segunda-feira, maio 21, 2007

Ainda Fátima

Desculpem lá, mas isto tem andado meio parado.
Mas ocorreu-me uma daquelas ideias interessantes neste 13 de Maio. Fátima cuja suposta confirmação das aparições radica naquilo a que se resolveu chamar Milagre do Sol, tem características totalmente diferentes de todos os restantes milagres proporcionados pela Igreja Católica e protagonizados pela Virgem Maria de qualquer, coisa, já que a senhora aparece em tantos lados.
Até Fátima (e confesso que poderá aparecer aqui alguém a desmentir-me totalmente sem que eu me importe muito) a santinha tinha aparecido em pelo menos cada capital de concelho português e nos seus equivalentes estrangeiros nas mais variadas formas, o que permite que se acrescente sempre a Nossa Senhora qualquer coisa que a identifica com aquele local, sendo uma das mais raras e interessantes aparições a da Nossa Senhor do Ó, uma virgem grávida.
Ou seja todas as Virgens Marias desse mundo a que chamamos Nossas Senhoras de qualquer coisa são na realidade a mesma e dividem a sua divindade em aparições e milagres.
O carácter relativamente escasso, pelo menos nos últimos dois séculos das aparições, até porque no passado a Senhora aparecia muito, dá a Fátima uma particular espectacularidade que as restantes aparições não têm, na medida em que transmite uma mensagem para o futuro. Coisa que creio não acontecia muito nas restantes aparições.
Fátima em termos estéticos é aparição como as restantes. A Senhora aparece em cima de uma oliveira rodeada de um halo de luz ou em cima de uma nuvem. Outros modelos já tinham sido tentados sendo o mais famoso o arbusto que arde sem na realidade se queimar, mas isso são contas doutro rosário. A existência de pequenos ou grandes videntes também não é uma verdadeira surpresa. Já tinham existido pequenos pastores como videntes. O que em si mesmo não é qualquer evidência em tempos que tantos eram pastores.
A verdadeira diferença de Fátima em relação ás restantes aparições é o Milagre do Sol. Não por ser um milagre, pois anteriores aparições tinham já resultado em milagres, mas sim porque este é um milagre especial.
É o primeiro milagre que na realidade não o é. Um milagre normalmente, pelo menos como nós os hereges o imaginamos, é algo que visa produzir um determinado efeito positivo sobre um comum mortal que sofre ou que está em perigo. E não sou eu que o digo. De uma forma geral os milagres da cristandade têm sido sobre pessoas em concreto, que passaram a ver quando eram cegas, que passaram a andar quando eram paraplégicas ou que devido à intervenção divina acabaram por não cair numa qualquer ravina.
No milagre do Sol não há qualquer relato de um cego ter começado a ver, de um tuberculoso ter ficado curado ou de um coxo ter passado a andar normalmente. Mas o milagre do Sol é ainda mais estranho. Como referia aqui atrás, a generalidade dos milagres tem vindo a aplicar-se a pessoas em concreto que beneficiam da divina providência. Aliás ainda hoje a beatificação e a canonização se faz pela cura do mortal que sofre, que primeiro se chegar à frente a dizer que foi curado daquela terrível maleita que o atacava. Nesse contexto o Milagre do Sol é um milagre estranho na medida em que a ser um milagre, o que aqui já contestei, seria o primeiro milagre colectivo desde a multiplicação dos pães, pois consta que naquele dia estariam na Cova de Iria milhares de pessoas.
Não Senhor, ou melhor, Não Senhora. O Milagre do Sol não é nenhum milagre, porque não cura ninguém e precisamente porque é uma realidade colectiva.
Mas completemos. O que realmente aconteceu naquele dia? O Sol "bailou" e passou rasteiro sobre a cabeça de milhares de pessoas ao ponto de as roupas molhadas que vestiam ficarem secas. O Sol terá entrado em espiral e quase caído sobre a terra. Ora ao contrário da generalidade das aparições e milagres, o milagre do Sol visa assustar os tementes a Deus de uma realidade que desconheciam e que basicamente ainda desconhecemos.
Dessa forma o milagre do Sol não é verdadeiramente um milagre mas antes uma praga, como as que caíram sobre o antigo Egipto dos faraós. Só ai é que se encontram fenómenos que assustam e afectam directamente muitas pessoas e são eventos presenciados por milhares de pessoas.
Fátima é na realidade comprovada por uma praga e não por um milagre. É uma espécie de aviso e isso não cair na categoria de Milagre.
E que praga tem sido aturar isto todos os anos.

Ainda se lembram?

Certamente que a ainda se lembram que o Paquistão já foi um dia uma democracia. Que Benazir Butho é uma mulher e foi eleita (assim como outros) num país muçulmano onde as mulheres não têm o papel que normalmente podem ter no ocidente. Que a democracia embora possa ter muitos defeitos, ainda é o sistema onde todos têm lugar e isso já aconteceu um dia naquelas bandas.
Paquistão que desde 2001 passámos a entender como o maior covil dos mais temíveis terroristas, como sede de todas as organizações extremistas que escorraçadas do Iraque e do Afeganistão o utilizam para ataques nesses mesmos países, tudo com a complacência do ditador Pervez Musharraf e da incompreensível amizade de Bush em relação a este.
Mas algo pode estar a mudar. Campo de tumultos permanentes, de atentados indiscriminados ou directamente a Musharrraf e ainda Caxemira e a questão nuclear, são razões mais que suficientes para a confusão que se vive no país.
Musharraf começa a ficar sem opções. Apesar de defender um país laico, dentro do possível por ali, parece que tem de lidar com uns serviços secretos radicais que não controla totalmente e que parecem querer alimentar as Al qaeda’s e afins. Tem contra si o facto de se ter proposto resolver o problema da corrupção e o estado a que preside se ter tornado muito mais corrupto e não conseguiu resolver qualquer questão com a Índia em relação a Caxemira. Ainda assim, apresenta-se como outros no passado se apresentavam como obstáculo ao avanço do comunismo, como obstáculo ao avanço do islamismo mais radical, que na realidade actua à vontade no seu país
Agora resolveu, no pleno “direito” dos poderes que se auto atribuiu, demitir o Procurador-geral lá do sítio. Musharraf resolveu atacar a ultima réstia de um estado normal de tipo ocidental onde a separação de poderes é pedra angular.
Os paquistaneses não ficaram parados. Vieram para a rua em diversas cidades e morreram em diversas cidades às mãos da repressão que a policia lhes moveu, mas abriram um brecha enorme na política de Musharraf. Estas pessoas que defende os advogados que saíram à rua e que defende um sistema judicial independente sem intervenção discricionária de um poder prepotente, são o embrião da democracia que o Paquistão já teve, e que um dia poderá voltar a ter.
Ou seja, Musharraf em vez de lutar contra o islamismo radical quando o ocidente lhe pede que intervenha acabando com as madrassas, onde clérigos radicais incentivam ao sacrifício contra os infiéis, o que já lhe valeu ameaças de bombistas suicidas, vai lutar precisamente contra aqueles que aparentemente defendiam um estado mais laico e daí mais semelhante às ideias do próprio Musharraf. Mas esta luta entre o secularismo e o islamismo radical, a que a situação na Turquia e no Líbano, ou até na Palestina, não são alheias, é muito importante para compreendermos que ao contrário do que muitas vezes é apontado na comunicação social, existe um Islão moderado que não se revê no radicalismo de alguns, mas que ainda assim nem smepre sai à rua com medo de confrontos com extremistas. Este Islão existe, mas não se manifesta porque infelizmente também se sente humilhado pela forma como é tratado pelo ocidente.

