas a gritar, responderem.

segunda-feira, março 12, 2007

Conclusões

Ninguém lê o Público. O David já tinha andado a dizer que o grafismo do novo P era capaz de levantar um morto da campa, nem que seja para se pôr a milhas...
De facto as audiências cresceram, mas não sou uma estrela da blogoesfera. Já passaram cerca de três dias e ninguém me convidou para substituir o Portas no Estado da Arte.
Já perdi a esperança. A sorte é que pelo menos o Corta-Fitas é mais lido que o P, e com os dois destaques que o Pedro Correia lá deixou para o Suburbano, lá se tem alimentado o Sitemeter com a nossa pobreza franciscana… :)

domingo, março 11, 2007

Em memória

Monumento evocativo das vitimas do 11 de Março em Madrid

Ir a jogo

Paulo Portas cutucou a fera e o CDS ganhou um novo líder daqueles imaginávamos não ser possível.
Nada melhor para um espírito acossado da possibilidade de despedimento, para se agarrar com unhas e dentes ao lugar, que jura vender caro.
Portas não esperava esta resistência. Isto tem corrido tão mal a Ribeiro e Castro que Portas imaginou que na realidade lhe estava a fazer um favor.
Finalmente Ribeiro e Castro poderia descansar em paz e voltar para Bruxelas, pois tinha cumprindo o seu papel de arrastar o partido para um buraco.
Portas não imaginava é que o actual líder do CDS (quem em tempos já foi PP), se mostrasse relutante em sair perante o regresso do filho pródigo.
Mas teve azar. Ribeiro e Castro quer ficar, não parece o mesmo nas entrevistas na televisão, e pretende afastar o confronto das eleições directas, na vã esperança de conseguir ganhar o congresso com um rasgo de brilhantismo.
Portas vai ter de repensar novamente a estratégia, se porventura o conselho nacional (que em situações normais é dominado por apoiantes de quem ganha os congressos), optar por lhe negar as directas, mas agora vai mesmo de ter de ir a jogo.

Chegou a altura do ano dedicada ao foot fetish


sexta-feira, março 09, 2007

A historia higiénica

A comissão europeia tem de quando em vez um ataque de normalização, que permite fixar o diâmetro das laranjas que se vendem de Lisboa a Bucareste. Mas nem sempre repara nos custos que essas alterações implicam, nem nas especificidades de cada país.
Agora resolveram dar um passo maior que as pernas, normalizando a história da Europa, num único manual escolar, que ajude as pobres crianças europeias a sentir a verdadeira Europa.
O que me preocupa são os sentimentos de confusão dessas crianças perante a mais que previsível desvalorização do passado belicista da Europa.
Falaremos das guerras do passado como uma espécie de alter-ego? As crianças vão conseguir perceber que povos que insistem em dizer que são os melhores amigos, se andaram a matar no passado, sem que isso lance a maior das confusões nas cabeças dos pequenos estudantes?
É um processo de desenraizamento das histórias nacionais que deve ser combatido, porque os europeus precisam de saber que os seus antepassados lutaram uns contra os outros, que umas vezes ganharam outras perderam e que isso tem um determinado valor na consciência colectiva, que não pode ser higienizado.
Passar uma esponja pelo passado da Europa apenas pode transformar os erros anteriores, que são a génese da Europa que se pretende construir agora, numa leve referência politicamente correcta do passado.
É importante, e especialmente importante em alguns países da União onde diversos nacionalismos parecem querer renascer, que o passado seja a reprodução fiel da realidade para que todos possam aprender com os seus erros.

A prova

Ora aqui está. As novas tecnologias são uma coisa fantástica.

São 10:41 e o jornal já está "scannado" para fazer prova do destaque suburbano no Público.

O link (fixo) para o jornal segue dentro de momentos…

Agora mais a sério. Fico satisfeito com o destaque, até porque não é fácil no meio de tantos milhares de pessoas a escrever, num universo dominado por alguns tubarões, um blog como o Suburbano conseguir fazer valer qualquer tipo de ponto de vista.

Agora vamos trabalhar para ser primeira página :)

Obrigado

Última Hora

Hoje de manhã, o Público citou a posta aqui em baixo "Fazer as malas", sobre o encerramento da Embaixada Portuguesa no Iraque, na pag. 2 do P2 (esta organização é muito boa não é?)
Acho que é capaz de ficar bem eu fazer-lhes aqui um link, que não temos, por causa daquela coisa dos assinantes.
Não, eu não lhes paguei nada. Mais tarde deixo aqui a prova.
Agora vou dar aqui uns autógrafos no comboio. Assino e mostro-lhes o Público e o meu BI :)

quinta-feira, março 08, 2007

Dia Internacional da Mulher - 8 de Março

"Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um grilhão.

