quinta-feira, outubro 12, 2006

olhares do campo - carta a um amigo

“A carta. Hoje entrou em descrédito ou ao menos em decadência (...) Tudo gira em velocidade e a carta é tão lenta. (...) E o tempo e trabalho que exige escrevê-la. E que esforço para decifrar nos sinais os mais legíveis. Porque ler é mobilizar em nós todas as faculdades activas. O entendimento a memória a imaginação. Uma carta. Um impensável só pensável na lentidão genesíaca do carro de bois. E na intimidade da candeia de azeite...”
Vergílio Ferreira – Escrever (130)

Amigo:

Escrevo-te da janela de onde avisto o longe, espraiado nos campos em que jaz agora o restolho. De um lugar onde, diz-se, o tempo se suspende, os ritmos se transformam e o vagar irrompe. Um lugar diferente, o campo. Mas será mesmo assim?
Às linhas irregulares dos blocos de betão, que vislumbras da tua janela, opõe-se aqui a linha aberta e infinita do horizonte. Por momentos pergunto-me se por isso se pode abrir um abismo entre os nossos modos de olhar.
Mas quantas vezes olhámos de forma diferente as coisas e quantas as olhámos como que com os mesmos olhos? De umas e de outras vezes partilhámos os nossos olhares e apenas isso basta, amigo.
Pela escrita vou de novo ao teu encontro, procuro que cruzemos os nossos olhares uma vez mais. Recomeço um caminho nunca terminado. Do campo à cidade?
Do campo à cidade vão todas as diferenças e semelhanças que quisermos encontrar, sem sabermos se nos lugares, se em nós mesmos...
Anoitece já sobre a janela de onde avisto o campo. No horizonte escuro apenas as chamas breves das queimadas em que arde o restolho. No campo ou na cidade, amigo, talvez seja sempre assim. Os sinais do fim talvez mais não sejam que prenúncio de um novo recomeço. Depois da noite haverá de amanhecer. Amanhã é um novo dia. E nós voltaremos a encontrar-nos por aí.
Um abraço, amigo!

Solitariedades - Futebóis 1

11 de Outubro de 2006 – Pouco antes das 21 horas - Canal 1 da televisão pública portuguesa, serviço público ao vivo e a cores. Jogava o que a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) decidiu baptizar como "Clube Portugal". A equipa que representa a FPF perdia com a congénere polaca por 2-0. Os dois golos sofridos nos primeiros vinte minutos de jogo fizeram recuar os polacos que continham os portugueses e procuravam saír em contra-ataque. O 3-0 polaco estava mais próximo que o 1-2 português. Foi neste contexto que se ouviu um dos relatadores-comentadores-especialistas dizer algo como "Cristiano Ronaldo não deve estar bem fisicamente. Caso contrário, já teria feito das suas". Pois claro... O recém-entronizado príncipe do nosso futebol só poderia estar mal fisicamente. Afinal de contas, que outra explicação permitiria justificar a sua pálida exibição ?? Lá está... Somos todos Marie Roberts...

Solitariedades - Um pai excepcional

A declaração seguinte é de Marie Roberts, casada com Charles Carl Roberts IV, o homem de 32 anos que alvejou estudantes de uma escola Amish. A tradução do inglês não ignora o essencial da mensagem:

"O homem que fez isto hoje não foi o Charlie com quem casei há quase 10 anos. O meu marido era amoroso e atencioso – tudo o que se pode desejar e mais ainda. Era um Pai excepcional. Levava as crianças aos treinos e aos jogos de futebol, jogava com eles no quintal e levava a nossa filha de 7 anos às compras. Ele nunca se recusou a mudar uma fralda q uando lhe pedia."

A declaração termina com um voto de pesar pelas vidas perdidas. Esta foi a primeira reacção pública após o acontecimento trágico perpetrado pelo marido. Poder-se-á dizer que foi o estado de choque de Marie a falar mais alto. No entanto, não surpreenderia se fosse apenas mais um humaníssimo caso de recusar as evidências. É tão duro ver os aspectos sombrios de quem nos está próximo que se torna comum construir mentiras limpas. Marie falou de Charles como uma jovem apaixonada fala do seu namorado às amigas ou uma Mãe fala das traquinices dos filhos... Quando não se protege da complexa verdade, pinta-se a dita com tons bem rosados...

Solitariedades - Convite feito, desafio aceite

Quando me convidaram para escrever no Suburbano, e apesar de ter aceite sem grandes hesitações, logo comecei a questionar-me. Primeiro foi a questão do título da rubrica. A resposta que dei a esta questão pretende resumir este desafio… Mas… Escrever o quê, como, para quê ?? Que pretensão esta de escrever algo que qualquer pessoa poderá ler... Questões complicadas para uma resposta fácil – escrever o que me apetecer sem assumir qualquer pretensão, para lá das óbvias. O que vier a escrever no Suburbano procurará ser reflexo apenas e só das minhas ideias, opiniões, dúvidas, devaneios…

Algumas palavras para quem me estiver a ler neste momento. O facto de não assumir este convite com qualquer tipo de pretensão, não me torna insensível a quem me possa vir a ler. Pelo contrário, apesar da Blogoesfera ser um espaço de liberdade em que é permitida a expressão de todos e de tudo, considero o simples facto de ser lido como um privilégio imenso que procurarei fazer por merecer.

2 anos suburbanos

Dois anos depois ainda aqui ando. Hoje festejo mais uma espécie de carreira blogger com dois anos, (se é que isto se pode dizer) do que o aniversário de um blog com dois anos.
Afinal foi neste último ano que o pobrezinho sitio ganhou mais visitas, e eu me obriguei a ser um escritor mais regular. Além disso desde o ano passado vieram a surgir projectos que me fizeram sair das fronteiras físicas do Suburbano, tomar conhecimento da realidade da blogoesfera, conhecer novas pessoas e discutir novas ideias.
O Eleito foi uma grande experiência proporcionada pelos dolosos Pedro e David, que mais tarde me convidaram a integrar o projecto dos dois, O Dolo Eventual. Mais recente iniciou-se a minha participação no As Canções dos Meus Dias a convite do meu bom amigo Nuno Guronsan.
Tudo iniciativas em que tive e tenho enorme gosto em participar, muito embora o tempo seja um bem demasiado escasso e a imaginação por vezes o acompanhe.
Neste último ano passaram por aqui mais cerca de 10690 pessoas do que no primeiro ano, que leram mais 18870 páginas, tendo eu escrito mais 668 posts além dos 260 que comemorava há um ano atrás.
É pouco… especialmente porque há blogs com dois ou três meses com milhares de visitas de um dia para o outro só porque aparecem lá umas gajas nuas… não dá para perceber :)
Por isso mesmo e porque insisto em não deixar esta coisa morrer, continuarei empenhado nos projectos em que me envolvi com o Pedro, o David e agora a Cláudia, assim como com o Guronsan, (já não tenho mais vagas), mas pretendo continuar a escrever aqui no Suburbano e a inovar sempre que possível.
Por isso, aparecem dois convidados que à sua discricionária vontade aqui vão participar assinando duas rubricas. Eles já estão ali no espaço Contributors. São de sua graça pouremuz e no_campo (eles é que escolheram…)
A orientação na escolha de tão distintos convidados, foi trazer para a blogosesfera, amigos com quem partilho ideias mas também algumas discussões, baseado no pressuposto que neste momento não escreviam em lado nenhum.
Por isso espero que vão continuando fiéis a este vosso pequeno espaço suburbano, pelo menos enquanto houver tempo e disponibilidade para continuar.
Obrigado a Todos

terça-feira, outubro 10, 2006

Modo Offline

Devido a alterações de conteúdo, proporcionadas pelo aniversário deste subúrbio, estaremos em modo offline nas próximas vinte e poucas horas. Desde já fica o convite para uma visita a partir de dia 12 com novos membros e novo template.

Inclusão "at last"

Amanhã a rua dos meus pais, no Cacém, vai ser incluída…. Por isso é que se estão a limpar as ruas a fazer umas obras de última hora, e a retirar uns carros abandonados que não reflectem a verdadeira essência do bairro…

P.S: Também já há mais polícia do que nos últimos três anos… imagino amanhã...

Há coisas fantásticas

Apenas um ano e meio depois de terem aparecido, são adquiridos por 1.650 milhões de dólares. É normal que haja alguma euforia para os lados da YouTube. Afinal estamos a falar de uma empresa com apenas 65 colaboradores que é comprada por um gigante da Internet mas consegue manter a sua identidade e a sua capacidade de inovação. Parecia que os bons momentos do Nasdaq tinham passado, mas aparentemente ainda há espaço para inovação e crescimento exponencial neste mercado, sem ser na sombra dos tubarões da indústria.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Contra os fantasmas, marchar marchar

Pegando numa questão que longe de ser polémica, mas que acabará por fazer o seu percurso pela blogoesfera, não me parece essencial a alteração do hino nacional.
Aliás é uma questão de somenos importância num país em que importa mudar tantas coisas.
Entendamos da forma que quisermos um hino nacional, mas são os hinos que fazem os países ou os países que fazem os hinos?
Pois, o nosso é bélico e vem de um tempo em que a belicosidade do povo português já era um pouco tonta e disparatada. Mas houvesse ou não bretões, um hino acaba quase sempre por resultar numa interpretação do período em que foi feito, olhando sempre para trás na procura de referências históricas. Pode mesmo dizer-se que temos um hino republicano inspirado na estética epíco-trágica da monarquia.
Não é difícil, se para tal quisermos fazer o esforço, entender a belicosidade como uma metáfora para os desafios que o país enfrenta e poderá enfrentar no futuro. Mudar a marcha contra os canhões, implicaria e só faria sentido, perante uma mudança mais vasta e complexa do hino que lhe apagasse um certo registo fadista pelo império.
É verdade que “debaixo da bandeira e ao som do hino já se fez a saudação nazi assim como já se fizeram juras de revolução operária à mesma batida” mas isso apenas pode querer dizer que, ou o hino mantêm uma estranha actualidade ou então temos dificuldade em encerrar ciclos políticos que aos poucos vão acumulando vestígios.
Mas uma coisa é certa, um hino tem de reflectir uma realidade colectiva com a qual o povo que se propõe representar se identifique. E a epopeia marítima, tenha ou não uma importância efectiva nos dias de hoje, aconteceu e terá sido das poucas coisas com jeito que acabámos por fazer. No fundo a nossa marcha actual pode não ser contra bretões e canhões, acaba por ser contra fantasmas do passado que insistimos em reviver.

domingo, outubro 08, 2006

4 casamentos depois...