quinta-feira, maio 17, 2007

"Special One"


(imagem via wikipedia)

"Não levem o meu dono, por favor! Eu juro que o vacino contra a raiva!"

quarta-feira, maio 16, 2007

Banho-maria

Banho-maria é um método utilizado tanto na cozinha como em laboratórios químicos e na indústria (farmacêutica, cosmética, conservas, etc.) para aquecer lenta e uniformemente qualquer substância líquida ou sólida num recipiente, submergindo-o noutro, onde existe água a ferver ou quase. O processo recebe o seu nome em honra da famosa alquimista, Maria, a Judia. Neste processo, as substâncias nunca são submetidas a uma temperatura superior a 100º C, já que a partir dessa temperatura, todo o calor transferido para a água é convertido em energia cinética nas moléculas da água, formando-se vapor de água.

Banho-maria é também o estado em que por estes dias se encontra a minha a actividade blogosférica, com a falta de tempo que se me acometeu de repente. Tal como noutras alturas, é apenas uma fase e assim que possível voltarei ao registo habitual.

Até lá umas mousses de chocolate são capazes de compensar a ausência :)

segunda-feira, maio 14, 2007

Poor Albion

O estado de direito está em risco no país que é o mais antigo aliado de Portugal e por isso impõe-se que intervenhamos para os ajudar. Pelo menos é o que me parece das afirmações e pressão protagonizada por esta comunicação social sequiosa de sangue, mascarada sob uma pretensa preocupação humanista.

Ainda há meia hora a Sky News, que nos últimos 11 dias dedicou 95% dos seus noticiários ao desaparecimento de Madeleine McCann, com aquilo que já poderão ser milhares de horas em directo desde a Praia da Luz, questionava afinal que tipo de buscas é que a policia portuguesa andou a fazer, se a solução podia estar a 100 metros do “resort” onde a criança tinha sido raptada. Citando em português literal: “A GNR disse que tinha revistado 500 apartamentos. Só foram lá bater à porta ou viraram os apartamentos ao contrário”.

A Sky e os seus jornalistas desconhecem totalmente o instrumento mandado de busca num estado de direito democrático? Ou apenas acham que ele não se aplica em parte nenhuma do mundo, desde que britânicos estejam envolvidos? É preocupante para a solidez das instituições britânicas, que são um dos mais extraordinários e antigos exemplos do estado de direito, se por acaso por lá as coisas se passarem da forma como estes jornalistas pretendem.

Afinal um mandado de busca é algo que se pede a um juiz (um juiz, acho que em inglês é “Judge” e deve fazer mais ou menos a mesma coisa), perante fortes suspeitas da prática de um crime. O que naturalmente não poderia ocorrer em 500 apartamentos diferentes.

Estes jornalistas teriam preferido que se virassem os apartamentos ao contrário, porque a orgia de destruição é sempre um bom momento de televisão. Mas isso não serve a ninguém. Nem aos espectadores, nem à investigação e muito menos à segurança de quem se encontra desaparecido.

O mundo é inevitavelmente injusto. E onde estão os meios e o dinheiro está a o poder. Ninguém sabe o nome nem conhece a cara de dezenas de crianças que sofrem em zonas de conflito ou em fábricas onde desde tenra idade trabalham para sustentar alguns dos nossos luxos. Mas Madeleine McCann teve a venturosa sorte de nascer bem, Esperamos todos que acabe por ser encontrada sã e salva do meio de toda esta confusão.

sexta-feira, maio 11, 2007

Saltar fora

A solução é simples. Se Helena Roseta, apenas dois anos e pouco depois de o Partido Socialista ter chegado ao governo, não vê qualquer possibilidade de participar na actividade politica do partido. Não se revê em nenhuma das políticas, nem tão pouco acha que o seu contributo seja válido, ainda que contrário à opinião da direcção do partido e da maioria dos militantes, então não podia continuar no PS.
Respeito muito a Helena Roseta que considero uma pessoa competente e capaz. Mas independentemente da ideia que se tenha das pessoas e independentemente da validade das ideias que cada um tem sobre si próprio, todos sabemos que nem sempre concordamos e nem sempre podemos esperar que todos concordem connosco.
Lamento que a opção de Helena Roseta tenha sido sair do PS, tal como no passado aconteceu com o PSD. Aprecio Helena Roseta precisamente por causa deste seu inconformismo com o sistema, mas não posso concordar com ela.
Infelizmente Helena Roseta não se fez ouvir da mesma forma que se faz ouvir agora, quando o PS esteve na oposição, para criticar o governo ou apresentar qualquer proposta alternativa. Nem ela nem o Manuel Alegre, com quem ainda com o PS na oposição já passavam os dias a alimentar a ideia, que o PSD agora aproveita num contexto nacional, que o PS estava a tornar-se claustrofóbico do ponto de vista democrático.
Mas isso não é um problema porque o PS tem muito boa gente para andar a fazer trabalho político. O verdadeiro problema está em que Helena Roseta e Manuel Alegre consideram ter-se arrasado em pouco mais de dois anos a matriz social do partido e todo o legado de Abril. Como quem diz, isto até podia acontecer, mas tinha de ser o PSD a tratar do assunto e não o PS. Mas isso não é verdade, até porque não é fundamentado em qualquer argumento apresentado por Helena Roseta. Não basta passar os dias a dizer que ninguém nos cala e a lançar a ideia que existem interesses obscuros de concentração de poderes em torno de uma pessoa para que isso passe a ser verdade. É preciso argumentar e é isso que não se tem feito. Ser de um partido não é algo que se faz das 9 às 6 e depois em casa já se pode ser independente.
O David no Dolo, à conta das eleições para a câmara de Lisboa, onde preconiza boas soluções, utiliza uma frase muito interessante que aqui destaco – ” (…) o PS continua a ser o mais completo e inclusivo dos partidos porque é o único que engloba uma oposição activa e militante (nada que se compare com o PSD que tem apenas um ridículo Menezes) de tal modo que para encontrarmos os opositores mais obstinados a Sócrates e à sua política nem precisamos de sair do PS.”
E não é que é mesmo verdade? Que no PS é que existe mesmo oposição ao PS e que isso só pode revelar a saudável discussão de ideias, ainda que a ideia romântica dos plenários com decisões por unanimidade e aclamação tenha sido à muito ultrapassada?
Confunde-me como Helena Roseta prefira saltar fora deste jogo colocando-se no papel de independente que nunca será, em vez de continuar a fazer valer as suas ideias, como tão bem faz. O panorama político do PS e do país fica mais pobre, mas a responsabilidade é da própria.