Que haja, antes, um mar ondulante
entre as praias de vossa alma.

Enchei a taça um do outro,
mas não bebais da mesma taça.

Dai do vosso pão um ao outro,
mas não comais do mesmo pedaço.

Cantai e dançai juntos,
e sede alegres,

mas deixai
cada um de vós estar sozinho.

Assim como as cordas da lira
são separadas e,
no entanto,
vibram na mesma harmonia.

Dai vosso coração,
mas não o confieis à guarda um do outro.

Pois somente a mão da Vida
pode conter vosso coração.

E vivei juntos,
mas não vos aconchegueis demasiadamente.

Pois as colunas do templo
erguem-se separadamente.

E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro. "


Gibran Kahlil Gibran


Fazer as malas

Só quem ainda acredita que o Iraque é uma oportunidade, em vez de um buraco, é que pode considerar um erro o encerramento da embaixada em Bagdad. Quem acredita já não é credível.
O país não deve gastar recursos desnecessários e colocar em risco de vida várias dezenas de funcionários do Estado, só para legitimar pela diplomacia, um estado de jure mas não de facto.
Além disso, a diplomacia iraquiana continua a fazer-se mais na Casa Branca que em Bagdad e pensar o contrário não passa de uma tonteria idealista, igual à da existência de um verdadeiro Governo Iraquiano.

quarta-feira, março 07, 2007

A emissão segue dentro de momentos...

Ironia do destino

Não consigo deixar de esboçar um sorriso sempre que alguma direita, ora mais liberal, ora mais conservadora, se preocupa com a concentração da tutela de serviços de informação e forças policiais no Primeiro-ministro.
Sinal da ironia dos tempos em que vivemos e de como se exige alguma coerência na vida política.
Prometo abordar este assunto mais á frente...

Povos irmãos...

("Cravo & Ferradura" de hoje, no DN )

Mais do mesmo

Mais uma oportunidade perdida de dar algum tipo de credibilidade aquele programa absurdo. Só agora pude ver o documentário dedicado a Álvaro Cunhal.
Não alinho pela ideia que Cunhal é o outro lado de Salazar, pela simples razão que este país viveu sob o fascismo e não sob o comunismo. Mas o pasquim ordinário e bajulador em que Odete Santos conseguiu transformar o documentário, está ao melhor nível de Jaime Nogueira Pinto. Mais do mesmo, o que apenas vem alimentar a ideia que um canal público tem responsabilidades maiores para com a história do país, as quais não está a corresponder.

terça-feira, março 06, 2007

Quem te vê?

Já alguma vez caíste na rua? Não é cair, é mais um daqueles espalhanços brutais. Daqueles em que se escorrega numa casca de banana, vai uma perna para cada lado e se correm riscos graves de esterilidade definitiva. Já? Então és candidato(a) a ser um sucesso no YouTube e uma estrela da Internet.
São os novos tempos. Tudo aquilo que fazemos na rua passou a ser alvo do maior escrutínio. Todos aqueles que pensavam que este tipo de acontecimento apenas podia acontecer às estrelas, estavam enganados. Com as tecnologias que permitiram nos últimos anos a fotografia digital e o vídeo em telefones móveis e a facilidade de os colocar na rede global através do YouTube (e de outros sites do género), passámos a ser igualmente vitimas das câmaras indiscretas que estão um pouco por todo lado, e mesmo que não percebamos, podemos ser involuntários artistas em histórias por vezes tristes.
Claro está, tudo o que é novo tem sempre as suas vantagens. A facilidade e a generalização do acesso a esta tecnologia tem sido útil no combate a várias formas de criminalidade, violência e vandalismo. Tem permitido identificar criminosos como já o faziam as câmaras fixas em lojas e locais públicos, mas também tem permitido a chacota, o fundamentalismo e a violação de privacidade.
Interessante perceber que o Big Brother, afinal não será o Estado que tanto temíamos viesse a intrometer-se nas nossas vidas, o ditador que ninguém vê mas que tudo observa. Afinal seremos todos nós.
Em democracia deve assumir-se cada vez com mais força a necessidade da reserva da vida privada e da intimidade como ultimo reduto da privacidade de todos, já que publicamente a nossa privacidade é constantemente posta em causa.
Empurrar as sociedades democráticas para a protecção dos direitos individuais perante a grande máquina tecnológica, é o grande desafio dos próximos anos, antecipado por cada vez mais oportunidades de intromissão na vida uns dos outros.
Afinal compete ao Estado que temíamos, legislar e fazer aplicar sem restrições, leis que nos protejam.
Uma sociedade cada vez mais tecnológica precisa de protecção perante a possibilidade, não assim tão distante, de um ataque generalizado a sistemas que coloquem em causa inúmeros aspectos da vida de um cidadão comum.
Impõe-se ao Estado que obrigue empresas da Internet, multinacionais ou locais a respeitar de igual forma o cidadão comum e a sua privacidade, tal como já tão zelosamente o faz, ou tenta fazer, em relação à protecção de direitos de autores dos grandes estúdios ou grandes gigantes do multimédia.
O cidadão comum não pode esperar que a flagrante violação da sua privacidade (atenção, fazer sexo em praias publicas é capaz de não ser uma boa ideia), aguarde uma decisão judicial, sem que se produzam efeitos suspensivos imediatos e respeitados pelos operadores tecnológicos.