... e encontrei uma nova alma gémea.
Depois de ter andado metido com o Vodka Limão, o Whiskie Cola e com a Caipirinha, descobri o Gin Fizz.
Acho que vamos ser muito felizes daqui para a frente.



Além disso é fácil de fazer...

Ingredientes:
4 cl. de Gin
1 cl. de sumo de limão natural
1 pacotinho de açucar
Água castelo
Gelo

Preparação:
No shaker com gelo juntar o Gin, o sumo e o açucar, bata durante 15 segundos.
Sirva com 6 pedras de gelo e adicione água castelo.

Um agradecimento especial ao Hugo Silva e à Cocktailteam, sem os quais este encontro não teria sido possível :)

sábado, outubro 07, 2006

Os clandestinos

O tema da imigração está desde há muito na agenda. Muito mais do que gostaríamos de admitir. Não fosse a memória curta a impedir-nos de raciocinar e talvez percebêssemos que o mundo inteiro é resultado das mais espantosas migrações. Somos todos, quase sem excepção, resultado de uma migração de alguém num qualquer passado longínquo resolveu sair do sítio onde vivia para se instalar noutro lado. Aqui em Portugal somos resultado dos desejos de um estrangeiro que por aqui se fixou, ainda temos laços de sangue com os que de nós se resolveram fixar noutras paragens longínquas desde o século XIX e somos netos e filhos de uma geração que também resolveu partir à procura de uma vida melhor. Hoje em dia somos o sítio “melhor” onde muita gente optou por se fixar, o que nos obriga a pensar sobre o fenómeno das migrações.
Temos milhentos pontos de vista sobre os imigrantes, quase sempre extremados por um desconhecimento da realidade global que afecta a nossa sociedade e a sociedade dos imigrantes. Sim, isso mesmo. A nossa e a deles. Vivemos em sociedades separadas e é nos pontos de contacto que surgem os conflitos. Não sabemos ou não queremos saber quem são, nem onde estão. Onde vivem, nem o que fazem. É muito mais confortável afastá-los da vista que tentar perceber esta nova realidade. Não frequentamos os mesmos transportes, pelo menos às mesmas horas. Não temos os mesmos empregos. Não frequentamos os meus restaurantes nem os mesmos centros comerciais. Não compramos nas mesmas lojas, à excepção das lojas dos chineses, não vestimos as mesmas roupas, não entendemos o que dizem, não gostamos do que comem, nem entendemos as religiões que professam. Estas são as razões que nos levam a desconfiar dos imigrantes num país mal habituado a comportamentos alternativos sejam eles de portugueses ou de estrangeiros.
Infelizmente a maioria das opiniões sobre este assunto resume-se a duas. Ou as portas se abrem de par em par para toda a gente entrar, ou então se mete toda esta gente num barco com pão e água e volta tudo lá para África, para o Kosovo ou para o Brasil. 500 anos de evangelização missionária não poderiam ter resultado noutros pensamentos mais católicos.
Ora importa fazer um reconhecimento fundamental sobre toda esta gente. A esmagadora maioria pretende trabalhar. Trabalhar para proporcionar às suas familias uma vida melhor aqui ou nos seus países de origem. Só sobre o reconhecimento do direito ao trabalho com direitos e deveres é possível estruturar uma política de imigração que permita tornar comuns os pontos de contacto de que falava atrás e devolver normalidade à relação dos portugueses com os estrangeiros, não alimentando a exclusão e guettização.
Não é preciso muito para perceber que o aproveitamento ilegítimo das condições precárias de trabalho dos imigrantes perturba o normal funcionamento do mercado de trabalho, fazendo em alguns sectores decrescer o preço/valor do trabalho e facilitando o enchimento de alguns... Mas dizer-se que estes roubam empregos de portugueses não passa de uma vulgar falácia sem sentido que na maior parte das vezes se refere a uma série de figuras que de facto podem não pensar em trabalhar, mas que na realidade até nem são imigrantes... O que acontece é que ao contrário de outros países europeus, não estávamos preparados para esta realidade. Não tínhamos ainda a mão de obra qualificada que criasse compartimentos estanques entre as actividades dos portugueses e as actividades a que se dedicariam os imigrantes. Não tínhamos e continuamos a não ter. O que de certa forma até é bom. Mas daí a necessidade da regularização do trabalho.
Noutro aspecto, o fenómeno da violência parece estar fortemente ligado à imigração. Pelo menos da forma como a coisa nos é apresentada pela comunicação social. Mas concretamente estamos a falar do quê? Estamos a falar de uma criminalidade de rua, por vezes bastante violenta, de pequenos furtos a pessoas excepcionalmente fragilizadas como mulheres, idosos e jovens, ou outros quando actuando em grupo. Aliás o grupo, ou o gang, é um dos maiores pesadelos que temos vindo a alimentar. A actividade destes grupos que atacam esporadicamente pessoas com grande violência, mas que geralmente se dedicam ao vandalismo impune, são um problema que veio com os imigrantes? Não, foi agravado com a presença dos imigrantes? Talvez. Ele é resultado de um problema social que sucessivas politicas, de sucessivos governos, tardaram e tardam em abordar, numa espécie de deixa andar que se tornou um caso de polícia sobre o qual agora também se demitem de resolver. É um problema de segurança pública e um Estado não se pode dar ao luxo de ter uma policia que não quer entrar em determinadas zonas, apesar de espantosamente o conseguir fazer sempre que vão as câmaras atrás. Outra vertente da violência associada à imigração está na prostituição e em actividades que lhe estão associadas como o tráfico de droga. Ora, é verdade que grande parte do Boom deste sector se deve à imigração ilegal. Até dou de barato que haja imigrantes que prefiram manter a ilegalidade neste sector, mas quero crer que a generalidade dos clientes deste mercado não são outros imigrantes. Logo se os imigrantes estão cá mal, as brasileiras boazonas estão cá bem? Parece estranho, tão mais estranho porque nos permitimos a olhar para o lado perante casos de escravidão sexual e tráfico de mulheres porque encaramos que no fundo as brasileiras, romenas ou croatas é que são umas grandes vacas. Logo, não faz mal nenhum em ir às meninas porque é quase solidariedade social. São as contradições em que gostamos de viver.
Mas isto já vai longo. Ficam por referir os problemas do acesso à habitação, a reconciliação familliar, a naturalização e outros. Talvez num outro post. No fundo o que eu pretendo com este gigantesco post é esclarecer que é redutor ver este assunto com fundamentalismos seja qual for a sua origem. Não podemos receber toda a gente, mas também não conseguiriamos fazer tudo o que se tem feito neste país, sem muitos deles. É o bom senso que geralmente nos faz falta. O que me parece essencial é que se criem regras moralizadoras, pois estamos a falar de pessoas e não de mercadorias. Pessoas que podem e devem ter o seu lugar e contribuir tal como nós para o sucesso deste país. Afinal o sucesso desta chafarica é também o sucesso da escolha que fizeram para a sua vida. O que me parece essencial, é o Estado fazer o papel que lhe compete para que todos possamos saber qual a real dimensão do que no dia a dia insistimos em discutir. É fundamental que a esmagadora maioria das pessoas que simplesmente querem organizar as suas vidas não estejam à mercê de gente sem escrúpulos, e que possam respeitar e ser respeitados por todos. É essencial que percebamos que estas pessoas têm rostos e vidas próprias que se calhar até nem são assim tão diferentes das nossas e por isso o destaque a estes mexicanos, nestas fotos de Dulce Pínzon, que os retrata como heróis da cultura norte-americana e cultura popular mexicana. Heróis num dia a dia difícil, na clandestinidade que os países em que trabalham à décadas os forçaram a manter.

A oportunidade perfeita

Então como é? A entrevista do Nobre Guedes já foi ontem à noite e o congresso extraordinário do CDS ainda não foi marcado? O Ribeiro e Castro vai perder esta excelente oportunidade de se re-re-re-confirmar?

sexta-feira, outubro 06, 2006

Post deliberadamente acrítico

Uma urgência deve pertencer a uns portugueses em detrimento de outros, ou é um princípio democrático todos os portugueses criticarem o funcionamento da sua urgência?

terça-feira, outubro 03, 2006

Por vezes os fins justificam os meios

É defensável por alguém que um carro que se pôs em fuga, após ter sido mandado parar por uma operação Stop, não possa ser retido por meio de disparos de armas de fogo?
Ou será imaginável que durante uma perseguição as forças de segurança escrevam cartolinas com cores vivas que perguntem: "É só alcool ou trazem alguma substância ou material ilicito na vossa viatura?"
Aos que os respectivos fugitivos responderiam: "É só copos, podem ir-se embora…"

Uma dica...


Não, um deles não é a Alemanha...

Descubra as diferenças

Descubra as diferenças. Estes dois muros pertencem a países diferentes mas que defendem a mesma politica. Estes muros foram criados para protecção deste tipo de terroristas que insiste em tentar passar para o outro lado.
Estes muros dentro de algum tempo irão ter a mesma altura e as mesmas características e os povos que irão viver fechados dentro deles vão sentir-se muito mais protegidos.
Estes países "irmãos" vão continuar a ter os mesmos terroristas mal intencionados, mas a sua paisagem ficará grandemente favorecida. De que países tão semelhantes estamos a falar?

segunda-feira, outubro 02, 2006

O Maior

Noutro registo, que eu considero menos interessante e até inútil, a RTP também tem uma iniciativa que tem por objectivo eleger o “maior” português de um lote de grandes portugueses.
Embora isto seja totalmente inócuo gosto de considerar que os portugueses valem pelo seu conjunto ou pela sua individualidade.
O que é que eu quero dizer com isto. Muitos dos grandes portugueses não teriam conseguido o seu reconhecimento sozinhos e outros génios da cultura portuguesa vingaram contra o seu próprio país e as suas gentes e devem a si próprio o reconhecimento que alcançaram.
Por isso considero que talvez se deva eleger o Eusébio e deixar os outros em paz.

O Portugal de...

Sou frequentemente acusado de ter a mania de racionalizar tudo. De não reservar espaço aos cinzentos que aqui e ali pontua as nossas vidas. De imaginar tudo em preto e branco.
Tenho uma notícia para todos… já foi muitíssimo pior e pura e simplesmente não imaginava que alguma coisa que para mim fosse lógica pudesse ser refutada por algum argumento igualmente válido… e depois cresci.
E ao longo do meu crescimento tenho retirado prazer da discussão e das ideias diferentes e pontos de vista diferentes. Em especial sobre o nosso país…
É isso que a RTP nos propõe a partir de amanhã à noite. Durante doze semanas vamos poder assistir às opiniões de 12 portugueses de origens e convicções diferentes sobre o País e sobre todos nós enquanto povo, entidade cultural que caracteriza a identidade portuguesa.
Uma excelente proposta que certamente dará azo a uns quantos textos por aqui….