terça-feira, maio 08, 2007

Polis das cavernas


Não, não é um borrão, nem uma foto mal feita do céu à noite. É a minha rua à noite no estado em que se encontra desde há três semanas.
Agora sim já começo a ficar ligeiramente arreliado, assim algo tipo em cólera (como a outra), algo maçado com estas obras.
Não bastava não ter rua vai para mais de um mês. Não ter mesmo, do género galocha como calçado essencial, como agora as retroescavadoras escavacaram com qualquer candeeiro existente.
Não pretendo lançar um alerta à gatunagem e vilanagem que para aí anda, mas é mau se um gajo chega mais tarde a casa já sem as luzes amarelas das máquinas e acabar por cair num buraco acabado de cavar à minha porta, que nestas condições eu não conseguirei ver…
Se isso acontecer só me descobrem na manhã seguinte já em hipotermia.

segunda-feira, maio 07, 2007

Ainda Sarko

Se a esquerda europeia está perdida num limbo entre o passado e a actualidade, a direita europeia teve a oportunidade, durante o dia de hoje, de ter orgasmos múltiplos de felicitações a Sarkozy.
Foi ridículo ver como subitamente a Europa já tem salvação. Foi ridículo ver José Manuel Barroso repetir diversas vezes que era muito amigo e conhecia bem Sarkozy e dizer nas entrelinhas como esperava que em 2009 não o metessem a correr para fora da comissão.
Fiquei logo com a sensação que talvez depois de amanhã esteja para sair o mini-tratado-reciclado de salvação da Europa, uma vez que o Sr. Sarkozy deslocou-se imediatamente em embaixada a Bruxelas com o seu homem de mão para a Europa, que já sabe tudo e vai resolver tudo do que nos aflige.
A Turquia bem pode esquecer a entrada na União mas resolve-se num instante, talvez na próxima segunda, com um mini-tratado de cooperação com as nações do Mediterrâneo. Já está.
Hoje um Sarkozy, amanhã um mundo de Sarkozys para ver se ainda há hipótese de salvar a humanidade.
Também seria assim se tivesse ganho a outra candidata?

Sais de fruto


Em França e um pouco por toda a Europa é preciso tomar sais de fruto para superar a indigestão que terá provocado a vitória de Sarkozy. É uma evidência para o futuro concluir que a esquerda que tem na França a sua grande referência está em crise e não é a votação (ainda que expressiva) de Ségolène que a fará sobreviver.
A violência da noite de ontem em Paris e nalgumas cidades francesas vêm acabar por confirmar a razão pela qual Sarkozy ganhou. Independentemente da opinião que se tenha sobre o sujeito, ele parece que vem limpar definitivamente a casa suja em que a sociedade francesa se tornou. É ao mesmo tempo o grande disciplinador como o grande reformador. Parece que vem devolver uma espécie de auto-estima que recoloque a França como grande referência internacional, que entretanto tinha perdido.
Podemos dizer muita coisa, mas uma sociedade não pode tolerar que por razões maiores ou menores haja um grupo de pessoas que vem para a rua partir tudo e puxar fogo a carros, sob pena disso obrigar à existência de duas Franças. A da maioria que se revê nas políticas preconizadas por Sarkozy, que está farta de insegurança, por oposição a uma França minoritária que utiliza a violência como linguagem e arma politica.
Tive oportunidade de dizer por aqui que Sarkozy como praticamente todos os políticos europeus defende a herança do estado social que a Europa inventou para si própria. Mas Sarkozy defende também um estado mais forte na repressão e não podemos em consciência dizer que o homem não tem alguma razão. Aquilo que saltou à vista dos últimos tempos foi uma intenção de ser mais duro com a violência e a imigração, mas Sarkozy (a Tatcher francesa com 20 anos de atraso, segundo a BBC) tem pretensões de mudar a nível fiscal, a nível social, a nível laboral, correndo o risco de pisar os calos daqueles que votaram nele por razões securitárias.



O que se torna importante é perceber que apesar da blogosfera e os jornais franceses, mas também em Portugal e noutras partes, referiram sem hesitação que Ségolène era uma incógnita e Sarkozy uma certeza. Mas ninguém pode afirmar com propriedade que o candidato Sarkozy, será igual ao Presidente Sarkozy.
Se o homem for realmente inteligente terá de perceber a diferença que existe entre repressão e desenvolvimento social. Terá de compreender mais cedo ou mais tarde que as causas da violência é que têm de ser combatidas ainda que passe a haver um comportamento mais musculado por parte das polícias na rua. Esse tipo de intervenção tem objectivos e meios relativamente finitos, que se esgotam em pouco tempo, para mais que acabam por se tornar numa espiral imparável de violência que as autoridades podem não conseguir controlar.
Sarkozy é uma incógnita como Ségolène porque ainda faltam responder uma série de questões sobre a Europa e sobre o relacionamento com os EUA, assim como virá a ser concretamente o comportamento da França em relação aos novos imigrantes assim como com os cerca de 6 milhões que já estão em França. Já sabemos que há um elevado potencial de paralisação da França, uma vez que estudantes, trabalhadores das mais variadas classes e imigrantes organizados em torno de sindicatos fortes, podem bloquear ou tentar bloquear Sarkozy e as suas medidas. Mas o que esta Europa não está à espera e não está preparada, é para o eventual sucesso do novo Presidente Francês. Se por acaso Sarkozy conseguir estancar a imigração, fazer valer as suas ideias sobre o alargamento da Europa, se conseguir fazer passar um mini-tratado que acabe por afastar a Europa de uma índole mais federalista e ainda assim devolver a paz social e criar riqueza, então ele tornar-se-á a nova referência europeia de desenvolvimento e nada será como dantes neste lado do Atlântico.

Imagens: Le Figaro

sexta-feira, maio 04, 2007

Repto

Demonstrem-me que é impossível um país da nossa dimensão geográfica e demográfica, organizar-se em torno de regras básicas de planeamento e organização do território, que implique desenvolvimento sustentado e equilíbrio económico e social entre regiões, e eu também passarei a defender o referendo e a regionalização.

"Quem diz a verdade..."

"Não é de ânimo leve que um partido põe o seu poder nas mãos dos eleitores."
(Marques Mendes, na "Grande Entrevista" da RTP)

E nós a pensarmos que essa era a essência da democracia...