O passado é um país demasiadamente próximo?

Um estudo divulgado há dias pelo ICS conclui que, em Portugal, o factor considerado mais representativo da identidade nacional é a história do país.
A uma primeira impressão não te surpreendes e podes mesmo reconhecer-te nessas conclusões. Afinal, a nossa história é cheia de feitos assinaláveis, alguns dos quais até inconcebíveis para um país da nossa dimensão. E mesmo para além disso, a história parece-te como que o cimento que dá consistência a todo o edifício que se vai consolidando. Nem de mais, nem de menos, reconheces a história do teu país e aceitas ver nela um factor estruturante da identidade nacional.
Mas se te disserem que, num universo vasto, Portugal é o terceiro dos países que mais valorizam a história como factor da identificação nacional, não se te pode revelar uma outra perspectiva?
Noutros horizontes outras ideias preenchem o sentimento de pertença a uma mesma comunidade nacional. O passado será então entre nós um país demasiadamente próximo, ao qual nos mantemos presos por atavismo, medo ou impotência de enfrentar o presente?
Evitas especulações, não queres pensar. Ainda assim, uma ideia anima-te o espírito: afinal, esta forma de identificação e pertença pode ser positiva, se fundada sobre a consciência histórica e o civismo.
Mas então está tudo estragado! Num desses fóruns em que a rádio dá diariamente voz ao povo, ouves algo talvez não representativo, mas decerto sintomático: numa intervenção única, uma senhora invoca Salazar, protestando contra a actual situação política, e termina recordando Zeca Afonso, para dizer que o poeta decerto não gostaria de ver como estamos, se vivesse ainda... Afinal, em que ficamos?! Assim não, caramba!

segunda-feira, março 05, 2007

A luta dos nossos dias

Hoje, pela enésima vez, recebi na caixa do correio um folheto de um ginásio exclusivamente feminino que abriu aqui no Cacém.
Apesar de imediatamente me ter ocorrido dezenas de gajas a correr pela rua abaixo para queimarem os seus soutiens, esqueci rapidamente o complexo “Girl Power”.
Não percebo que raio é isto dos ginásios femininos.
Então a função social dos ginásios não é precisamente o engate??? Vão tentar explicar-me que as pessoas tem um interesse genuíno em sentir-se bem? Hello, anybody home?
Claro que não, até porque continuamos a comer hamburguers. A ideia é aproveitar aqueles momentos de rara beleza de um local que cheira permanentemente a sovaco, em que um misto de hormonas aos saltos e corpos tonificados com roupas desportivas, necessariamente justas, aproveitam para dar uma queca mais tarde.
Essa é que é a verdade. E não vale a pena dizer que as gajas não querem.
Se houvesse um ginásio exclusivamente para homens era logo um ginásio gay, e só com mulheres? É lésbico? Não, é parvo.
Os ginásios só para mulheres não vão ser bem ginásios, serão salas de fisioterapia...
Não vamos permitir que o mundo volte atrás, apoia o ginásio misto.

Não há pachorra para mais relatórios

Somos mesmo um país com azar. Queres ver que depois de tantos países terem instalado salas de chuto, a ONU vem desaconselhar este instrumento, por nossa causa? Será possível?
Não é normal. Estavam tão sossegados, vão fazer salas de chuto e levam logo com um relatório de uma grande instituição internacional que até estremecem.
Não há pachorra.