Requalificar

Segue em frente o projecto de uma espécie de POLIS para a Cova da Moura.
E apesar dos previsíveis protestos que resultarão de demolição de casas, deverá valer a pena requalificar, reorganizar e aproveitar uma zona caracterizada pela criminalidade e pelo vandalismo.
Gosto de acreditar que também existirão boas pessoas na Cova da Moura, até porque sempre vivi no Cacém e já muito boa gente me perguntou se não era perigoso viver aqui. Tal como aqui à porta se acumula a lama, ela não fará mal na Cova da Moura.
Aliás, o investimento em zonas problemáticas, que não passe apenas por uma limpeza e uns jardins infantis que alguém acaba por destruir na primeira semana, são sementes que podem florescer num mar de oportunidades que pode ser criado, numa zona que funciona ao mesmo tempo de guetto e refúgio para muitos. São medidas de fundo que podem criar pontes para comunidades marginalizadas devolvendo-as à normalidade das relações com os restantes.
É de esperar que os planos de pormenor revelem mais dados, mas para a conclusão da obra teremos de esperar por 2012.

Óleo de amêndoas doces

Não pretendo esticar-me sobre o assunto da OPA, até porque ainda vamos falar muito deste assunto porque ele está longe de estar concluído.
Apenas para observar que para a autoridade da concorrência, que anteriormente não se tinha lembrado de forçar o incumbente (PT) a fazer alterações significativas para liberalizar o mercado, o faz agora na sequência de uma OPA ao incumbente.
Em primeiro lugar a Autoridade da concorrência assina a sua própria incompetência ao longo dos anos, reconhecendo a falha na regulamentação correcta do mercado de telecomunicações que nunca se propôs corrigir por iniciativa própria.
Segundo atribui ao sector móvel que naturalmente é o no futuro se irá expandir mais, o preço a pagar pela liberalização do sector fixo.
Não se entende como os supostos remédios podem ser caracterizados pela Sonae como óleo de fígado de bacalhau, é nada mais do que óleo de amêndoas doces.
A autoridade da concorrência aceita a fusão Optimus/TMN que cria um único player no mercado com 65% do mercado, assumindo o papel anteriormente pertencente ao incumbente. Disfarçando esta operação com a possibilidade, obviamente suicida, de entrar um terceiro operador no mercado com a licença que agora fica livre.
Além disso cria-se uma situação concorrencial totalmente artificial no fixo. A separação do cobre do cabo que poderá trazer vantagens aos consumidores, apenas se realizará numa óptica de outros operadores que pretendam criar ofertas competitivas numa das redes que a Sonae tiver de vender.
A título de exemplo, caso a Sonae opte por manter a rede de cobre e por vender o cabo, a lógica fusão PT multimédia/NOVIS/Clix vai ficar com 95% do mercado ADSL.
É desta forma que se liberaliza o mercado?

quinta-feira, setembro 28, 2006

The Reason Why

Infelizmente temos uma enorme tendência para nos esquecermos da história... Tudo resumido em 90 segundos parece ser suficiente para se perceber a confusão. No final uma sugestão...



Via: O Jumento

Casa cheia

Ontem foi dia de casa cheia nesta vossa pequena estalagem suburbana. Pela primeira vez em quase dois anos houve 80 visitas num só dia.

A sorte de ser o 80º, calhou a um distinto visitante italiano da cidade de Chieri, na provincia de Piemonte, que veio ao Suburbano pesquisar comboios (podia lá ser outra coisa).

Mais concretamente o post Material Circulante, colocado em Outubro de 2005, na sequência de um concurso da CP para uma viagem no famoso Expresso do Oriente.

Não ficou muito tempo, mas o que conta é a intenção :)

Re: Inventar a justiça

É simplesmente extraordinário como o objecto de uma investigação obtido no decurso de uma busca considerada ilegal possa ser passível de destruição por ordem doutro tribunal numa inédita medida a que chamaria "melhor de dois".
Afinal os computadores eram dois. O juiz decidiu a destruição do disco rígido de um deles, quando na realidade, outro juiz decidiu que eles não poderiam ser abertos.
Então façamos um jogo, atira-se dois pc's ao ar. Aquele que cair no chão tem de ver o seu disco rígido destruído e o que ficou na secretária pode ser devolvido ao seu dono. O juiz espera ter tido a sorte de mandar destruir o computador certo, mas a sorte pode ser madrasta.
Ora, querem fazer-nos crer que se por acaso fosse moeda falsa e/ou droga ela não poderia igualmente ser devolvida ao seu anterior proprietário, mas não só este argumento se torna absurdo com a destruição de apenas um dos computadores como a posse e a utilização de computadores portáteis ainda não se tornou ilegal. Logo porque não podem ser restituídos os dois computadores tal como estão desde o dia em que os inspectores da Judite disseram: “levante essas mãos do teclado”?
Não há respostas, faz tudo parte do processo de reinvenção da justiça pelos próprios.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Coliseu de Elvas!!!!

Coliseu de Elvas??? Não se enganaram???
Não conheço bem Elvas, mas a ultima vez que lá estive fiquei com a ligeira impressão que talvez fosse útil pensar noutras coisas antes de um coliseu...
Mas não parece ser essa a ideia do autarca que dará nome ao Coliseu (onde é que eu já vi isto?? ahhh foi em Marco de Canaveses, mas era um estádio).
Além disso vai haver uma inauguração pomposa. Parece que esta espécie de praça de touros/sala de espectáculos polivalente está destinada a um qualquer show traje de luces/bimbalhada do La Féria que desta vez se chama mesmo festa ibérica, vá lá alguém perceber porquê.
Se a ideia é viabilizar o sítio com imensas vacadas e espectáculos transfronteiriços dos nuestros hermanos ali de Badajoz, então é melhor esperarem sentados.
Só pode ter uma ideia absurda como essa quem nunca foi a Badajoz, nem para uns caramillos.
Badajoz é uma cidade, Elvas não passa de uma aldeia na comparação.

Dedos especiais


A blogoesfera é um natural reflexo da sociedade, onde nem sempre as ideias são brilhantes, e a inovação não é propriamente uma constante.
Por isso é sempre importante chamar a atenção para aqueles que se destacam pela originalidade e pela qualidade.
É o caso do Foram-se os anéis - Um sítio onde tudo é contado pelos dedos.
Aqui tudo é explicado com muito humor pelos dedos de uma mão. Visita obrigatória.

Os livros

"Os livros não deveriam ser editados com o nome do autor... Assim acabavam-se as vaidades e evitava-se que essa gente toda da televisão escrevesse esses resíduos sólidos que vendem muito."

António Lobo Antunes

segunda-feira, setembro 25, 2006

Os pipis lá da rua

Fonte: ABC.es - Este senhor ali do lado esquerdo é o Presidente de Portugal e mais à frente a sua esposa.

Cavaco Silva iniciou hoje uma visita a Espanha ofuscada pelo dia do Guerreiro Basco e mais tarde pelo anúncio que vem mais um infante ou infanta (para desgosto dos mais tradicionalistas) a caminho.
Numa justaposição entre a visita de Sócrates ao Brasil e a de Cavaco a Espanha, a imprensa deste dois países que julgamos próximos e historicamente ligados, ignorou totalmente estas duas visitas.
Em Portugal falou-se muito sobre a comitiva imperial que se deslocou ao Brasil, como se fosse a ultima grande oportunidade de fortalecer as relações entre os dois países, mas o interesse relacionado com o escândalo permanente em que se tornaram as eleições brasileiras não permitiu que quase ninguém percebesse que Sócrates estava por lá apesar do jogging no calçadão, e acabou por voltar de mãos vazias.
Cavaco vai a Espanha e apesar da invulgar e desinteressante entrevista (invulgar porque nenhum jornal português teve ainda esse privilégio e desinteressante porque apenas confirma as frases feitas a que já nos habituou) ao El pais, e Cavaco teria passado completamente ao lado da informação espanhola, cujos principais jornais deram prioridade a outros assuntos.
Apesar disso, e hoje à noite o Prós e Contras será disso um exemplo, deste lado da fronteira continuamos a brincar ao suposto federalismo e a tentar ver-lhe vantagens e defeitos quando em Espanha isso não é sequer assunto no que toca a Portugal mas sim às diversas nacionalidades espanholas.
Espanha tem o relacionamento que quer com Portugal e com os restantes países da união. É respeitada internacionalmente e sofre um grande desenvolvimento económico em que Portugal e os outros também ajudam, e não tem interesse nenhum em saber se aos portugueses agrada ou não terem os espanhóis como vizinhos. Era o que mais faltava que fossem os espanhóis a dizer-nos como deviamos ser um todo nacional, mas parece que queremos urgentemente que eles resolvam esse nosso problema.
Nós continuamos a não compreender que estamos casados com a Europa e por acaso Espanha é nossa vizinha, mas também faz parte da Europa que resolvemos integrar. Ainda assim, continuamos, felizes, a reinventar o fado do papão espanhol a quem demos um valente pontapé no cú há uns séculos atrás.
É triste o estado a que chegámos por incúria dos nossos governantes. Ninguém lhes liga em Portugal e muito menos no estrangeiro. Não conseguimos estar à altura dos países onde supostamente as relações históricas nos poderiam ajudar, e tudo acaba por se resumir aos gadgets com software made in Portugal com o preço dos pipis nos restaurantes lá da travessa do Possolo, que o nosso presidente pode dar ao único espanhol que realmente se importa com Portugal, que é o rei Juan Carlos.
Espanha pode ser uma prioridade, mas não é compreensível que nos portemos em relação aos espanhóis de forma estupidamente complexada como o fazemos. Espanha pode ser uma porta aberta desde que a saibamos utilizar e não uma ameaça como alguns querem alimentar até porque se fosse uma ameaça, não haveria muito que pudéssemos fazer, pois não?