Adenda breve: ainda que pronunciada no triste contexto que conhecemos, pela triste figura do actual líder do PSD, não descuramos que esta frase deve constar como mote nos programas de todos os partidos, nomeadamente esses da esquerda "moderna" e "reformista", travestidos na sua "preocupação social" e ofuscados na sua arrogância...

quinta-feira, maio 03, 2007

Outros predadores

"Esta semana (a semana passada) foi manchete de jornal (no Semanário): "Tréguas a José Sócrates só vão abrandar durante a presidência da União Europeia". Isto é, as agendas mediáticas estão milimetricamente concebidas e preparadas para ataques sucessivos ao primeiro-ministro até às próximas eleições. É natural, visto que a calendarização jornalística obedece sempre, mas mesmo sempre, aos mais altos desígnios nacionais e aos verdadeiros problemas dos portugueses. Convém igualmente desgastar Sócrates ao máximo antes da presidência portuguesa da UE, não vá ele sair prestigiado. Durante a dita, já é diferente: torna-se indispensável salvar as aparências em frente de estrangeiros, não escarrar para o chão, não limpar a orelha com o dedo mindinho, não atirar beatas pela janela do carro, não dizer palavrões em público. Nem atacar o primeiro-ministro. Sendo assim, não vamos passar por vergonhas, podemos ficar descansados. É lindo, não é?"

Predadores

Hoje festeja-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A RSF (Repórteres sem fronteiras) divulga uma lista de todos os que para a organização ameaçam a liberdade de imprensa um pouco por todo o mundo e que além disso perseguem jornalistas, os prendem por delito de opinião e muitas vezes participam no seu assassinato.


O diagnóstico está longe de ser positivo. O relatório pode ser consultado aqui e podem ser verificados os argumentos caso a caso de cada um dos responsáveis identificados.
Embora possa parecer estranho para alguns, e ao contrário do clima que alguns pretendem incutir à opinião pública deste país, Sócrates não faz parte da lista.



Sarkozy a caminho do Eliseu

Por mais que isso possa não me agradar, apesar de não ter nada a ver com isso, Sarkozy é bem capaz de estar já com um pé na soleira da porta do palácio.

Royal não conseguiu fazer vingar as suas ideias no debate se bem que começo a questionar se tem algumas que escapem às originais, mas inverosímeis soluções que parece encontrar para os problemas. Todo o debate parece uma espécie de declaração final onde se pretende meter tudo de uma vez. Sarkozy tem um discurso mais organizado, parece mais calmo e mais coerente e naturalmente paternalista e arrogante. Lamentável a gestão que ambos os candidatos fazem do medo da violência e da delinquência em França. De tal forma que a páginas tantas os candidatos se degladiavam pelo objectivo de dar maiores penas aos delinquentes sexuais, qualquer coisa próxima do disparate de alguns sistemas jurídicos do tipo três penas perpétuas sem possibilidade de visitas e com direito a castração e as partes fervidas em óleo quente. Muito triste.

Quanto à economia, o tradicional na actual Europa. A luta entre o que fazer ao estado social e ao preço que ele cada vez mais tem nos orçamentos de estado e o tradicional défice. A maioria das propostas são as que estão em debate em Portugal sem qualquer novidade, embora Royal não consiga explicar onde vai buscar o dinheiro. Estranhamente por aquele lado ainda parece ser objectivo o pleno emprego e Sarkozy acredita no crescimento pelo aumento do consumo privado... Deve ser das economias de escala... Flexisegurança, duração do trabalho e as reformas também são temas que nos são muito próximos.

Nenhum faz a mais pequena ideia do que fazer à juventude e à lei do primeiro emprego.

O ambiente, pobrezinho, enche a boca dos candidatos mas parece que tudo passa por taxar os estrangeiros que poluem, números e mais números e a questão nuclear.

Uma discussão de dedo em riste sobre um tema que aparentemente não seria o principal do debate. O dramático exemplo de como a Turquia jamais entrará na União Europeia e de resto o que já sabíamos um pouco em todo o mundo sobre as ideias de imigração de cada um dos candidatos.

Alguns blogs franceses parecem indiciar que Royal pode ter ganho, e a sondagem do Le Monde também, especialmente por causa daquela coisa da imoralidade política, onde Royal mostrou as garras arrastou Sarkozy ao tapete e mordeu-lhe diversas vezes, no campo (que conhece melhor) da consciência social. Mas eu não estou convencido.

Royal perde estas eleições porque não fez a necessária ponte com uma França que se chega à direita, mas antes preferiu manter o dogmatismo de todas as bandeiras da esquerda, acabando por entrar inconsequentemente nos temas favoritos e nos fantasmas agitados pela direita, onde não está preparada e apenas pode perder por comparação. Sarkozy ganha porque conseguiu provar que afinal é mais do que o grande disciplinador dos imigrantes e da violência e que tem na realidade uma resposta para problemas mais vastos mantendo ainda assim o essencial do estado social.

A Europa ficará irremediavelmente condicionada pela agenda Sarkozy e a França bem se pode preparar para o aumento da contestação social.

quarta-feira, maio 02, 2007

Tarde demais

Quando alguém te liga ano sim, ano não, pelo teu aniversário, e termina todas as chamadas com uma expressão semelhante com: “temos de marcar um jantar para conversar...” é a garantia que já não estás ligado a essa pessoa o suficiente para que esse jantar alguma vez se realize.
É uma espécie de segredo em que todos colaboramos só para não levantarmos a ponta do véu de onde podem sair mágoas e questões mal resolvidas, que na realidade todos pretendemos evitar confrontar.
E daí talvez não. Talvez seja só porque essas pessoas nos lembram alguém que na realidade já não somos, e um tempo que não queremos recordar.

Finalmente

Confesso a minha perplexidade ao longo dos últimos anos em relação a algumas das posições adoptadas pela CGTP e por Carvalho da Silva.
Como ainda sou jovem, para mim até há pouco tempo só tinha havido um papa e basicamente só houve um líder da CGTP e as lutas e bandeiras também foram sempre as mesmas. Nunca houve um governo, um primeiro-ministro ou um partido no poder que alguma vez tenha agradado à CGTP e por isso mesmo as greves sucederam-se, as reuniões terminaram com o bater de porta e o murro na mesa tantas vezes, que poucos acordos (ou nenhum) assinaram.
Ontem finalmente ficou tudo mais claro para mim.
Em entrevista ao JN, Carvalho da Silva foi colocado perante a seguinte questão: “Qual foi para si o melhor Primeiro-Ministro pós 25 de Abril?”
Carvalho da Silva hesita mas responde de forma esclarecedora e sem espinhas: “Vasco Gonçalves”.
Afinal sempre houve alguém em que a CGTP se reviu, e que esclarecedora é esta escolha.

Back to work

Depois das férias que a meteorologia permitiu e dos quase 40º de febre durante vários dias (o delírio), volto ao trabalho.
A seu tempo e de acordo com o ritmo que for aparecendo, esta casa voltará a estar actualizada.

sexta-feira, abril 27, 2007

Tanto por fazer

Simpatizo com as causas que alegadamente defendem os manifestantes que terão procurado chegar à sede do PNR, ao fim do dia 25 de Abril. Tanto quanto discordo do folclore da sua indumentária, capuzes e cocktails molotov incluídos. Só servem a argumentação da PSP e nada mais.