P.S.: Ah, que estranho... um padre (mais um) contra... que grande surpresa. E a falar de parasitas... Muito bom.

Frase do dia


"I love deadlines, I love the whooshing sound they make as they fly by."

sexta-feira, março 02, 2007

Prémio memória curta

"Nunca vi um um governo tão fascista e tão mau para os trabalhadores, como este..." Conhecido actor português na manifestação de hoje à tarde.

quinta-feira, março 01, 2007

Cappuccino Suburbano

Hoje, quase me escapava a publicação da minha entrevista no Kontrastes, feita há alguns meses pelo João Ferreira Dias.
Assim convido todos a irem lá visitar o Kontrastes e de certa forma visitarem-me a mim e às ideias que eu tenho sobre a Blogoesfera.
Aproveitem e vejam também O Dolo Eventual e o Canções dos Meus Dias, onde já não estou a colaborar, mas que mesmo assim merece uma visita.

O país está parado...

... enquanto o verdadeiro homem de estado, um dos variadíssimos que adoptaram a pose de estado que parece ser tão essencial, não fala ao país.
Extraordinariamente versátil, o homem de estado, depois das inúmeras causas defendidas até hoje, sejam elas a lavoura, os ex-combatentes ou os feirantes, vai explicar-nos aquilo que aconteceu neste país nos últimos dois anos e que justifica o regresso.
Sozinho, como qualquer grande homem de estado, certamente acompanhado de bandeiras, vai falar-nos da falência dos valores e da degradação do tecido social, às quais nenhum homem bom pode ser indiferente.
Será que os trotskistas já morreram todos? Ou a oportunidade de roubar votos ao PSD, arrastando ainda mais pela lama a liderança notoriamente fraca de Marques Mendes, é demasiado convidativa?

terça-feira, fevereiro 27, 2007

SOS

Não assisti à totalidade do Prós e Contras de ontem. Não, não sou eu a fingir que não vi só porque aquilo pode ter sido um comício, até porque aquilo é tantas e tantas vezes um comício de quem não gosta do governo, que não me parece que as questões levantadas pelo PSD façam grande sentido.
De qualquer forma e para que não digam que eu evito escrever quando a coisa está a dar buraco ( o que em si até é profundamente injusto) aqui vai a opinião sobre as urgências.
O país é demasiado pequeno para tanto disparate. O país sofreu durante todo o século XX uma profunda migração para as cidades assim como para o estrangeiro, e a democracia não soube estancar essa sangria do interior, contribuindo muitas vezes para a sua desertificação.
Os cuidados médicos devem acompanhar o fluxo das pessoas para onde elas se dirigem, mas não podem deixar de respeitar critérios de localização que permitam que todos tenham acesso a cuidados de saúde urgentes, que as piadas do ministro não ajudam em nada a resolver, até porque a sinistralidade automóvel é uma das principais causas de necessidade de urgências bem distribuídas pelo país.
Ainda assim, e tendo em conta a distribuição demográfica do país e o seu exíguo tamanho é incompreensível que possam surgir situações em que alguém espera várias horas para chegar a uma urgência.
Para mim a formula é simples. SAP; SUB; CATUS; CODU ou outro qualquer palavrão, o que importa é que todos os portugueses devem estar a uma distância nunca superior a uma hora de caminho de um hospital com qualidade suficiente para tratar qualquer tipo de caso urgente, e não podem estar a distância superior a 30m de um veículo de assistência urgente com características de apoio/suporte à vida.
Além disso, devido à previsível localização de determinadas especialidades nos centros urbanos, o país deve ser dotado de uma rede que helicópteros capazes de transferir qualquer paciente para a unidade indicada num prazo inferior a três horas, a partir do momento em que essa decisão é tomada.
Eu sei, além de simplista (e embora não preveja um hospital em cada porta), isto pode ser ambicioso para algumas regiões. Não tenho conhecimento das características da actual reforma, e como disse não vi a totalidade do programa, mas não podemos definir à partida, através de uma nova rede, que as pessoas de determinadas regiões tenham de andar para trás e para a frente em procura de cuidados médicos, uma vez que a generalidade das pessoas não está habilitada a definir a sua própria situação clínica.

