sábado, novembro 29, 2008

Não foi só a linguagem que se radicalizou...

A estética do partido também voltou a uma matriz Marxista-leninista...
O último P de PCP, que nos tem vindo a ser apresentado há vários anos em verde, já se perdeu para o vermelho.
Resta perguntar, para quando a pintura de um mural?

quinta-feira, novembro 27, 2008

Só pode ser uma brincadeira

Realmente só o facto de esta gente dos sindicatos não ter mesmo de avaliar ninguém, porque não dá aulas, é que torna possível conceber que os professores se auto-avaliem numa "reflexão sobre as condições em que exerce o processo de ensino".
Quem tem reais responsabilidades de avaliar outros e para mais é sério sobre a intenção de ser avaliado ou sobre a utilidade da avaliação, não pode conceber uma coisa destas.
Fico honestamente baralhado. Então a avaliação dos professores passa a ser uma auto-avaliação dos professores, ou uma avaliação da escola e muito provavelmente do governo?
É que pensava que para isso já tinham inventado as eleições.


Sindicatos propõem auto-avaliação acompanhada por pedagógico.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Marcelo 2009


O professor está de volta… já em 2009…
Pedro Passos Coelho já se deve ter mordido todo. Mas ainda pode haver esperança para Passos Coelho.
Alguém imagina que o professor se chega à frente se Sócrates renovar a maioria absoluta???

Ainda alguém pensa em justiça para a Casa Pia?

Essa é a única questão relevante. É possível nesta altura, quatro anos volvidos, saber se vai mesmo haver justiça no caso da Casa Pia?
Apesar de relevante parece não ser a preocupação de todos os que vêm falando sobre o assunto. Na comunicação social e um pouco por todo o país vai aumentando uma ideia de cansaço sobre este assunto e uma certeza que a justiça não se conseguirá fazer porque os endinheirados notáveis envolvidos nunca serão responsabilizados pelos seus crimes.
Ora esta ideia está totalmente enviesada. A justiça não se faz fora dos tribunais e não se cumpre com recurso a uma interpretação naturalmente abstracta da opinião pública. Todos aqueles que sendo objectivamente ilibados pelos tribunais terão sempre a pender sobre as suas cabeças um estigma de desconfiança e presunção de culpa que tornará as suas vidas e das suas famílias ainda mais insuportáveis do que já é.
Quatro anos depois, está irremediavelmente comprometido o papel e a imagem da justiça.


Toque de fininho

Cavaco acusou o toque que ao de leve lhe tem vindo a ser dado por alguma comunicação social. Muito ao de leve, que neste país ninguém parece estar disposto a imaginar mácula em Belém.
Ainda assim, Cavaco resolveu e bem, pôr fim à conversa.
Embora no caso do Governo não haja a mesma sensibilidade, sendo por vezes noticiadas desbragadamente as mais varaidas alarvidades, talvez fosse útil a Sócrates aprender alguma coisa com Cavaco e em vez de deixar arrastar conversas que ganham vida própria na internet ou nos jornais, pôr-lhe um ponto final de forma lacónica, o que a bem dizer não esclarece nada para Sócrates, como para Cavaco.


Mais do mesmo...

Está mesmo a ver-se onde isto vai dar. Está instalada a confusão e a desinformação sobre o caso BPN. Este vai ser mais um como a Casa Pia e como tantos outros casos mediáticos. O problema está em a comunicação social andar irremediavelmente à frente do crónico atraso da justiça. Na ausência de relevantes notícias provenientes dos tribunais, a comunicação social explora todos os pontos de vista e de repente não é o caso que faz notícia, o que seria correcto, mas outra coisa qualquer que ninguém percebe muito bem o que é.
Na ausência de uma abordagem séria, que poderia ser proporcionada por um sistema de justiça moderno, são notícia as tricas, o diz que disse, as preferências partidárias de uns e de outros, a independência do supervisor, tudo nessa luta aparentemente mais importante de quem se fica a rir no final.