Inclusivamente, cheguei a desfilar numa iniciativa semelhante no 1º de Maio de 1991. Dessa vez, as agressões (essencialmente verbais) vieram dos velhos sindicalistas da CGTP, visivelmente agastados com o tipo de vestuário, penteados e palavras de ordem dos “anarcas”...

Espero que as próximas reuniões destes ou de outros militantes de causas sejam manifestações de combate de ideias que prescindam de capuzes, barras de ferro, paus ou cocktails molotov. Caso contrário, só massaja os egos daqueles que teimam em equivaler os extremos da actividade política. Numa altura em que os nazis cá do burgo voltam a pôr a cebecinha de fora, nada como apresentar um reverso da medalha. Radical em tudo, menos nos aspectos violentos da acção política.

No DN de hoje, um artigo sobre essa manifestação, incorre num tipo de gaffe cada vez mais frequente...

A jornalista refere o seguinte:

“Entre a cerca de centena e meia de pessoas que se concentraram no Rossio (...) viam-se sobretudo jovens, muitos deles rastas, outros negros.”

Esqueceu-se de enumerar as cores do cabelo e das peças de roupa presentes... Mas é natural. A senhora jornalista deveria estar influenciada pelo sr.Aznar...

Horas depois dos eventos da baixa lisboeta, um senhor que foi corrido da presidência do governo espanhol por insistir que havia sido a ETA a responsável pelos atentados de Madrid, falou para “mais de uma centena de empresários, políticos e opinion makers”.

As pérolas que o DN destaca são várias. Destas, realço a alusão de que o “multiculturalismo” é a “negação da sociedade democrática”.

Tem toda a razão.

O multiculturalismo tem muito pouco a ver com a “democracia” de Bush Pai e Filho, Thatcher, Reagan e Blair, figuras destacadas pelo próprio Aznar.

Recusar o multiculturalismo é recusar a evolução da História da Humanidade. É nem sequer perceber que os Estados-Nação da actualidade são, quase todos, fruto de séculos de processos migratórios, mais ou menos pacíficos. A “Espanha” do senhor Aznar é, ela mesma, um bom exemplo. Enquanto subsistir como a conhecemos, a “Espanha” integra culturas tão diferentes como a basca ou a galega.

Vindo de alguém que se diz católico, admirador de Papas e democrata-cristão, este ataque ao multiculturalismo parece não ser outra coisa que um aval à lógica maniqueísta do Bush filho.

Jorge Sampaio, atenção a estes “democratas”. Não há diálogo entre civilizações com senhores destes. E, tal como eu, acredito que o Sr.Presidente deseje um mundo em que a função que agora vai exercer nem sequer seja necessária. E, já agora, em que nenhuma jornalista se lembre de frisar a cor da pele de manifestantes.

quinta-feira, abril 26, 2007

25 de Abril (na internet) - O Epilogo Final

Já na madrugada de 26 de Abril a Junta de Salvação Nacional comunica ao país o fim do regime, naquele que é o ultimo episódio do inicio desta revolução. Esta última expressão de Spinola (pluricontinental) seria o inicio de uma outra revolução...






Fontes: Wikipedia; Centro Documentação 25 de Abril - Universidade Coimbra; FNLA; O Portal da História; RTP; Bharat-Rakshak; PAIGC; Vidas Lusófonas; Youtube; Abrupto; Universidade de Miami (pela cadeira); O Leme; Infópédia (só para utilizadores registados); Instituto Camões; Universidade do Porto.

quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril (na internet) - Vitória

25 de Abril (na internet) - Quartel do Carmo

Após a incapacidade das forças do regime em acabar com o golpe, opondo-se às forças de Salgueiro Maia no Terreiro do Paço, o regime cai finalmente no Quartel do Carmo onde se refugiara Marcelo Caetano e alguns ministros.
Adelino Gomes comenta em directo um momento único da história de Portugal.
Spinola chega para receber a rendição de Marcelo Caetano que o pretenderam fazer a um oficial superior para que o poder não caisse na rua. Franscisco Sousa Tavares usufrui da nova liberdade com um megafone.




Fontes: Wikipedia; Centro Documentação 25 de Abril - Universidade Coimbra; FNLA; O Portal da História; RTP; Bharat-Rakshak; PAIGC; Vidas Lusófonas; Youtube; Abrupto; Universidade de Miami (pela cadeira); O Leme; Infópédia (só para utilizadores registados); Instituto Camões.

25 de Abril (na internet) - Uma manhã de Liberdade

De manhã o Jornal República, desde sempre conotado com os movimentos de contestação ao regime, anuncia o que já era uma realidade. Ainda decorriam momentos dramáticos no Terreiro do Paço com forças fiéis ao regime e uma fragata da Marinha ainda mantinha uma posição duvidosa no Tejo. A situação do resto do país não era totalmente clara, mas o triunfo da Revolução era inevitável.



Fontes: Wikipedia; Centro Documentação 25 de Abril - Universidade Coimbra; FNLA; O Portal da História; RTP; Bharat-Rakshak; PAIGC; Vidas Lusófonas; Youtube; Abrupto; Universidade de Miami (pela cadeira); O Leme; Infópédia (só para utilizadores registados); Instituto Camões; Universidade do Porto.


25 de Abril (na internet) - Daqui, posto de comando

Por todo o país, unidades militares aderem ao movimento dos capitães. Diversos comandates ameaçam resistir mas são detidos por oficiais mais novos. Assim que são explicados os objectivos do avanço sobre Lisboa, Sargentos e Praças aderem sem hesitações.
São tomados os primeiros objectivos considerados essenciais ao desenrolar da revolta militar.
A RTP, a Emissora Nacional, o Aeroporto da Portela e os Quartéis Generais das regiões militares de Lisboa e do Porto e a Casa da Moeda são tomados.
Às 03:56 forças afectas ao regime, que estavam a ser escutadas no Posto de Comando do movimento, referem "Concentração que avança sobre Lisboa"
Às 04:26 e tendo sido tomados a maioria dos objectivos estratégicos, é divulgado o primeiro comunicado do MFA, pela voz de Joaquim Furtado aos microfones do RCP.






Fontes: Wikipedia; Centro Documentação 25 de Abril - Universidade Coimbra; FNLA; O Portal da História; RTP; Bharat-Rakshak; PAIGC; Vidas Lusófonas; Youtube; Abrupto; Universidade de Miami (pela cadeira); O Leme; Infópédia (só para utilizadores registados); Instituto Camões.

25 de Abril (na internet) - 2ª Senha


terça-feira, abril 24, 2007

25 de Abril (na internet) - 1ª Senha

Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 «E Depois do Adeus».