Hoje não

Hoje é o dia de não pactuar mais com as missões internacionais. De não reconhecer direito à chantagem emocional a que nos submetem os Bravos da Nação.
Não quero mais ser o único a sentir-me deslocado por não compreender qual a necessidade de se continuar a embarcar para terras distantes em busca de uma glória fútil, que vem com o dinheiro que não se consegue obter por cá.
Hoje não quero mais pensar que o país não soube aproveitar parte dos seus jovens, e acabou por empurrá-los para uma vida de embrutecimento, em que o futuro pode estar na ponta de uma espingarda, numa viela escura de um país que não conhecem, onde se tornam inimigos e vítimas de quem nunca lhes fez mal.
Hoje não vou voltar a Figo Maduro.

Passado algum tempo...

... nomeadamente dois anos e pico, um blog começa a tornar-se uma sucessão repetitiva da mesma expressão: "Como eu disse anteriormente..."

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Hora errada


Confesso ser um fã incondicional do Herman José, muito embora não me considere pessoa de seguidismos acríticos e acéfalos. O Herman moldou grande parte das chalaças que a minha geração insiste em utilizar e ensinou este país cinzento a rir-se de si próprio.
Mas inevitável concordar com a opinião geral. O novo programa do Herman é uma trampa.
É uma trampa porque depois do Herman nos ter habituado a um determinado estilo de humor, este (o humor) se vulgarizou e se tornou mais imediato. Não queremos mais esperar pelo desenrolar de uma história para depois quase no final lhe acharmos piada. O humor hoje em dia tem de ser como o lead de uma notícia. Tem de ter o essencial para agarrar o telespectador à cabeça, sem necessidade de grandes interpretações ainda que nalguns casos felizes (como os Gato Fedorento) o humor possa ser o tal chamado de inteligente.
Este programa do Herman é como os programas a que ele nos habituou na década de 80 e nos princípios dos 90. Tem personagens que não se esgotam nos sketches em que participam. Têm continuidade como o Esteves, a Maximiliana, a Natacha Seminova ou o Cachucho. Estas personagens desenvolvem-se e umas acabam por ter mais piada que outras e acabam todas por desempenhar um papel na trama que este tipo de programa tem. O que não têm é graça. Ou então estamos de tal forma anestesiados pela piada ligeira e ordinária do "Levanta-te e ri" que já não conseguimos ver a graça.

Os indiferentes

Não existem temas fracturantes. Eles são como os pilhões. É coisa que não existe. Apenas existem temas fracturantes na mente de alguns iluminados portugueses que pertencem a classes médias altas e que por alguma razão não totalmente clara acham que devem impor a sua cartilha de princípios à sociedade para que esta não se corrompa e tresmalhe.
É assim à esquerda assim como à direita. Todos sem excepção pertencem a classes de gente bem falante e bem formada, com poder de compra e fundamentalmente com acesso aos meios de comunicação social e que se mexe bem no novo mundo da Internet.
A imprensa e principalmente a televisão seguem o seu rasto e de forma totalmente acrítica, sob a capa do mais sincero direito do contraditório, permitem verdadeiros comícios que chegam assim a milhões de portugueses que não se tinham dado ao trabalho de pensar nisso.
Não há questões fracturantes quando uma parte substancial da população é totalmente indiferente aos assuntos em causa e que supostamente nos dividem e nos assaltam o espírito quando queremos dormir.
Às perguntas sobre as questões fracturantes que frequentemente são matéria de sondagens, falta perguntar não apenas se concorda com isto ou com aquilo mas, se haver aborto, casamentos homossexuais, eutanásia, doação de órgãos em vida, reprodução medicamente assistida, identidade de género, clonagem, regionalização, células estaminais e mais um monte de coisas supostamente complicadas, interessam à maioria dos portugueses ao ponto de estes participarem activamente no seu debate?
E a dura realidade diz-nos que não. Em menos de uma década foram feitos três referendos, sobre matérias supostamente fracturantes, e nenhum deles conseguiu reunir o consenso necessário entre os portugueses que os levasse a votar em massa por uma das opções em jogo. Nem as santinhas e os terços na rua, nem o fantasma da desagregação do país em mini estados, levaram os portugueses às urnas.
Por isso, nestas como em outras matérias somos todos treinadores de bancada. Todos temos opinião sobre a vida dos outros se alguém pelo telefone nos perguntar qual é e se de preferência não tivermos de nos levantar do sofá.
Desta forma como é que é possível esperar-se que alguns sectores continuem a alimentar a ideia peregrina que os portugueses estão divididos, quando na realidade isso não passa de uma espécie de mito urbano criado com a ajuda preciosa da comunicação social?
Os governos e os parlamentos, com mais ou menos abstenção são eleitos pelos portugueses e é dessa forma que deve ser abordado o fenómeno dos temas supostamente fracturantes.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Poeta intemporal



No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada

Vêm em bandos
Com pés de veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas

Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei

Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada

Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Zangas de comadres


"Neste momento, eu zanguei-me!"