POLIS oblige

É o início do fim da minha vida normal...
Daqui para a frente, e durante largos meses, só de galochas se conseguirá o acesso a minha casa...Vou comprar umas.
Mas qual o melhor estilo para o Cacém? :)

O papel principal

Discutir a eventual morte de Ossama Bin Laden é tão importante quanto a pressa dos líderes mundiais em dizer que nada confirma a sua morte e que para eles Bin Laden está vivo e de boa saúde.
Bin Laden é mais um peão que um líder nesta história mal contada do terrorismo internacional, mas serve um determinado propósito. É importante que exista um rosto, uma face visível do terrorismo que nos permita a nós ocidentais sabermos com quem é que afinal estamos a lutar.
Para as nossas consciências colectivas e para a nossa comunicação social seria impossível acreditar numa luta em abstracto contra gente que apenas reconheceríamos no momento (nem sempre televisionado) em que se fazem rebentar em qualquer transporte ou local público.
Lutar contra um inimigo sem rosto é muitíssimo pior do que saber que Bin Laden está vivo e de boa saúde mesmo que o seu papel actual não seja tão relevante como no passado.
Para a administração Bush é fundamental que Bin Laden viva, e muito menos que morra de tifo. Se Bin laden tiver morrido de uma qualquer doença de terceiro mundo isso representa uma enorme derrota para a estratégia da guerra contra o terrorismo e todas as opiniões públicas ocidentais se irão questionar sobre a utilidade desta guerra quando afinal os atentados continuarem com o suposto líder morto.
Pertence a Bin Laden o papel principal nesta guerra e todos queremos que assim continue.

domingo, setembro 24, 2006

Reflexões de fim de semana sobre as pessoas

Há coisas que nunca mudam... e pessoas que mudam demais.
É legítimo. Afinal todos nós a cada momento da nossa vida somos ao mesmo tempo correspondência directa com o que fomos no passado.
É justo. Cada um de nós vê-se frequentemente na encruzilhada de saber o que é melhor para a sua vida.
É simples. Independentemente das circunstâncias que unem as pessoas a vida fá-las seguir caminhos diferentes.
E daí e talvez não...

sábado, setembro 23, 2006

O milagre da multiplicação das facturas

Foi milagre. Não há qualquer dúvida. Aliás tem tudo o que é necessário para mais tarde o Papa beatificar Souto Moura.
Ou seja, não há qualquer justificação científico-criminal que aparentemente possa explicar o aparecimento das facturas detalhadas no 24Horas, logo se é inexplicável é porque é milagre.
Não questionamos a justiça (aqui está o dogma), nem a certeza das suas decisões.
Van Krieken foi o vidente a quem foi revelada a verdade pela divina providência, que contra ventos e marés sofreu e aparentemente continua a transportar as chagas dos mártires até ao final do julgamento. Mas no final será também beatificado no altar do jornalismo livre.
O demónio que tenta a justiça são todos os outros jornalistas, mal intencionados que pretendem questionar o mistério da fé.
Esperamos que o próximo pastor seja pelo menos mais rápido...

sexta-feira, setembro 22, 2006

Bom fim de semana

Já estamos de fim de semana.

Desta vez deve ser um pouco mais húmido do que estamos habituados até porque com os calores deste verão já nos fizeram esquecer que havia de chegar a chuva. E chegou, mesmo no dia em que o Outono começou.

Como sugestão para este fim de semana temos a PETfil para quem gosta de animais.

Divirtam-se.
(credo, este post ficou terrivelmente fofinho... blarghhh)

Boas razões para não ver o próximo Prós e Contras


Estes dois, e o eterno assunto da Ibéria que já deve ter dado para seis programas destes.

Avó

Estava aqui a preparar um daqueles textos que geralmente servem para exorcizar coisas mais pessoais, o que nem sempre resulta muito bem comigo.
Mas como o texto acabaria por ser mais doloroso para mim, do que interesse teria para os restantes, resolvi não o fazer.
Prefiro dizer apenas que embora tenhas partido há seis anos, não há um único dia em que não me recorde de ti.
Fazes-me muita falta.

quinta-feira, setembro 21, 2006

A minha sentida Homenagem ao Blogger



Neste dia em que subitamente a morte se abateu sobre o sistema que permitia "postar" fotografias neste e noutros blogs, gostaria de expressar a minha sentida homenagem utilizando o sistema de postagem por e-mail da Flickr.com (a Yahoo! company), que aparentemente consegue saltar por cima das dificuldades do Blogger.

Momento pró-americano do dia

Toda a gente séria deste mundo sabe que a guerra contra o terrorismo é na realidade uma guerra contra a barbárie, pela democratização do mundo, onde forças obscuras do mal querem prevalecer sobre o bem.
Seguindo esta linha de raciocinio, o Paquistão está longe de ser uma democracia. Por isso o Pervez é melhor ficar caladinho, pois a longa tradição americana de amizades que mais tarde se tornam inimigos, pode voltar-se contra o seu regime.

Allô??

- O chefe não está.
- Foi ao Compromisso Portugal e já não deve voltar hoje.
- Quer deixar recado?

Conspiro que me farto

Esta sim é a verdadeira teoria de conspiração, preparemo-nos todos para a chegada dos homenzinhos verdes com antenas e trombas em vez de bocas.
A NASA está simplesmente a abrir caminho para a maior revelação de sempre. Desta vez foi só uma amostra mas na realidade eles já estão entre nós... :)

quarta-feira, setembro 20, 2006

Entretanto na Rua da Escola Politécnica

Como sempre, e por questões de cortesia e justa expectativa, as pessoas nomeadas têm sempre um passado brilhante, um perfil isento e os melhores valores que um homem pode alcançar.
Souto Moura deve ter recebido as mesmas felicitações dos mesmos que agora elogiam Fernando Pinto Monteiro.
O problema está em que o ainda PGR interpretou o seu papel de uma forma mais interventora e não percebeu que os serviços que tutelava não tinham a flexibilidade e a rapidez exigida a uma criminalidade cada vez mais complexa, e muitas vezes acabou por ficar sem argumentos e sem razões que acompanhassem os seus entusiasmos iniciais.
De Pinto Monteiro espera-se muito. Provavelmente muito mais do que o próprio poderá alguma vez alcançar. O seu principal papel será na reorganização da casa e provavelmente a visibilidade do cargo não será a mesma. Mas essa é uma tarefa para a qual o poder político tem de estar disponível pois os procuradores gerais não fazem milagres.

O miolo europeu

A Europa faz-se cada vez mais de dentro para fora esquecendo as especificidades de cada um dos países que a compõem. Estou cada vez mais convencido que o papel da União Europeia se define pelo que conseguir fazer em termos de politica externa do que em termos de politica interna.
Já quase ninguém se lembra do Líbano, mas esse foi o ultimo exemplo (aliás falhado, com uma ajuda considerável da França), em que a União tentou demonstrar que se trata de um verdadeiro projecto sólido mantendo uma posição coesa nas responsabilidades de uma força para o sul do Líbano. Não fossem as dificuldades em organizar essa força e até pareceria que éramos muito coesos e éramos um verdadeiro bloco a ter em conta.
O problema é que um projecto como o Europeu não pode viver de aparências e principalmente não pode viver refém dos interesses flutuantes das maiorias eleitorais dos países mais ricos.
Isso não vai ajudar à construção de uma base económica forte, comum a todos, não vai permitir afirmar que a Europa é um espaço de liberdade e de valores, e não vai deixar que sejamos um exemplo a seguir pela restante comunidade internacional.
O caso da Hungria está ai para o comprovar. Pela primeira vez um país que alegadamente conseguiu ultrapassar os rigorosíssimos critérios de adesão à União, vê-se envolvido em manifestações violentas nas suas ruas pela demissão de um governo alegadamente mentiroso.
A comissão Europeia e a generalidade dos deputados devem estar perplexos, mas a verdade é que não foi possível evitar os acontecimentos em Budapeste e ninguém sabe o que é que estiveram a fazer até aqui as agências europeias responsáveis pelo processo de integração. Não houve até agora qualquer iniciativa europeia ou comunicado para esclarecer o que realmente se passou e de que forma as autoridades húngaras podem ser ajudadas a ultrapassar as dificuldades em que o país se encontra. Não há reacção e para um país com apenas dois anos de adesão, estar nesta situação é capaz de não ser bom para o papel que a União espera desempenhar.
São estas falhas que não irão permitir que sejamos um exemplo para ninguém.

Ele já aí anda


Pelo segundo ano consecutivo os furacões resolvem dar uma volta por este lado do Atlântico. Parece que gostaram de aparecer por estas bandas. Esperemos que acabem por não gostar da nossa tradicional hospitalidade, mas se este ano também voltar a nevar... pode ser que as coisas estejam mesmo a mudar mais do que pensávamos...

O mito

Este senhor anda a ver se consegue transformar-se num mito. Num daqueles que volta do nevoeiro para ocupar um qualquer lugar para o qual o povo chame por ele.
Já está outra vez de malas aviadas para Bruxelas, se é que as chegou a desfazer. Isto da pequena política interna é muito maçador e continuam por satisfazer todas as expectativas criadas neste país sobre a sua pessoa.
Se de facto ele sabe que não poderá corresponder às expectativas então só resta esperar que resista ao apelos quando voltar a haver nevoeiro.

terça-feira, setembro 19, 2006

"Outage"

Não desapareci... O blogger é que não está a colaborar. Diz que o meu servidor está em "outage"... Só consigo escrever via telémovel. Melhores dias virão...

domingo, setembro 17, 2006

Coisas da Sábado fora de tempo ou o erro de Pacheco Pereira

É claramente abusivo para não dizer maçador o número de vezes que a RTP já passou documentários sobre o 11 de Setembro e em particular o documentário que alimenta a teoria da conspiração acerca dos atentados – Loose Change.
Apesar de concordar por princípio em não aceitar tudo conforme me apresentam e apesar de ter perdido, nos últimos cinco anos, qualquer expectativa de realmente se estar a travar uma luta contra o terrorismo, o documentário em causa tem incongruências graves que uma análise superficial rapidamente reconhece.
Ainda assim, coloca questões científicas interessantes:

- Como se espera acreditar que um avião inteiro seja reduzido a pó em temperaturas inferiores aquelas que provocariam a fusão dos seus materiais, mas ainda assim conseguir identificar-se o ADN dos seus passageiros?

- Porque razão o nível de estragos não é equivalente à destruição provocada pelo mesmo tipo de objecto noutras circunstâncias?

- Como é possível que dois edifícios com cento e tal andares se desfaçam até ao nível do chão em 10 segundos, quando foram atingidos em apenas 8 dos seus andares?

- Como foi possível existirem diversas chamadas de telefones móveis dos aviões sequestrados, tendo em conta que na altura os aviões não estavam equipados com essa tecnologia, e muitos ainda não estão?

Entre outras questões validas, como a relação que todos calculamos existir entre os Estados Unidos e Bin Laden desde a invasão Soviética do Afeganistão.