Fontes: Wikipedia; Centro Documentação 25 de Abril - Universidade Coimbra; FNLA; O Portal da História; RTP; Bharat-Rakshak; PAIGC; Vidas Lusófonas; Youtube; Abrupto; Universidade de Miami (pela cadeira); O Leme; Infópédia (só para utilizadores registados); Instituto Camões.

O quarto de século do ZX Spectrum


25 de Abril (na internet) - Momentos finais de um regime

1973 tinha mal com a ocupação da Capela do Rato. Tornar-se-ia ainda mais complexo com o congresso da oposição democrática em Aveiro no mês de Abril.
Em Julho o regime comete a gaffe de facilitar o acesso de oficiais milicianos ao Quadro Permanente e lança o rastilho para o movimento dos capitães que a 9 de Setembro era formalmente constituído no Alentejo, numa reunião secreta, ainda sem Otelo Saraiva de Carvalho e ainda apenas com reivindicações militares. Também em Setembro (a 24) o PAIGC declara a independência da Guiné-Bissau.
No final do ano de 1973 existem rumores de um golpe militar da ultra direita do regime, encabeçada pelo General Kaúlza de Arriaga, que não chega a verificar-se.
Acossado pelo lançamento do livro “Portugal e o Futuro” em Fevereiro de 74, onde Spínola preconiza uma solução politica para o problema colonial, Marcelo Caetano vê-se obrigado a ratificar (como se fosse necessário) o apoio da Assembleia Nacional à sua politica ultramarina a 6 de Março de 1974.





A 16 de Março 1974 o Regimento de Infantaria das Caldas da Rainha tenta um golpe militar. Isolada, esta tentativa falha, mas é uma espécia de balão de ensaio para o 25 de Abril. Marcelo Caetano refere-se a ela naquela que será a sua última "conversa em família" a 28 de Março.



Otelo Saraiva de Carvalho ultima o Plano Geral de Operações a 15 de Abril e começa a distribuir tarefas e objectivos estratégicos entre: November (sector Norte); Charlie (Sector Centro) e Sierra (Sector Sul).

Dia 22 Otelo encontra-se com João Paulo Diniz, radialista do Rádio Clube Português e combinam a senha para a revolução. A hora da transmissão da senha é posteriomente alterada.

Dia 23 é escolhida a música "E depois do Adeus" de Paulo Carvalho para senha de que se avancará e a música "Grândola, Vila Morena" de Zeca Afonso no programa Limite da rádio Renascença para o inicio das operações. A primeira sugestão foi "Venham mais cinco" também de Zeca Afonso.

Dia 23 às 23:30 em Santarém, o Capitão Salgueiro Maia recebe as instruções finais da Marcha sobre Lisboa e verifica que é seguido de perto por agentes da PIDE/DGS num carro.

A revolução estava em marcha...

Fontes: Wikipedia; Centro Documentação 25 de Abril - Universidade Coimbra; FNLA; O Portal da História; RTP; Bharat-Rakshak; PAIGC; Vidas Lusófonas; Youtube; Abrupto; Universidade de Miami (pela cadeira); O Leme; Infópédia (só para utilizadores registados); Instituto Camões.

A inspecção

Com tanta gente incomodada ao ponto de se fazer um debate na televisão, isso só pode querer dizer que a ASAE está a trabalhar bem...

segunda-feira, abril 23, 2007

25 de Abril (na internet) - A cadeira

A 3 de Agosto de 1968, Salazar cai da cadeira, sofre um hematoma cerebral, seguido de posterior acidente vascular. No fundo fica um vegetal.
Ainda assim a classe politica dominante e o presidente Américo Tomás receiam substitui-lo à frente dos destinos do país. Como se receassem que ele pudesse recuperar completamente.


A 27 de Setembro desse mesmo ano, mais de um mês depois da queda, é substituído por Marcelo Caetano e a esperança dos portugueses na possibilidade de reformas politicas passa a chamar-se ”Primavera Marcelista”. São feitas diversas reformas sociais e políticas mas para a maioria dos portugueses nada muda. A politica ultramarina prossegue os seus intentos quando Marcelo Caetano visita as colónias e fica muito impressionado com as manifestações de apreço orquestradas pela DGS (novo nome da PIDE). Dirá à chegada a Lisboa que os africanos querem genuinamente continuar a ser portugueses.

O Ditador já não assistirá à queda do regime. Morre a 27 de Julho de 1970 convencido que ainda é Presidente do Conselho.




25 de Abril (na internet) - A censura

Palavras para quê? Exemplos mais que suficientes de como a censura seminarista e clerical, nas mãos de velhos militares e senhoras de bem das grandes famílias nacionais, desempenhava fielmente o papel do lápis azul e como a vida normal era totalmente incompatível com os interesses do regime.











domingo, abril 22, 2007

25 de Abril (na internet) - O discurso oficial e o país

Durante todo este período o país, ou melhor a metrópole, vivia encantada pelo regime com uma encenação épico-heróica da importância do país e das colónias.
Faziam e alimentavam heróis que sustentavam a politica ultramarina e a guerra.




E os portugueses para se distraírem do essencial eram gentilmente levados a acreditar que nos destacávamos dos demais, até porque havia bons exemplos disso. Eusébio, Amália e Fátima.

Só uma terra protegida por deus podia ter tão distintos filhos, que tão bem nos representavam nos relvados e nas salas de espectáculo de todo o mundo.

Mas a realidade era bem diferente. A aliar à extrema pobreza que existia principalmnete no interior do país que obrigava os portugueses a emigrar, a pressão da policia politica fazia sentir-se cada vez mais e o Tarrafal ia enchendo-se.

Bom exemplo desta realidade foi a campanha de Humberto Delgado em 58 que resultou numa gigantesca fraude eleitoral. Estas imagens pertencem a uma manifestação da oposição democrática, acompanhadas das palavras "justas" do senhor do costume.



A 13 de Fevereiro de 1965 o General Humberto Delgado é morto em Villa Nueva del Fresno pela PIDE, num grupo encabeçado por Rosa Casaco.
O regime não perdoou ao General o maior sobressalto de sempre antes da guerra colonial.
A frase "obviamente demito-o" valeu-lhe a morte numa vala qualquer, perto da fronteira portuguesa sem nunca conseguir regressar a Portugal.

quinta-feira, abril 19, 2007

A suprema hipocrisia

Um país que comete a obscenidade de ter um estado onde se permite a venda de alguns tipos de armas a maiores de 12 anos e a venda de todas as armas a partir dos 18, fica chocado perante a divulgação de um vídeo onde apenas existe violência verbal e simulada, ao ponto de censurar as obscenidades que nele são ditas.

Bolas, Edgar !!!


Chama-se Edgar e veio do Brasil na época natalícia. Poderia ter presenteado os portugueses ontem à noite. Faltavam poucos minutos para terminar o jogo e não conseguiu acertar na baliza do Sporting. Teria levado o Sporting-Beira Mar para prolongamento e o frente-a-frente entre os candidatos à liderança do CDS-PP para perto da meia-noite, horário bem mais adequado para um evento tão desinteressante e vazio.