sexta-feira, novembro 21, 2008

Damage control

O outro ainda nem aqueceu o banco da cela e já começou o lobby pelo presidente-de-banco-coitadinho-que-eu-até-conheço-pessoalmente-e-sei-ser-incapaz-de-tais-hediondos-actos-de-aproveitamento-pessoal.
Que estranha nova personalidade de Dias Loureiro. Ou tem um caso grave de dupla personalidade ou está velho. Este não é o Dias Loureiro que nos habituámos a ver. O outro era aguerrido e arrogante e o desta noite foi um cordeirinho.
Mesmo assim, que estranho este poder de Dias Loureiro. É recusado pelo parlamento (atenção, eu não estou a fazer juízos de valor porque acho que deve haver uma comissão de inquérito, mas não uma audição pedida por Dias Loureiro), e então arranja maneira de se passar pelo papel de infeliz que não sabia de quase nada do que se passava no banco, porque esteve muito mais ocupado com os negócios em Marrocos, e até já olhava meio de lado para aquilo, mas passando sempre aquela ideia de que o pobre do Oliveira e Costa era incapaz de se aproveitar do BPN.
Os tribunais logo dirão. Mas para mim começa a repetir-se excessivamente este corrupio de gente sempre disposta a pôr as mãos no fogo por alguém que conhece desde pequenino.
Vão todos logo a correr para as televisões, que continuamente se prestam ao serviço destas limpezas de imagem, e subitamente estão todos a fazer-nos a cabeça de forma que qualquer atraso da justiça possa ser justificado pela bandalheira a que este país chegou, para logo ser impossível que qualquer decisão dos tribunais comporte em si qualquer justiça para o acusado, que eles sempre souberam ser inocentes.
No meio disso aproveitam para justificar que o resultado da justiça segue o caminho da pressão dos média sem se recordarem ter sido eles os primeiros a utilizarem o meio para desculpabilizar os acusados.
Confuso? Não, o problema é que o país é demasiado pequeno, e classe política demasiado fechada e todos se conhecem desde de pequeninos como se fossem do Benfica.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Sem impacto

Não quero que subsista qualquer dúvida. Perante a afirmação do secretário geral do PSD sobre a descontextualização das afirmações de Manuela Ferreira Leite, li os blogs e os jornais, vi na RTP e ouvi no Rádio Clube.
Depois de tudo visto não consegui concluir qual é a descontextualização. Não nego que ela pode ter existido, mas a ter existido e toda a comunicação social ter alinhado por esconder a contextualização destas afirmações parece-me estranho, mesmo dentro do critério em que Manuela Ferreira Leite considera que a comunicação social não deve marcar a agenda política.
Mas não interessa, a baixa repercussão das declarações de MFL revelam principalmente a irrelevância que as suas afirmações têm neste momento.
Ninguém parece levar particularmente a sério as suas declarações ao ponto de se conseguir fazer um paralelo com o tempo em que o que se lhe criticava era o seu silêncio. Alguns chegam a preferir o silêncio e quase todos estão no PSD.
Nesta altura parece cada vez mais evidente que MFL vai ser o líder de transição que permitirá a um outro lider estar em estado de graça à porta das eleições.
Afinal a líder do PSD que pretendia ser ela esse lider em estado de graça na proximidade das eleições, mas que Menezes não permitiu que conseguisse esse objectivo, vai ter mesmo de ceder o seu lugar a Pedro Passos Coelho.

Arrogante

Esta mulher é uma arrogante. Imagine-se que teve a arrogância de corrigir ou tornal condicional as mais relevantes questões que levantava o processo de avaliação dos professores.

Arrogante...

Um dia destes ainda tem a suprema arrogância de suspender o processo de avaliação.

Pior, teve a arrogância de reconhecer o papel dos professores na reforma em curso...

terça-feira, novembro 18, 2008

Como???

Não sei se não é bom seis meses sem democracia??? Não sei se não é bom seis meses sem democracia???!!!! Mas que raio...

Bem, eu estou ocupado com uma recensão e até já tenho para mim que é melhor deixar a poeira assentar antes de escrever a quente... mas assim que se perceba bem em que contexto estas palavras foram ditas, teremos de voltar a este assunto...

Naturalmente...


Greve


Não há condições para se continuar a estudar neste país, com piquetes de greve como este :)

domingo, novembro 16, 2008

O papel dos jornalistas


Às vezes sentimo-nos pressionado a ter em conta que se demos 4 minutos ao candidato A, temos de dar 4 minutos ao candidato B. Depois o candidato A diz que está a chover e o candidato B diz que faz sol e limitamo-nos a passar essa mensagem.
O papel dos jornalistas deveria ser, olhar pela janela e confirmar que está sol e dizer que um dos candidatos está errado.


Campbell Brown (No Bias. No Bull in CNN) @ Daily Show with Jon Stewart

Na Califórnia como em Portugal...

sexta-feira, novembro 14, 2008

Paz social

Tem havido um claro desanuviamento da tensão nas escolas portuguesas, contribuindo para uma maior paz social. Os alunos deixaram de bater nos professores para passarem a bater na ministra e nos secretários de estado. Reina a paz na escola pública.


quinta-feira, novembro 13, 2008

É a crise...

Não gosto nada do caminho que isto leva quando este blog entra no modo "i told you so”, até porque não gosto nada de me repetir, mas é inevitável.
Senão comparem… Em Maio de 2006 escrevi o seguinte post:

Desculpe?!?

Será que ouvi bem? O governo vai assinar um protocolo para a exploração mineira em Aljustrel? Vamos ajudar a formar toda uma nova geração de mineiros para os desiludir daqui a 10 ou 15 anos?