O problema não está em colocar as questões, está em tirar conclusões que não são suportadas por provas. O documentário é suportado com base nas conclusões que à priori os seus realizadores já possuem. É por vezes confuso e narrado em tom jocoso, e acaba por se enrolar em algumas incoerências.
Em primeiro lugar os factos. A generalidade dos factos, são interpretados de forma a suportar uma única conclusão e não deixar qualquer possibilidade de poderem ser interpretados de forma a que alguém independente pudesse chegar a outra conclusão.
O caso mais flagrante é quando são indiciadas movimentações anteriores ao 11 de Setembro que segundo os realizadores indiciam que havia pessoas que sabiam da preparação dos atentados e que por isso não se teriam deslocado de avião, ou teriam comprado ou vendido acções. Não há qualquer entrevista ou qualquer facto que suporte estas afirmações.
Mais, todos os relatos apresentados só se referem aos que consubstanciam a teoria da conspiração e nunca revelam o que os restantes relatos informam. É como se subitamente tivessem sido ouvidas 15000 pessoas (certamente terão sido milhares) e por alguma razão completamente estranha ao espectador, apenas devemos acreditar em 6 que referem terem visto coisas e acontecimentos que mais ninguém viu.
Outra incoerência surge na exploração da ideia de que as torres caem perante a existência de mais explosões. Não consegui perceber quantas tal é a confusão em que se enrola o documentário nesta parte. Ouvem-se cassetes de vozes de bombeiros a referir não poderem progredir devido a uma segunda explosão. Ouve-se uma gravação áudio de uma reunião em que após o impacto inicial do primeiro avião fica registada, 9 segundos depois, uma segunda explosão tão ou mais forte que a primeira, e a única pessoa entrevistada em todo o documentário (um porteiro) refere que primeiro ouviu uma explosão na cave onde imaginou tratar-se de um gerador e só posteriormente ouviu uma explosão nos andares superiores, que seria então o impacto de um avião.
Ora, além de estas informações serem contraditórias, não são compatíveis com a presença de bombeiros dentro da torre, pois não conseguiriam lá chegar em 9 segundos. Então a que explosões se referem os bombeiros?
Tenta fazer-se crer que houve uma demolição controlada das torres, apesar dos dados apontados em nada se assemelharem às demolições que o próprio documentário apresenta, só porque uma pessoa, uma única pessoa, declarou ter visto clarões e um som crepitante indicativo de demolições controladas.
Onde é que estavam todas as outras pessoas que se encontravam em quarteirões próximos da baixa de Manhattan e que não viram e não ouviram nada semelhante?
Estou convencido que se o acaso não tivesse permitido que dezenas, senão centenas, de cadeias de televisão, tivessem transmitido em directo os ataques às torres, e estariamos hoje a discutir se tinham mesmo sido aviões a embater nas torres.
Pacheco Pereira, ao longo dos últimos dias e também na última Sábado, fala sobre a criminalização das vítimas perante este embuste da teoria da conspiração que compara aos tipos que escrevem a negar o Holocausto (é melhor pôr aqui uma maiúscula…).
Mas Pacheco Pereira está errado quanto às conclusões que retira na sua opinião. Segundo ele a RTP não pode, ou não deve, tornar sérios este tipo de documentários em comparação com os outros sérios que divulgou ao longo da semana. Para Pacheco Pereira a RTP não pode contribuir para o branqueamento da história sem dar a este documentário um enquadramento próprio que não deu aos restantes documentários.
Pacheco Pereira erra por várias razões. A teoria da conspiração é a torre gémea da democracia (já cá faltava...). Ela só existe porque vivemos em democracia e é o exercício dessa democracia que permite à RTP transmitir esse e outros documentários e fazê-los acompanhar de debates onde inclusivamente o Pacheco Pereira participou. A memória das vítimas só pode sair honrada pelo esclarecimento cabal destas teorias e nada melhor para o fazer que a sua exposição pública.
É o exercício dessa democracia que me permite a mim, não alimentar teorias de conspiração baseadas num qualquer obscuro vídeo na Internet e que por último me permite escrever este post desmistificando a informação que anteriormente me tinha chegado sobre estas supostas teorias. E tudo isto porque a RTP transmitiu esse documentário e eu o pude ver e analisar.

sábado, setembro 16, 2006

Eu tentei

Eu tentei. Mas é legítimo que um gajo que passou a semana toda a trabalhar, queira dormir até mais tarde e que acabe por só sair de casa depois do almoço.
Por isso não consegui comprar o "Sol"... Vai uma grande escuridão na minha vida :)
De qualquer forma dei uma volta pelo site que me pareceu bem organizado, embora com menos informação do que provavelmente terá o jornal e muito menos do que geralmente acontece com o site do Expresso.
Tem a interessante possibilidade de se fazer registo e aceder a um blog e à colocação de comentários, assim como participar nos fóruns. Este vosso amigo claro que já lá está registado...

Lados

O movimento dos não-alinhados ainda faz algum sentido? É que a maioria dos países que o compõem parecem ser um bloco muito bem alinhado, onde o discurso por um mundo melhor e mais justo, parece perder-se na demonstração dos arsenais nucleares.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Kandahar

Já se defendeu aqui (lá mais para baixo) a necessidade de um exército que se quer profissional, participar em missões de carácter humanitário/manutenção de paz em tempos de paz no seu território de origem. Apesar disso também já se fizeram juízos de valor sobre a oportunidade/legitimidade de intervenções militares em países estrangeiros por razões nem sempre totalmente claras, que depois, através de processos inexplicáveis passam a ser responsabilidade da comunidade internacional ou associações de defesa comum.
Acho que Portugal pode, e se calhar até deve, estar presente no Afeganistão porque apesar da estupidez que tudo isto me possa parecer, o povo do Afeganistão não pediu nada disto e pode querer aproveitar a oportunidade para mudar um país destruído por décadas de conflitos.
O que não me parece razoável é deixar-se passar a ideia de que a mudança do contingente português de Kabul para Kandahar é algo da mais completa normalidade militar e que nada mudou na intervenção da Nato neste país.
Kandahar não é Kabul. No Afeganistão, ao contrário do Iraque, a capital é a zona mais segura do país e Kandahar fica na zona sul, mais próximo da fronteira com o Paquistão, perto das montanhas onde se disputa ferozmente com os talibãs.
Não é razoável que a maioria dos meios de comunicação social portugueses tenham passado ao lado da alteração substancial do papel da Nato no Afeganistão, que os mais atentos já repararam entrou numa fase de reforço e confrontação directa com os militantes talibã nas montanhas.
Não é razoável que não nos seja esclarecido pelo governo que esta transferência de militares portugueses faz parte de um aumento do número de militares da Nato envolvidos em operações no sul do país, e não é aceitável que nos queriam fazer crer que tudo isto é muito natural.
A meu ver existem motivos de preocupação acrescidos e convêm que o país esteja preparado para eles. E isso só se consegue com transparência na informação veiculada.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Mar vermelho já tem inquilino


Foi inaugurada hoje a nova sede da Agência Europeia de Segurança Marítima, no edifício Mar Vermelho, no Parque das nações.
Esta não é uma foto original do edifício, mas sim a sua versão computorizada. Nesta não se conseguem ver os enormes vasos de manjericos (entre outros) que ornamentam estas varandas...
Vamos ver se a deslocalização de Bruxelas para Lisboa vai ajudar a prevenir casos como o do Prestige.

De volta ao TGV

No fim-de-semana falava com um amigo sobre a viabilidade económica do TGV numa expectativa de crescimento do mercado ferroviário vs preços das companhias aéreas low cost. Claro que não o fizemos desta forma circunspecta e cinzenta à laia de prós e contras.
Como ambos partilhamos do gosto pelas viagens tivemos conhecimento de uma nova companhia aéreas (a Clickair), subsidiária da Ibéria, que se propõe a fazer viagens de Lisboa para Barcelona por 5€ mais taxas. Qualquer coisa do tipo: menos de 30€ ir e vir para Barcelona e outros destinos.
Já anteriormente falei aqui do TGV. Sou a favor da construção do comboio rápido, pelo menos no que toca à ligação prioritária a Madrid e daí ao resto a Europa, mas não a qualquer preço.
Antes de mais, na altura em que escrevi este post, julgava ser importante tomar uma decisão definitiva. Ou se faz ou não se faz. E acabar de uma vez por todas com a discussão estéril sobre que tipo de meios de transporte o país vai ter para se ligar ao resto do mundo.
Tinha dito anteriormente que a ligação, ou melhor, as ligações ferroviárias que temos a Espanha são no mínimo tristes. Uma pequena amostra do que poderá ser uma descida aos infernos.
Logo, actualmente não existe mercado que suporte uma expectativa de crescimento do tráfego ferroviário que leve a justificar o TGV, a não ser que o fenómeno da introdução de um novo conceito de viagem ferroviária atraia um mercado próprio, ao ponto do investimento se pagar a si próprio.
Disse que a criação de uma linha de TGV a Madrid insere-se numa lógica europeia de ligações transfronteiriças e que o valor a pagar era comparticipado em grande medida por fundos europeus tal como acontece em relação a outros projectos que a comissão europeia pretende tornar comuns ao espaço da União.
No entanto parece que pelo menos a possibilidade de inserir o projecto da linha Lisboa-Porto já não vai beneficiar de qualquer apoio especial para as redes transeuropeias e por isso é preciso repensar se faz sentido ter apenas a ligação Lisboa-Madrid por TGV, se a ela não corresponderem outras ligações dentro do país como a de Lisboa- Porto. Isto porque a existência de uma rede nacional é complementar à ligação internacional e pode em grande medida facilitar a sua viabilização económica.
Continuo a concordar com a existência de uma linha entre Lisboa-Madrid que nos permita estar ligados ao resto da Europa, mas a não subsidiação directa de um projecto nacional de TGV obriga a repensar o investimento ferroviário no país e o próprio mapa ferroviário, de que forma este se possa ligar ao TGV.
Depois tudo o que se disse o TGV vai voltar à discussão e está relançada a polémica sobre o projecto. Uma coisa é certa, a culpa é de todos os governos portugueses que se atrasaram nesta matéria.

terça-feira, setembro 12, 2006

Ficheiros Secretos

As obras em Lisboa estão a atingir um estatuto de x-file. Não daqueles ficheiros secretos à moda da Scully e do Mulder mas secretos porque ninguém sabe onde são, quando começam, e se começam quando é que acabam.
Cada vez que Carmona tenta refazer, mexer ou alterar uma obra, é sinal que ela na realidade está parada, embargada, não licenciada ou adiada sine die.
Afinal o Parque Mayer e o projecto Frank O. Gehry ainda mexe, não se sabe é para onde.