A Zé é tramada. Tão consciente de si mesma. Ainda mal se zangara e já o constatava. E assumia. Não fôra isso e poder-se-ia questionar o momento da zanga e a Zé não gosta cá de confusões.


Ainda para mais, essas confusões poderiam questionar as suas motivações nas diferentes formas de relacionamento que tem mantido com o executivo camarário. Não estava zangada quando suportou o executivo minoritário e agora zanga-se.


O timing da Zé até nem foi dos piores. A primeira zanga (a não assumida) ainda é anterior a estas confusões todas. Só a segunda zanga (a assumida em tempo real) é que surge quando a casa já está a arder.


Enfim... Coisas de tios e tias... Só é pena é que estes tios e estas tias têm funções de grande responsabilidade, para as quais foram eleitos...

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Somos todos Frodo

Diamantes de Sangue não me deu a saber nada de novo, mas terá sido mais útil do que várias conferências de líderes...

Diamantes de Sangue apresenta-nos como este planeta funciona, em termos das relações de poder entre ricos e pobres, primeiro e terceiro mundo... A forma discricionária com que ocidentais lidam com a necessidade de diamantes para satisfazer os luxos de milionários dos seus países, a meias com a colaboração directa de mercenários, é uma metáfora do rufia que tira a mochila nova ao miúdo mais fraco da escola.

Não é por acaso que, a dada altura do filme, um velho aldeão diz a uma das personagens principais do filme, seu compatriota, algo como “Espero que nunca descubram petróleo por aqui. Aí é que teríamos problemas...”. O que o velho aldeão está a dizer é “Miúdo, é melhor não mostrares a tua mochila nova a ninguém. Pelo menos, se não souberem que a tens, não ta tiram”...

Não será por acaso que ninguém se preocupou com o Ruanda ou que ninguém se preocupa com a Somália…

Como tudo é ditado pelo tal de “mercado”, e pegando nas palavras tão sábias quanto tristes do aldeão, estamos todos como o Frodo de Senhor dos Anéis. De humilde hobbit, passa a perseguido por muitos e protegido por outros. Porquê ? Porque era portador de um instrumento de Poder desejado por todos. Ou, de forma mais simples, por ter algo que alguém queria… e muito.

Até se começar a explorar os diamantes, a Serra Leoa era como um hobbit a quem ninguém atribuía importância. Mas transformou-se em Frodo, porque o que governa o mundo em que vivemos é uma série de relações de Poder em que aos mais fracos são retirados os seus recursos. As formas utilizadas é que vão mudando. Na maior parte das vezes, até são legais, como este filme apresenta quando explica todo o processo que começa no lodo onde os diamantes são procurados na Serra Leoa até chegarem aos pulsos, dedos, pescoços, ou qualquer outra parte dos corpos daqueles que os usam…

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Muito mais do que português



Devo confessar uma imensa satisfação pelo facto de Aristides de Sousa Mendes constar da lista dos finalistas daquele programa do canal 1 da TV pública.


Num país habituado a subserviências de toda a espécie, alguém que se destacou por ter desobedecido, só por si, já merece respeito.


Como sabemos, a sua desobediência teve por objectivo salvar centenas de vidas humanas, o que só reforça mais a admiração merecida.


E, já agora, deixo uma questão. Para quando a recuperação da casa da família Sousa Mendes em Cabanas de Viriato ? Não seria uma excelente oportunidade de homenagear a figura que foi e continua a ser, por aquilo que representa ?

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

O pior em nós

Tomem lá porque vocês merecem...