Mas Edgar não quis estragar a coerência instalada nas estações televisivas em Portugal. Se o horário nobre se prolonga até depois da meia-noite com telenovelas, nada como uma boa novela com o Zé e o Paulo, para que o canal 1 pudesse concorrer com o “Tu e Eu” e a “Vingança”.

25 de Abril (na internet) - Guerra em três frentes

1962 começa com a tentativa de golpe militar sem êxito que tinha sido iniciada com o ataque ao quartel de Beja. Externamente aumenta a pressão das organizações internacionais e o ambiente de nações africanas entretanto independentes é hostil a Portugal.
Marcelo Caetano ainda não preside ao conselho de ministros mas preconiza pela primeira vez a solução do Estado Federal para o problema colonial, mas mais tarde abandona esta ideia.
Continua a guerra em Angola e surgem os primeiros indícios de desentendimento entre os movimentos angolanos de libertação.

Embarque de tropas portuguesas para Angola - Lisboa 1962

Em Portugal, a 24 de Março a proibição das comemorações do dia estudante fazem estalar a crise académica.
Ao longo do ano os dirigentes da Frelimo e do PAIGC (Amílcar Cabral) discursam em vários fóruns da ONU e alertam para a iminência de guerra neste territórios à semelhança do que já acontecia em Angola. Portugal recusa-se a responder aos comités da ONU sobre colonialismo.
A nova frente da Guerra Colonial prometida pelos dirigentes do PAIGC começaria a 23 de Janeiro de 1963 com um ataque ao quartel do exército na localidade de Tite. Aquela que se viria a revelar a mais difícil e crucial ao descontentamento dos militares
A 10 de Junho a necessidade propagandística do regime que necessita de alimentar a máquina colonial e manter os portugueses convencidos da importância da política ultramarina que tem vindo a ser seguida, é comemorado pela primeira vez o dia da raça em Lisboa. No final do ano iniciam-se operações militares em diversas zonas militares de Angola, ao contrário da Zona Militar Norte onde até ai se concentrava a acção dos movimentos de libertação.



Acampamento do PAIGC na selva Guineense - 1963


Em 1964, mais concretamente a 24 e 25 de Setembro, a FRELIMO ataca a Chai (uma espécie de posto administrativo português) e abre uma nova frente na Guerra Colonial que se irá prolongar a partir desse momento por mais dez anos.

Luta contra-subversiva do exército português em Moçambique - 1964


Fontes: Wikipedia; Centro Documentação 25 de Abril - Universidade Coimbra; FNLA; O Portal da História; RTP; Bharat-Rakshak; PAIGC; Vidas Lusófonas

quarta-feira, abril 18, 2007

"Uma questão de princípio"

Quebrando o processo de pesquisa para a minha rubrica dedicada ao 25 de Abril pela Internet, reproduzo aqui um post de Junho de 2006 porque o momento impõe e se para nada de melhor servir, pelo menos representa a minha opinião.

A democracia está permanentemente ameaçada pela arrogância daqueles que a imaginam eterna e por aqueles que se aproveitam dela para veicular ideias que na sua génese visam a sua destruição.
Mas a democracia é um conjunto de valores constitucionais à volta dos quais uma sociedade se organiza social e politicamente. Dessa forma é perfeitamente compreensível que uma sociedade não aceite, ou não tenha querido aceitar no momento da sua constituição, o princípio (ainda que democrático) de permitir ideologias que ameacem a continuação dessa mesma sociedade, tal como o fazem todas as ditaduras.
É um princípio de sobrevivência das sociedades democráticas contra aqueles que as pretendem destruir por oposição às sociedades ditatoriais onde estes mecanismos não servem para proteger a sociedade, mas sim o poder.
Não permitir formas de implosão auto-infligida não torna uma sociedade mais fraca. Apenas evita que ela possa ser destruída pelo interior com recurso aos instrumentos legais que as distinguem das ditaduras.

Eles andam aí


A web tem destas coisas. Por via da notícia da detenção de uns skins pela PJ, fui dar com a reacção do tal senhor do cartaz e, de seguida, com a alusão a um tal de Hervé Van Laethem.

Os dirigentes da jota do PNR destacam este personagem como um figurão que estará presente no concílio que decorrerá por cá no próximo sábado.

Fui ver quem era este senhor e descobri o suficiente para escrever umas coisitas mas nada como dar a voz ao próprio. Aliás, os próprios militantes do PNR compreenderão a minha preocupação. Afinal de contas, soube que um estrangeiro vem cá. Logo, convém saber de quem se trata...

"P: Que política consideras um exemplo a seguir?

R: O Partido Baas da Síria e do Iraque. O Baas é realmente um partido laico, socialista, anti-imperialista e nacionalista. Vi isso com os meus próprios olhos porque fui um “escudo humano” no Iraque, antes da agressão dos EUA em 2003. A maior parte dos nossos militantes tem também simpatia por Hugo Chávez.


Respostas Rápidas

Bélgica: País artificial que está a morrer.

FNB (Frente Nacional Belga): Trabalhamos juntos, mas não “dormimos” juntos.

NATO: Ocupação Militar da Europa.

Novopress: Informação Real.

Sérvia: Irmãos em luta.

Islão: Perigo na Europa, não é problema meu fora da Europa.

Vlaams Belang: Neo-Liberal, Sionista e pró-NATO.

Socialismo: Mentiras, corrupção, traição de trabalhadores. Só é bom quando está unido ao ponto de vista nacionalista (como o Partido Baas ou Chávez).

Nem Kippah, nem Keffiah: Boa regra que é contornada por alguns nacionalistas que são principalmente anti-islâmicos.

América: Inimigo Público nº1

Obrigado pelo teu tempo. Se quiseres dizer algo, estas são as tuas linhas livres…

Saudações a todos os camaradas - Europa, Juventude, Revolução. "


Nada mau para cartão de visita...

25 de Abril (na internet) - O princípio do fim

1961 é o annus horribilis para a paz podre em que Salazar mantinha Portugal depois do fim da segunda guerra mundial. Depois do episódio Santa Maria, aos poucos, e um pouco por todo o mundo português, o gigantesco castelo de cartas em que se baseava a nossa presença colonial no mundo, começa a ruir.
A 4 de Fevereiro o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) ataca a cadeia de Luanda e um posto da PSP, incidente que resulta na morte de sete policias.
A metrópole treme. O Portugal pluricontinental cumpre-se nas riquezas das colónias, onde Angola é a jóia da coroa. A metrópole e o regime tremem, mas vão tremer muito mais quando a 15 de Março de 1961 a União das Populações de Angola ataca pela madrugada explorações de colonos brancos do norte de Angola, matando centenas de colonos, assim como alguns angolanos que trabalhavam nas explorações. Daqui para a frente o regime passará a referir-se aos movimentos de libertação como os “terroristas”.
Em Portugal não restam alternativas. O conceito de províncias ultramarinas não permite qualquer outro caminho senão afrontar militarmente os movimentos de libertação angolanos. Multiplicam-se os ataques a populações isoladas e fazendas.