O projecto vai sofrer mais uma alteração quando todos pensávamos que já estava morto. Agora para passar a incluir o teatro Capitólio classificado recentemente por uma organização internacional como património arquitectónico em risco.
A alteração do projecto vai custar 120.000 euros mas de acordo com o autarca não se vai gastar um tostão com a construção... estes 120.000 mais os anteriores são do bolso de Carmona...
É o estado da capital e nem sequer ainda começou a polémica que promete arrasar o projecto de Norman Foster para Santos.

Touché

Às vezes procuro conforto nas palavras dos outros que de forma melhor expressam sentimentos que eu também tenho.
É o caso do anónimo do costume aqui do burgo e neste caso também no Dolo.
Como comentário a este meu post no Dolo, o anónimo costumeiro deixou esta frase que resume todo o pensamento doutrinal do novo século americano...
"A segurança é a torre gémea da liberdade" :)


Update das14:43 - Confundi erradamente a expressão de Sua Excelência com uma ironia do caríssimo anónimo do costume. Corrigido o erro preferia ter continuado a achar que era uma ironia do anónimo do que um excerto da carta (nada irónica) enviada ao Bush. Pelos vistos o nosso Presidente acredita mesmo que "A segurança é a torre gémea da liberdade"... Resta perceber que segurança e como se relacionam as duas.

Pacto na justiça (4)

Afinal o pacto é na justiça. Mas atenção!!! Não é na justiça toda... Aquela parte da corrupção está a correr tão bem que não vale a pena mexer. Acenamos aos inspectores com promoções por número de condenações e já está.
No fundo todos sabemos que esta gente da "Judite" é muito preguiçosa e só não há mais condenações porque ninguém antes se tinha lembrado desta medida estruturante das promoções.
Para quando mais pactos como este, apoiados e fomentados pelo Sr. Presidente à imagem dos inúmeros pactos alcançados pelos seus governos?

Viva

Viva a visão maniqueísta do mundo. Agora basta passar pelo Pingo Doce e ver o que está em promoção. A escolha é simples: ou escolhemos o lado dos bons ou dos maus. Ou escolhemos apoiar ou ser inimigo. É nisso que se transformou a liberdade de escolha.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Naquele dia...

...ainda estava calor e eu começava a ficar farto de andar de gravata. Tinha almoçado e chegava a hora de voltar para a formação. Apertei a gravata de volta ao seu lugar original, vesti o casaco e voltei para a sala. Como quase sempre cheguei antes de todos os formandos. Sentei-me, abri uns mails, tirei umas notas sobre assuntos que não me queria esquecer de passar à tarde e os formandos começaram a entrar.
Dois ou três minutos depois da hora prevista já estavam todos nos lugares e por isso era altura de eu me levantar. Disse boa tarde, liguei o LCD e comecei a falar sobre ciclos de facturação aplicados a pré-pagos quando uma formanda me interrompe.
Não tinha nada a ver com a formação (segundo a própria), franzi um sobrolho à espera do disparate que aí vinha e ela de forma simples diz ao grupo: “José desculpe, mas parece que bateu um avião contra o World Trade Center.” Inicialmente achei estranho, mas numa tentativa (muito comum em mim) de racionalizar as coisas, tentei acalmar o grupo e dizer-lhes que é natural que alguma avioneta se tenha descontrolado, tal como no passado já tinha acontecido no Empire State Building.
Fui ao meu computador, entrei no site da CNN e de repente percebi que não se tratava de uma avioneta mas sim de um avião comercial. Não podia ser, algo tinha de ter corrido muito mal para que um avião comercial tivesse atingido uma das torres gémeas numa zona onde não era suposto estar. Mas pensei – acidentes acontecem em todo o mundo e apesar da visibilidade, era apenas mais um trágico acidente que iria abrir os telejornais nessa noite. Era preciso continuar. O grupo estava agitado, mas foi preciso voltar ao trabalho. Prossegui com o tinha planeado, recuperando as notas que tinha escrevinhado na hora do almoço. Segui esclarecendo dúvidas sobre facturação e carregamentos, mas não voltei a fechar a página da CNN, que tinha pedido aos formandos para fecharem.
Ainda assim a agitação era inevitável. O grupo era composto por gente muito nova para quem estas coisas porque razões que não conseguia descortinar, tinham muito impacto, mas afinal também tinha em mim. Acordámos que eu próprio os manteria a par das notícias, mas que íamos ter de continuar com a matéria.
Tinham passado uns 30m do momento inicial em que recebemos a notícia do choque de um avião comercial no WTC. Aproveitei uma pausa para beber água, sentei-me e fiz um refresh à página da CNN. Nessa altura tinha já ocorrido o embate de outro avião na outra torre do WTC. Um arrepio percorreu-me o corpo todo deixando-me provavelmente branco. Os Estados Unidos estavam a ser atacados no seu próprio território continental por alguém não identificado, como nunca até aí e numa escala para lá de qualquer tipo de compreensão. A Casa Branca tinha sido evacuada, algo que nunca antes tinha acontecido.
Levantei-me, e para honrar o nosso acordo comuniquei ao grupo de formandos que um segundo avião havia embatido nas torres, podia não o ter feito, mas nada do que viéssemos a falar essa tarde iria fazer qualquer sentido e eu pretendia estar de olhos colados ao ecrã do computador e não a falar de facturação. Por momentos veio-me à memória aquele distante mês de Janeiro de 1991 em que interrompemos uma aula de francês para nos informarmos do início da guerra do golfo e discutirmos as suas implicações. Isto parecia muito pior.
Pelas reacções nas caras de cada um percebi a gravidade da situação que uma dormência mental, não me permitia vislumbrar. Era um atentado terrorista sem paralelo, cujas implicações poderiam facilmente desencadear um conflito mundial de proporções nunca vistas onde era evidente nós poderiamos ser envolvidos. A formação do resto da tarde tornara-se irrelevante. Bateram à porta da sala, era uma colega a perguntar se eu já tinha visto o que se estava a passar e o que iríamos fazer no resto do dia. Concordámos em que não seria possível continuar a formação e que todos teriam a possibilidade de consultar as fontes de informação que pretendessem para tentar perceber o que se passava. Alguns telefonaram para casa e outros optaram por pesquisar os sites informativos.
A catadupa de informação acabou por revelar toda a dimensão daquele dia. As torres caíram, o Pentágono tinha sido atingido e na Pennsylvania um avião tinha caído quando aparentemente se deslocava para o Capitólio ou para a Casa Branca.
Os formandos saíram mais cedo e foram para casa e eu voltei à área de formação no 2º piso. Aí o ambiente era ainda mais pesado, em média éramos todos mais velhos que a maioria dos formandos, e o silêncio só era quebrado pelo rádio, estrategicamente colocado sobre um posto de trabalho central, sintonizado na TSF (sempre a TSF) que debitava informação a uma velocidade muito mais rápida do que aquela que éramos capazes de processar. Apreensão, senão o medo, pareciam estampados na cara de cada um,
Passado algum tempo eu também fui para casa, não jantei e não dormi nada nessa noite. Só voltaria a dormir na madrugada do dia 13 de Setembro.
Mas nessa altura já nada voltaria a ser como dantes num mundo que parecia ter encontrado um caminho no inicio do novo século.
Desde esse dia, em incidentes directamente ou indirectamente relacionados, morreram milhares de pessoas e muitos mais milhares ficarão marcados para toda a vida.

New York
Washigton
Afeganistão
Iraque
Madrid
Bali
Londres

domingo, setembro 10, 2006

Madrecita, que haces ahí debajo???


Almodovar é sempre surpreendente, mas está a perder o jeito de manter as suas intrigas até ao final…
Não se explica porque se gosta de alguma coisa e eu não consigo explicar porque gosto dos filmes do Almodovar. Será das cores garridas, das mulheres fortes e ao mesmo tempo sofridas, dos temas comuns, da música ou do choque de uma Espanha moderna e inconvencional com um tradicionalismo com que a primeira choca, mas que nos filmes de Almodovar parecem conviver? Talvez…
“Volver” não é um espanto, mas alguns filmes de Almodovar são, o que é mais do que se pode dizer de muitos outros realizadores.
Nesta fase em que o realizador parece exorcizar partes da sua vida, o regresso de uma mãe morta é afinal um pretexto para se falar da morte, da vida e como afinal a história se repete apesar de não estarmos atentos.
Em Volver, a morte não pesa nada, é mais ritual que dramática, ninguém parece sofrer com a morte e tão simplesmente a aceita e prepara como a coisa mais natural da condição humana. É ritualista, obedece a talhões e lápides bem esfregados e serviços fúnebres pagos em adiantado para evitar incomodar familiares.
As personagens obedecem a uma habitual lógica do realizador que com mestria torna vítimas em responsáveis por odiosos acontecimentos no passado, mas com os quais nos conseguimos identificar moralmente. Uma espécie de “poetic justice” que só estaria completa com o purgatório a que estão sujeitas estas mesmas personagens numa tentativa de expiarem os seus pecados.
Pelo meio a habitual fixação de Almodovar sobre a exploração de sentimentos alheios com que vive a televisão actual.
Não revelo mais, só indo ao cinema porque vale a pena :) Até lá, fica o gosto aguçado pela música...

Também disponivel em "As canções dos meus dias "

sexta-feira, setembro 08, 2006

Agenda

Vai ser um fim-de-semana em cheio.
Amanhã à noite no Parque das Nações realiza-se pela segunda vez o Mundial de Pirotecnia que também vai animar os restantes fins-de-semana de Setembro.
Desde quinta é incontornável a estreia do último filme de Almodovar, Volver (para os mais aficcionados)
Marisa Monte volta muitos anos depois ao palco do Coliseu neste sábado e domingo.
Também amanhã mas à tarde decorre o Red Bull Flugtag junto à torre de Belém para quem quer ver figuras tristes.
No São Carlos termina o Festival de Flamengo que tem vindo a decorrer desde dia 5.
Bom fim-de-semana

Pacto na justiça (3)

O pacto já teve a virtude de acabar com a cunha. Agora passa a chamar-se quota de mérito.

O PCP e as FARC (2)

Não, não tenho mais nada para dizer sobre o assunto. Mas como já se escreveu tanto sobre isto e os blogs mais distintos estão cheios de sequências numeradas de posts sobre o PC e as FARC que achei não me ficar bem não fazer o mesmo. Por isso aqui está...

quinta-feira, setembro 07, 2006

Pacto na justiça (2)

Que tranquilizador que é saber que as duas únicas forças políticas que ao longo dos últimos trinta anos se têm alternado no poder, vão pactuar para resolver os problemas que em grande medida criaram. É melhor manter um adequado controlo de expectativas…

E quem é que está com o Gil Vicente???