Enganei-me, não foram 10 ou 15 anos e agora posso escrever i told you so, porque as minas de Aljustrel vão suspender a laboração e prepara as rescisões habituais de funcionários uma vez que vai entrar em “care and maintenance”…
Também mais lá para trás discutimos, uma ideia que continuo a manter, mas que provavelmente ainda teremos de discutir no futuro, que muitos dos apoios e isenções fiscais que visam atrair investimento estrangeiro acabam por resultar em jogos de soma nula para o país.
Este caso das minas de Aljustrel e Neves Corvo é um gritante exemplo disso.
O modelo de desenvolvimento de que tanto se fala nunca me pareceu que devesse estar suportado por mão-de-obra intensiva como a mineira e a de outros sectores, mas ainda assim o investimento de uma qualquer empresa mineira estrangeira lá se fez.
O que prova o encerramento das minas são duas coisas fundamentais:
Primeiro: O governo na sofreguidão por atrair investimento estrangeiro, qual panaceia para todos os males (já foi chão que deu, melhores, uvas) não avalia correctamente o potencial de criação de riqueza das áreas onde os investidores estão dispostos a apostar.
Segundo: O modelo de desenvolvimento português tarda em perceber-se objectivamente qual é.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Éticamente aceitável?

Eu avisei (se os meus amigos quiserem pesquisar lá mais para trás) quando foi aquilo da mão de obra barata na China, que afinal era em Portugal, que este senhor tinha de ser corrido porque já não estava a dar conta do recado. É preciso arranjar outra pessoa que esteja em contacto com a realidade, até porque este é um troca tintas.
Mas não me ouvem.... :)

Ar puro

O fumo dissipa-se e o ar que se respira vai ficando mais puro, quando o presidente eleito dos Estados Unidos se compara a um cão rafeiro na sua primeira conferência de imprensa...

É sempre bom lembrar...

Da colectânea de choques de realidade que vou tendo nos dias que correm... é sempre bom lembrar-me, como nota mental, que houve um tempo sem exames nacionais, os acetatos eram uma grande inovação tecnológica, em que as pessoas não se podiam conhecer pelo Hi5, e morangos com açúcar eram apenas uma sobremesa...
Mas há sempre um factor geracional de ligação... Também já se fumavam ganzas...
Curiosamente nunca tinha pensado na ganza com um elo de ligação entre gerações... enfim...

terça-feira, novembro 11, 2008

A outra autonomia

O Presidente tem dois pesos e duas medidas em relação às duas autonomias.
Enquanto é conivente em silêncio com a lenta degradação das instituições democráticas do arquipélago da Madeira, confirmando o famigerado défice democrático. Prestando-se a festas e passeios em que apenas alguns participam como é vontade do governo regional, no que toca aos Açores, insiste em não promulgar um diploma que a Assembleia da República insiste em votar unanimemente, embora alguns pareçam ser menos unânimes quando falam aos jornalistas, para não desagradar o Sr. presidente.
O problema é que Cavaco tem razão em pelo menos um dos aspectos que invocou.
Quanto a ele ou qualquer outro futuro Presidente ouvir, antes de dissolver o Parlamento Regional, várias entidades da região, embora possamos invocar (como faz Cavaco) que uma lei ordinária não deve limitar os poderes que a Constituição prevê serem da exclusiva competência do Presidente, é uma questão de somenos importância até porque o legislador apenas prevê colocar na lei algo que a mais elementar educação deve respeitar. Ouvir as instituições regionais sobre uma possível dissolução.
A Constituição não obriga, mas acabará sempre por ocorrer esta formalidade quanto mais não seja para cumprir calendário e é uma perda de tempo o PS insistir em manter a necessidade desta consulta.
Onde Cavaco tem razão é na oposição ao nº 2 do 140º Artigo do novo estatuto.
Podemos pensar as autonomias como entendermos, mas para já elas organizam-se como subordinadas ao todo nacional num equilíbrio institucional que se pretende saudável. Mas não é possível pensarmos neste relacionamento à luz dos actuais responsáveis das pastas em Lisboa e nos Açores. Os actuais responsáveis de algumas autonomias e o que muitas vezes se diz, já nos deveriam pôr de pé atrás, mas a Assembleia da República abdicar do seu direito de rever o estatuto no futuro, limitando-se a confirmar as alterações por iniciativa legislativa regional, pode querer fazer reflectir o mais nobre principio dos açorianos se regerem a si próprios, mas alguns dirão que isso se chama independência.
Ainda que naturalmente não seja esse o objectivo dos açorianos ou até dos madeirenses, além do Jaime Ramos, este articulado do novo estatuto pode vir a criar graves problemas institucionais entre as ilhas e o continente e acabar por criar uma situação de bloqueio em que a Assembleia Legislativa Regional e Assembleia da República não se entendam quanto a uma alteração de estatuto e legalmente nenhuma se pode impor à outra.