Treino da UPA no norte de Angola - 1961

Debelada a intentona de Botelho Moniz, Salazar assume a pasta da Defesa e a 14 de Abril na tomada de posse dos novos ministros justifica a remodelação pronunciando as famosas palavras: "A explicação é Angola, andar rapidamente e em força é o objectivo que vai por à prova a nossa capacidade de decisão" Tem início a guerra colonial e o regime caminha para o desfecho inevitável.
O ano não terminaria sem mais umas machadadas no regime salazarista.
A 1 de Agosto o Forte de São João Baptista de Ajudá é anexado pelo Daomé, actual Benim.

Bombardeamento à Radio Goa, controlada pelos portugueses - Dezembro 1961

A União Indiana de Nehru, aproveitando a confusão que entretanto se instalava em Angola e o clima de hostilidade na ONU contra Portugal, intima o regime para que abandone Goa, Damão e Diu, resquícios do Estado português da Índia, a 16 de Dezembro e a 17 inicia com 40.000 soldados a operação militar que leva à ocupação de Goa após uma resistência que se reduz a meia dúzia de tiros das forças portuguesas no território.
De Lisboa vem a informação: "Apenas pode haver soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos", mas a 19 de Dezembro as forças portuguesas rendem-se à União Indiana. De Lisboa as munições pedidas pelos militares em Goa tinham sido substituídas por chouriços, mas isso não impediu o regime de tentar manobrar diplomaticamente com países aliados na ONU e de constituir um governo fantoche (e ridículo) do Estado da Índia no inicio de 1962.



terça-feira, abril 17, 2007

25 de Abril (na internet)

Nos próximos dias, que antecipam o 33º aniversário do 25 de Abril, abre-se aqui uma rubrica totalmente dedicada à revolução de Abril e de que forma é possível vê-la através da Internet. Imagens, vídeos e páginas que explicam a história da Revolução de forma isenta, objectiva e desapaixonada. Ou se preferirem imagens e documentos que permitem refrescar a memória.
Que não nos colocam à esquerda ou à direita de ninguém, mas que nos permitem perceber melhor este magnifico momento de liberdade, que não pertence a ninguém, mas sim a todos.
A acompanhar a partir de amanhã.

Adivinha


O que Marques Mendes gostaria de ser quando for grande ?


a) José Sócrates (sem falhas de carácter)

b) Líder do PSD

c) Pedro Santana Lopes

d) O 5º elemento do "Gato Fedorento"

Apátrida

"Não há portugueses entre os mortos no tiroteio"
Este tipo de notícias é tão frequente quanto aquelas que destacam a nacionalidade/cor da pele de crimes cometidos no terreno pátrio - "Grupo de jovens africanos assalta banhistas na Praia do Calhau Branco".
Como se o crime e/ou a morte tivessem cor ou nacionalidade.

Este homem não acredita no controlo do défice


Dinheiro, feriados e concertos. Assim o Vaticano não vai convergir com a Europa...

segunda-feira, abril 16, 2007

A história repete-se

Ultimamente os tempos que vivemos, são tempos escuros e a história repete-se de uma forma assustadora. Estupidamente não conseguimos olhar para trás e de lá retirar qualquer lição para o presente e para o futuro.

O clone de Ataturk


A foto apresenta o actual chefe de governo turco, Recep Erdogan, junto de um retrato do fundador da República Turca, Mustafa Kemal Ataturk.


Parecem clones. Talvez seja por isso que é ilegal difamar Kemal Ataturk, apesar de este ter sido o responsável por transformar o antigo Império Otomano numa república laica. República esta que, quer se goste mais ou menos, é um exemplo de que islamismo e democracia não são propriamente inconciliáveis. Apesar da pena de morte, da repressão curda, etc...
A somar ao "etc" chegam agora as restrições de acesso a sites considerados insultuosos a Ataturk. E isto após o bloqueio de acesso ao Youtube, pela mesma razão...
Os que, nesta Europa, bradam pela não entrada dos "bárbaros turcos", estes exemplos vindos de Ancara vêm mesmo a calhar...

Polónia

A blogosfera, apesar de tudo, pode ser utilizada para fazer convergir pessoas sobre ideias e manifestações de defesa de princípios comuns a todos. É o caso da iniciativa que aqui se subscreve.
O Max do Devaneios lançou uma campanha à qual (como seu leitor habitual) não tenho qualquer dificuldade em aderir. Enviar um mail à embaixada polaca e solicitar a outros que o façam também. E porquê a embaixada polaca? Porque a Polónia vendeu caro a sua entrada para a União Europeia e agora que pertence, esqueceu totalmente os princípios que norteiam esta Europa, ignora os valores da democracia, a igualdade de oportunidades e os direitos humanos e alimenta extremismos vários, que encontram reflexo nos extremismos de outros países europeus.
Tudo sobre a liderança dos evil twins Kaczynski e dos seus amigos do partido das famílias polacas. Enquanto isso a União Europeia assobia para o lado enquanto vê crescer a perseguição a judeus, homossexuais, ex-comunistas e mulheres em nome de uma determinada purificação da sociedade polaca através do ensino do anti-semitismo e da homofobia.
Uma leitura atenta das etiquetas: anti-semitismo, extrema-direita, homofobia, polónia, xenofobia no Devaneios pode ajudar a compreender.
Embaixada da Polónia em Lisboa (politica.embpol@mail.telepac.pt).


"Exmo Sr Embaixador da Polónia,

Ciente do árduo percurso do Povo do seu país rumo a uma Democracia expurgada de totalitarismos como os que historicamente se abateram sobre a Polónia, é com genuína inquietação que assisto à implementação de medidas governativas tendentes a instaurar um clima de desrespeito pelos mais basilares Direitos Humanos. As soluções propugnadas pelo executivo de Varsóvia, ao terem como consequência o desrespeito pela liberdade de não prossecução de um dado credo, a perseguição de minorias sexuais e modelos familiares atípicos, assim como as sugestões vindas a público de uma proibição total do aborto ou, por outro lado, a apologia da pena de morte feita por alguns membros do Executivo que representa, traduzem uma divergência inaceitável com os valores que assumimos comuns nesta União Europeia.
Ciente que o Povo polaco, como outrora, saberá levantar-se contra a instauração da intolerância e do desrespeito pela dignidade humana, junto de vós lavro o presente protesto."

sexta-feira, abril 13, 2007

Mind the step

Não, por mais que pudesse preferir estar, a verdade é que não estou, em Londres. Não estou no metro, algures entre Picadilly e Marble Arch. Estou na linha de Sintra mas aqui já parece Londres. Mind the Step* ou melhor, Cuidado com o degrau, alto e bom som.

* - O original é um seco e repetitivo, Mind the gap, Mind the gap, Mind the gap