TODOS!!!

O PCP e as FARC (só para aparecer nas pesquisas)

"Freedom fighters" ou "Terrorists" é a análise qualitativa quanto à essência de alguns grupos, que agora não me interessa abordar.
Independentemente da essência, quem ataca e rapta pessoas, está geralmente a violar leis e logo é criminoso.
Agora a questão do PCP se relacionar, reconhecer ou até apoiar movimentos com estas características só tem paralelo no relacionamento, reconhecimento e até apoio americano a movimentos com estas características, mas de sentido contrário, os quais não me recordo de ouvir o CDS criticar.
Afinal já me apetece abordar a essência, mas não lhes consigo ver diferenças.

Pacto na justiça

E agora como é que o PSD vai resolver aquele problema da arrogância demagogo-propagandística do Governo, se aparentemente até fazem pactos?

Questões pendentes

Como toda a gente (que muito ocasionalmente aqui passa) já percebeu, tornou-se impossível viver no Cacém, a não ser que haja um interesse directo nas obras do Polis, o que acontece comigo.
O meu interesse é mais estético do que financeiro, mas não é de desprezar as maravilhas que podem fazer por uma casa um jardim a 20m, um centro cívico e cultural a 150m e um interface rodo-ferroviário a 400m.
Mas neste tipo de projectos são frequentes as dúvidas e as questões das populações locais que muitas vezes derivam de um desejo deliberado de não se informarem, porque isso anularia a parte mais interessante das obras que é controlá-las e criticá-las até à exaustão.
Não alinho pela bítola que há pouco tempo vinha presente no DN, até porque não ouço barulho durante a noite, além dos carros que passam com música africana ou o Nel Monteiro, os bêbados que como toda a gente sabe têm graves problemas auditivos que os obrigam a falar muito alto, e as acelerações e “ratters” das motas que se comprou mesmo que não haja dinheiro para comer.
Além disso estou genuinamente convencido que só se pode apanhar a quantidade de pó referida pelo DN se porventura se ficar um dia inteiro junto a um qualquer tapume a olhar para um buraco que entretanto se esteja a escavar.
Mas mesmo assim, e apesar de me considerar minimamente informado sobre o projecto Polis, há algo que me começa a intrigar, não tanto pela continua permanência no mesmo local de sempre do edíficio em causa, mas mais pela longa demora na resposta da Polis às perguntas que lhes enviei por mail.


Ora vamos lá por partes. Esta é a minha zona. Aquela parte arborizada à direita foi em tempos o JIP e neste momento está já completamente arrasada. É (se olharem com atenção) atravessada por um ribeiro cujo leito as obras se propõem regularizar. Esta zona vai ser parte substancial do tal jardim que fica a 20m da minha porta.
Do bloco de edifícios de diferentes volumetrias (algo muito habitual no Cacém), assinalados a vermelho, todos já foram demolidos à excepção do que marquei a verde.
Ora aí está o problema. Não querendo ceder à tentação da coscuvilhice que rodeia sempre estas obras, pareceu-me estranho que à volta deste se tivessem demolido todos os edifícios e este se mantenha de pé.
Além de ser um edifício dos antigos TLP que mais parece um bunker, tal é a semelhança das janelas com as do CCB, fica no campo visual da minha janela e a sua manutenção não consta do plano original do POLIS.
Não quero ser alarmista, mas a ausência de resposta da sociedade CacémPOLIS sobre esta matéria começa a preocupar-me.
A continuação deste edifício no actual local prejudica grandemente a prossecução do projecto tal como previsto, porque não permite a regularização do leito de cheias do ribeiro (ribeira das Jardas) e não permite que a rua adjacente venha a ficar ligada ao túnel que vai nascer a norte do ribeiro por baixo da linha do comboio, que se pretende seja um acesso ao novo eixo viário central e daí ao novo viaduto do IC19. Para além de ser profundamente inestético.
Vou continuar a aguardar por respostas a esta matéria

quarta-feira, setembro 06, 2006

Não!!! A sério?

Isto dos presidentes americanos é uma coisa impressionante. São todos uns mentirosos.
Quando uma pessoa está a pensar tornar-se um daqueles americanos primários e apoiar cada inteligente medida vinda de Washington e eles desatam a revelar as mentiras.
Nunca imaginei, mas o Bush é igualzinho ao Clinton.
Afinal o outro teve “sexual intercourse” com a estagiária, e este afinal tinha mesmo prisões ilegais no estrangeiro. Estou chocado. Não se pode confiar nesta gente.

Nacional - Parolismo

O nacional – parolismo agita-se perante a mais que certa possibilidade de os militares portugueses na FINUL ficarem sob comando Espanhol.
Se fosse comando Qatariano, Burkina Fasense, Somali ou nepalês, tudo bem, agora Espanhol é que NUNCA.
É como dar o ouro ao bandido, é como se de repente todas as nossas virgens fossem desfloradas por esses malfeitores que quase se babam ao falar, tamanha é a volúpia dessa gente.
Já fomos grandes e psicologicamente continuamos ligados à realidade do Império. Muito embora muitos de nós não conheçamos mais de Espanha, ou até do resto do mundo, além dos caramelos em Badajoz ou dos casacos de pele em Ceuta (que tb já foi nossa) continuamos a imaginar-nos de um tamanho que na realidade nunca tivemos, fazendo eco do “Minho a Timor” mesmo que isso nunca tenha trazido nada de particularmente útil aos portugueses.
Vivemos colectivamente a "Dor do Membro Fantasma", e isso obriga-nos a tomar posições idiotas sempre que julgamos estar em causa algum aspecto da nossa soberania.
Instigamos políticos à porta de ministérios a responder à questão de quem nos comandará no terreno, e acusamo-los de nos negarem o óbvio quando afirmam ainda não estar nada decidido.
Preocupamo-nos com quem nos comanda no estrangeiro, mas não percebemos quem nos comanda em casa.
O Império finou-se e é bom que nos convençamos disso. O Império Espanhol também se finou e há bem mais tempo que o nosso e talvez por isso mesmo a Espanha é neste momento um país moderno e desenvolvido e a sua ameaça é tudo menos militar.

terça-feira, setembro 05, 2006

Dúvidas?

Se dúvidas houvessem que o interior do Alentejo já não é só paisagem e o Alqueva, organiza-se um festival de música totalmente independente de qualquer festividade local para o provar.

Um apelo à FIFA

As pessoas normais não deviam ser sujeitas ao Prós e Contras. A senhora produz de longe as mais irracionais questões que eu alguma vez vi na televisão, e os seus convidados são sempre da mais fina colheita de anormais.
Depois do triste espectáculo de hoje, resta saber para quando a decisão da FIFA que provoque a irradiação urgente desta gentalha para algo inferior aos distritais.
Para quando Sr. Blatter vamos ter a possibilidade de falar de outra coisa neste país que não seja este absurdo que alguns querem fazer crer que é mesmo importante? Contamos consigo.

segunda-feira, setembro 04, 2006

O adeus de um grande campeão

O regresso ao habitual

De volta a Lisboa e à rotina habitual. É estranho a forma como ir para um local aparentemente perto pode perturbar o nosso dia-a-dia e como subitamente parecemos afastados de tudo e de todos.
Muito embora mantivesse o contacto possível que o horário nocturno e o excesso de trabalho permitiam, não consegui escapar à inevitabilidade de as pessoas mais próximas me imaginarem algures no Botswana.
Setúbal não é assim tão longe, mas faz toda a diferença. Não imaginei que apesar da proximidade com Lisboa desse por mim a não entender algumas pessoas com uma forma de falar fora do registo a que o meu ouvido se acostumou, ou encontrar tão grandes dificuldades para fazer as coisas mais simples que deste lado já esquecemos existirem pessoas com iguais dificuldades.
Não é fácil viver numa espécie de fronteira entre uma realidade interior e um cosmopolitismo muitas vezes de fachada.
É difícil ter-se os mesmos desejos e anseios daqueles que nos estão geograficamente próximo e depois não ter as mesmas oportunidades e as mesmas facilidades.
A experiência valeu pelas pessoas que conheci e a quem desejo os maiores sucessos nesta nova etapa das suas vidas. Para alguns será a oportunidade que ainda não tinham tido e sei que vão fazer os possíveis para que tudo lhes corra pelo melhor.

RTP (memória) - 50 Anos

sexta-feira, setembro 01, 2006

Zapping XXIII

Mais coisas cretinas...

Se a FIFA penalizar a Federação Portuguesa de Futebol e a selecção for impedida de participar em competições internacionais, já não vai haver bandeiras nas janelas?

E ainda dizem que vem aí a retoma... sem bandeiras com pagodes chineses e sem alienação colectiva como é que este país vai para a frente?

Coisas cretinas em resultado de excesso de trabalho

Ando na rua a pé ou de carro a qualquer hora do dia e da noite, e nunca vi um graffiti a ser pintado.
Como é que eles fazem aquelas coisas? Qual é a probabilidade de a uma qualquer noite de uma qualquer dia eu chegar às tantas a casa e atravessar uma zona urbana de Lisboa, Amadora e Sintra e não ver ninguém a fazer graffitis?
Concluí que as paredes, os muros e os painéis que protegem do som nas auto-estradas já são fabricados com graffitis. É uma nova forma de os levar à extinção.
Se todos os locais disponíveis já estiverem grafitados não haverá mais locais onde os grupos possam deixar a sua marca, o que em termos de evolução natural resultará na sua extinção.
É quase como os carteiristas em Barcelona... (private-joke para outras núpcias...)

Suburbano em obras

Vão sempre aparecendo novidades, apesar do tempo não me permitir dar a atenção que gostaria aqui ao blog e que acabe por comprometer o futuro da coisa não dando muita atenção às pessoas que aqui vão aparecendo de vez em quando.

A coisa lá vai andando mais por carolice e por não me querer autorizar a deixar isto a meio para não ficar com o complexo das coisas a meio que muitas vezes afecta a minha vida. E aos poucos aproximamo-nos do segundo aniversário do Suburbano.

Por isso vão haver novidades, mas nos próximos tempos vão haver também algumas obras para dar outro ar à casa. Por isso se eventualmente houver algum link que não funciona ou alguma coisa que aparece fora de sítio, é perfeitamente normal.