Depois venham explicar-me que a esquerda é que tem frequentemente um registo panfletário.
Tudo serve desde que seja a bem da salvação da alma salazarenga. Películas românticas de Hollywood, a negação do fascismo como forma de governo, o império que até era pequeno em comparação com outros, a guerra estava por um fio a nosso favor (a colonial, porque a outra livrou-nos por graça do nosso senhor), que tínhamos excelentes relações com o mundo e até se invoca o mal amado Filipe espanhol.
Não há limites. Apenas ficam por esclarecer as questões importantes e que não têm de ser necessariamente formuladas pela negativa. O mago das finanças que durante tanto tempo esteve no poder, onde nos podia e deveria ter levado se realmente este homem fosse patriota? Já sei... afinal sempre estivemos atrasados economicamente... Tão atrasados que a miséria que em 25 de Abril de 1974 abundava pelo país e que a grande custo continuamos a tentar recuperar, permite que ainda hoje estas elites bacocas e saudosistas possam fazer este tipo de exercício deliberado de demagogia. Esta gente que se arroga o direito de criticar uma política espectáculo onde tantas vezes participa, para vangloriar as virtudes de um estado autoritário onde o espectáculo não é necessário, onde apenas existe a edificante e abnegada dedicação patriota, onde não existe a mácula do abuso de poder.
Felizmente houve uma cadeira, felizmente houve uma revolução militar e felizmente muitos milhares de democratas, que permitem que eu hoje possa, em liberdade, escrever estas linhas e que aquele senhor esteja na televisão a dizer disparates.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Babel - dádiva, castigo ou desafio ?

Babel é um daqueles filmes que não poderiam ter tido outro título. De acordo com a Bíblia, a tentativa de construír a Torre de Babel terá enfurecido Deus. Consequentemente, o Criador teria feito com que cada um dos envolvidos passasse a falar um idioma diferente, dificultando a concretização do projecto e criando dificuldades de comunicação em termos planetários.

Babel retrata essas dificuldades de comunicação humana, mas também a globalização. As fronteiras entre os Estados e as fronteiras entre as pessoas. Retrata diversas formas de sofrimento e de Amor.

Um turista japonês oferece uma espingarda a um marroquino que o ajudara numa caçada de férias magrebino.

Essa espingarda é trocada por bens de primeira necessidade em pleno deserto marroquino. Passa a estar na posse de duas crianças responsáveis por conduzir as cabras da família ao pasto. Servirá para matar os chacais que ameaçam as cabras e, por inerência, a subsistência familiar. Enquanto testam a arma, um dos irmãos acaba por atingir uma passageira de uma camioneta que passava próximo do local de pasto. Trata-se de uma turista americana. Ao mesmo tempo, a ama mexicana dos filhos da turista, confrontada com o casamento do seu filho, opta por levar as duas crianças consigo. Até ao México...

Entretanto, a filha adolescente do turista japonês que oferecera a espingarda ao camponês marroquino, confronta-se com dificuldades de comunicação que tornam a sua integração plena extremamente complexa. É surda-muda.

A notícia do ferimento da turista americana passa nas TV’s de todo o mundo, enquanto ela agoniza numa aldeia marroquina, aguardando a chegada de uma ambulância. A ama dos seus filhos chega ao México sem qualquer dificuldade. No regresso, é confrontada com acusações de rapto... A chapa com o nome do polícia que os recebe no regresso aos EUA tem inscrita a palavra “FREEMAN”...

As dificuldades da turista americana em Marrocos são também de origem política, mas de outro nível. Perante o ocorrido num país muçulmano, o governo americano apressa-se a classificar o disparo como um “acto terrorista”. A recusa do governo marroquino em pactuar com esta tese faz com que neguem a pretensão americana de enviar auxílio militar para a zona...

Babel é daqueles filmes em que, por mais que se revele da(s) história(s), não se retira a motivação de o ver. Não há dúvida de que há coisas que vale mesmo a pena ver e viver...

Evocação

"O que separa a evocação da recordação é que a recordação não tem alma."
Vergílio Ferreira - Pensar, 328

(Fevereiro de 1992 a Junho de 1993)


Porque somos um pouco de tudo o que (nos) fomos fazendo.

Valha-me Deus

Como é que esta sujeita consegue transformar um debate (pra ai o 14º) sobre o estado da justiça, num debate sobre as custas judiciais aplicáveis a um artifício jurídico (ainda que constitucionalmente salvaguardado) assinado por 10000 caramelos, numa intenção clara de pressionar os tribunais através da comunicação social.
Assim como é que eu posso ir de férias??? Não consigo...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Grande negócio

Os economistas do sistema dizem “Ainda bem que assim é”. Eu prefiro questionar se será apenas isso.

Os bancos portugueses registaram (2006) lucros 30% superiores aos do ano anterior, que já haviam sido notícia por serem elevados.

Numa conjuntura de recessão económica, em que o PIB subiu pouco mais de 1%, será despropositado dizer que algo não está bem ?