Para outras novidades (que o Guronsan, optou por ainda não divulgar) passo a estar a partir de 4 de Setembro com o camarada supracitado no blog As Canções dos meus dias. Blog criado pelo Nuno como uma espécie de banda sonora do dia-a-dia.
Também foi actualizada a lista dos blogs, para uma lista mais extensa embora continuem a estar à parte aqueles blogs com os quais por alguma razão em especial me cruzei mais frequentemente.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Um canal perdido

A RTP continua à deriva. Haja ou não instrumentalização ou reestruturações continua sem um rumo definido que lhe permita "combater" os canais da concorrência. Claro, resta saber se é esse o objectivo...

Eu sou um fã incondicional da série Lost, mas o que é demais enjoa. Enquanto aguardamos o início da 3ª série a RTP está a passar toda a série no primeiro canal a partir das 23h.

De lembrar que já anteriormente o tinha feito com a 1ª série e que toda a 2ª série passou em dois horários diferentes.

Luto depois da violência (2)

"Quando alguém reduz outro a uma única identidade, quando alguém não é mais que Hutu, Tutsi, Sérvio, Croata, Muçulmano, Cristão, Judeu, Americano, Comunista, Anti-comunista... Nessa altura criam-se incríveis diferenças entre os homens e tudo pode acontecer."

quarta-feira, agosto 30, 2006

Continuamos do lado certo do conflito Israel - Hezbollah

Continuamos do lado certo. O envio de uma companhia de engenharia de construção é a mais acertada decisão para um conflito com estas características e onde é difícil perceber quem são os responsáveis senão forem todos.
Uma companhia de engenharia de construção vai ajudar na reconstrução da vida daqueles que foram vítimas deste conflito e por isso mesmo é que a decisão é das mais acertadas dos últimos anos.
Também foi interessante ver Cavaco a afirmar-se como Grande Chefe da chafarica militar, tal como Sampaio com o governo Barroso.

Luto depois da violência

De uma forma geral pensamos sempre nos conflitos em número de mortos. Mortos de um lado e mortos do outro e é essa a forma de fazermos as contas.
A estatística faz o seu papel, contabiliza os mortos de ambos os lados e estatisticamente diz-nos o frio número da percentagem de pessoas mortas em relação à população total, e é desta forma que sabemos quem ganhou. Ou seja, ganha quem mata mais.
Mas não há justiça nas guerras nem na violência em geral. Nem para aqueles que tendo assistido ou participado num conflito conseguiram sobreviver. Desses raramente alguém se lembra.
É como nos acidentes na estrada. Há os mortos e os feridos, e destes últimos os feridos graves que passado duas horas já ninguém se lembra que alguns deles também vão morrer.
O carácter frio e impessoal dos números esquece sempre imensa gente. Os números falam sempre de mortos, às vezes de feridos, e muito raramente de refugiados.
Os números, nunca, mas nunca falam das centenas de milhar que “apenas” se perderam da família, que ficaram com a casa destruída, que ficaram órfãos, que foram violados, ou simplesmente não conseguem dormir sem acordar de sobressalto com o som das bombas a ecoar nos ouvidos. É toda esta gente que tem de recuperar para as suas vidas uma normalidade perdida.
Hoje à noite na :2 às 23:30, vai para o ar “Luto depois da violência” precisamente sobre os pequenos passos dessas pessoas que alguém esqueceu pelo caminho. A não perder.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Isto não é normal


Os disparates que se recebem por mail.
Já tinha isto no meu mail, mas ainda não tinha tido a oportunidade de ler.
Vejam bem a história que os sujeitos propôem a ver se algum papalvo vai na conversa...

Ela está de volta

Quem não se recorda das lições de Edite Estrela na RTP nos idos anos oitenta, quando a RTP estava ainda longe dos objectivos concorrenciais. Edite fazia um programa sobre como os portugueses falavam e escreviam mal e porcamente. O impacto foi enorme e serviu para que gente de todos os quadrantes criticasse a instrumentalização da RTP pelos socialistas.
Hoje os portugueses continuam a falar e a escrever mal e porcamente e a instrumentalização da RTP continua na ordem do dia.
Edite, foi fazendo carreira saltitando entre cargos políticos e mais recentemente foi saneada para Bruxelas.
Agora está de volta com uma rubrica na Rádio Renascença no âmbito do Jogo de Língua Portuguesa. Edite volta ao seu anterior registo e pretende ajudar os portugueses a falar e escrever bem.
Ouvir o programa é como um regresso ao passado.

sábado, agosto 26, 2006

Honestamente não entendo.

Honestamente não entendo porque razão tanta discussão à volta do suposto "caso mateus". Nos Estados Unidos houve um ano em que estiveram quase dois meses para decidir quem era o Presidente e no final escolheram o gajo errado...

quinta-feira, agosto 24, 2006

Devagar, devagarinho...

São sempre boas as iniciativas (tão na moda) de levar a Internet e as novas tecnologias de informação ao interior do país Assim um posto móvel com oito postos de acesso, da EDD, vai percorrer 100 aldeias do Alentejo (distrito de Évora) para combater a info-exclusão nas zonas rurais.
A ideia é desmistificar os computadores para os mais velhos e dar oportunidade a jovens e funcionários públicos de juntas e câmaras municipais de contactarem directamente com as oportunidades que a Internet disponibiliza.
Esta interessante iniciativa da associação de municípios do distrito de Évora, tem pernas para andar e visa criar pontes para que alguns acabem por ganhar algum interesse na tecnologia e acabem por deixar que ela entre nas suas vidas.
Mas é sempre importante perceber que a prossecução destes objectivos só irá ser conseguida com a atracção de investimento que crie emprego real, que fixe os jovens, pelo menos nos concelhos ou distritos, já que às aldeias deve ser difícil.
Ainda assim não há Simplex que resolva o problema. Apesar de começarem a aparecer blogs e várias iniciativas ligadas à internet e mesmo que os jovens alentejanos estejam cada vez mais ligado à rede, as tecnologias de informação vão chegando ao ritmo próprio com que a região é caracterizada... devagar, devagarinho...

Choco Frito


Ingredientes:

- 1 kg. de tiras de choco
- 1 folha de louro
- sumo de 1 limão
- sal q.b.
- pimenta q.b.
- Azeite ou óleo para fritar q.b.
- 1 molhinho de salsa
- 12 dentes de alho
- piripiri q.b. (fac.)

Confecção:
Tempere as tiras de choco com 4 dentes de alho pisados, sal, pimenta ou piripiri e a folha de louro partida aos bocados e o sumo de limão. Deixe tomar gosto cerca de 2 horas. Escorra-os da marinada e passe-os por farinha. Frite-os em azeite ou óleo quente com os restantes alhos com casca. Escorra-os e ponha numa travessa de serviço decorada com pedaços de limão.

É verdade, para aqueles que me são mais próximos não é uma novidade. Mas estou de volta à terra do Choco Frito até ao final do mês. Vou tentar manter a actualiadade, embora em movimento.

Pode ser que aproveite para comer um Choco com o Carlos de Sousa porque homem deve andar um bocado cabisbaixo...

quarta-feira, agosto 23, 2006

As virtudes da propriedade horizontal

O melhor da manhã

O melhor do espectáculo suburbano matinal, são as senhoras de permanente que encostam a cabeça à janela e acabam por adormecer. Quando acordam o cabelo já adquiriu a forma da janela :)

terça-feira, agosto 22, 2006

O Presidente e a Primeira-Dama na "chinchada"

As provas são irrefutáveis.

O Presidente e a Primeira-dama aproveitaram a estadia em Boliqueime para voltarem ao tempo de juventude e roubarem frutos das árvores dos vizinhos.

Aqui pode ver-se claramente o Presidente a roubar fruta de uma árvore que se encontra dentro de uma zona vedada.

A Primeira-dama preparou-se para a ocasião tendo levado um cesto, cuja griffe não foi possível apurar, para receber os frutos "chinchados".

segunda-feira, agosto 21, 2006

Não vale a pena correr

Nunca mais conseguimos acertar. Contínuo a adorar utilizar os transportes públicos. Por razão desconhecida os horários não se cumprem, mas o comboio ao lado já pode seguir a horas. Apesar de o destino ser o mesmo ninguém se lembrou de avisar aqueles passageiros que já estavam à espera noutra gare. Mas que grande surpresa. Não sei é para que se gasta dinheiro em altifalantes estridentes se no final não passa de uma lotaria.

Angústia

Escrevo ou não escrevo? É sempre aquela sensação que nos bate repetidamente na cabeça quando estamos indecisos sobre um post e sobre as implicações que ele pode ter depois de escrito, ou como vai ser interpretado. É como se estivéssemos a parir alguma coisa e a angústia desse parto faz-nos repensar se valerá a pena escrevê-lo.
Depois de se carregar naquele impessoal botão que diz publish post já não se pode voltar atrás. Toda a gente vai poder perceber os meandros do nosso pensamento e a forma como nos vemos ou como os outros pensam que nos vemos. É uma janela indiscreta que se abre cá para dentro, e para a qual não sei se suporto que estranhos espreitem.

Jornalismo vanguardista

"Repórteres de televisão ajudam homem a imolar-se" via A ilusão da visão

Tudo aconteceu na Índia. Jornalistas deram-lhe fósforos e gasolina e depois filmaram tudo.

E ainda pensamos nós que o Expresso inventa factos políticos. Daqui a pouco tempo a comunicação social portuguesa vai sugerir que os portugueses se suicidem da ponte 25 de Abril num derradeiro acto de contestação à politica do governo, ou então uma banca em frente a São Bento com pedras de calçada para o incauto transeunte atirar ao primeiro deputado que venha a sair do parlamento.
Tudo a bem do direito à informação.

São os timings...

Podiam lá os professores ter a possibilidade de gozar as férias em descanso. Que disparate.
Os bons professores não têm mais nada a fazer a não estar sempre alerta para as mudanças súbitas e repentinas que a ministra (que não faz férias e sobre a qual restam duvidas se chega a dormir) pretende introduzir num regime de prontidão que nem nas forças armadas se assiste.
Todos os outros professores (os preguiçosos) foram logo fazer queixinhas à Fenprof que exigiu o prolongamento do prazo a que o magnânime ministério da educação acabou por aceder.
São uns mariquinhas estes professores. Só porque não podiam aceitar em 48h as colocações com a desculpa de estarem com os pés de molho no Brasil.

sábado, agosto 19, 2006

Até doí

"Não vale a pena alimentar ilusões, quando elas não passam disso mesmo. Ilusões."

Luis Figo acerca da possibilidade de terminar a sua carreira no Sporting