É verdade que, numa economia capitalista, a saúde do sistema financeiro depende muito da rentabilidade dos sistemas bancários. Mas quando essa rentabilidade surge em contra-ciclo absoluto, não será caso para dizer que algo está mal ?

E o pior é que, enquanto cidadão, pouco mais posso fazer para além de escrever isto mesmo...

Balanço(s)

No Filtragens faz-se um apanhado dos diversos balanços que surgiram na blogoesfera. Uns mais contentes com os resultados do referendo de ontem, outros nem por isso. Mas é assim mesmo.
Além disso, tiveram a amabilidade de incluir uma frase minha, no conjunto de comentários da noite.

Nada, não senti nada


Nem o mais leve tremor, nem um copo que se entorna, ou um aperto no estômago.
Sou imune a sismos. É já o segundo no espaço de dois anos, que estatisticamente, eu deveria ter sentido... e nada.

domingo, fevereiro 11, 2007

Só mais uma coisa :)

Outra vez com o JPP (há noites assim...)


PATETICE

"Venceu a cultura da morte! 11 de Setembro, 11 de Março, 11 de Fevereiro. Datas manchadas pela morte!"

Esta frase num blogue do "não"

Fim de noite

Não há nada mais para dizer. 4 freguesias por apurar e a diferença entre SIM e o NÃO atinge 18,54% com abstenção de 56,39% (dados STAPE). No meu subúrbio as 4 freguesias votaram fortemente no SIM, sendo o resultado mais baixo 76%.
Todos os líderes nacionais já falaram e todos os movimentos já deram a sua opinião.
Nalguns canais umas pessoas insistem ainda em tentar saber o que acontece às mulheres que abortarem às 10 semanas e um dia ou como é que o SNS vai pagar os abortos. Já para não falar que se insiste na ideia que todos os médicos vão invocar objecção de consciência.
O melhor é a senhora psiquiatra que diz que uma ideologia prejudicou a existência de uma educação sexual séria (a séria deve ser a tal casta...).
Enfim… Eles lá saberão se a demagogia continua a fazer sentido.
O importante agora é legislar quanto antes, de acordo com o interesse dos portugueses manifestado através do voto, e aproveitar para lançar um pacote legislativo que aborde definitivamente e com coragem, o planeamento familiar e a educação sexual, sem tabús.
Esta questão fica arrumada. Avancemos para outras provavelmente mais importantes para o país, com a certeza que os portugueses se tornaram mais liberais do ponto social.
Resta saber o que vamos fazer com o referendo, porque nenhum país normal (à excepção da Dinamarca...) tem 3 referendos em menos de uma década, e todos eles sem qualquer interesse para os eleitores... Mas isso fica para amanhã...

A idiota da noite

A noite não podia acabar sem uma idiota. Esta Galriça está prestes a pôr a mão na anca e a atirar-se aos cabelos do ministro da saúde. Para a senhora os abstencionistas podem perfeitamente ser apoiantes do NÃO, até porque Francisco Louça disse que os que se abstivessem estariam a votar NÃO. Já para não falar no perigo das abortistas espanholas que vêm ai para dar cabo das mulheres portuguesas. É uma espécie de ocupação espanhola porque não deixarão que nasçam mais crianças portuguesas.
É uma senhora a acompanhar pelo SIS, pode facilmente tornar-se uma daquelas psicóticas que ataca clínicas de aborto.

Dados às 21:15

Alguns dados paralelos:

Em Lisboa o SIM vence com 73% dos votos apurados
Em Beja o SIM vence com 83% dos votos apurados.

O NÃO vence em 7 dos 8 distritos do Norte. Apenas se safa o Porto. O NÃO nunca chega a ultrapassar os 62% em Vila Real.

No total nacional o NÃO consegue o seu maior resultado nos Açores com 69%

Igual a si próprio

Sócrates está invariavelmente contente apesar do aparente discurso de estado. Caso tivesse perdido seria a terceira eleição seguida em que se tinha empenhado pessoalmente que não teria o resultado previsto.
De qualquer forma sem ambiguidades de acordo com o que já, e bem, tinha enunciado durante a campanha.
Como de costume direcções claras sobre o que vai acontecer daqui para a frente. Não há margem para dúvidas que a lei que vai passar vai ser a que for apresentada pela bancada socialista. Ainda vamos ver o Bloco e o PCP a absterem-se.
Neste assunto também há best practices… já enjoa...