Há algo de irónico nestas palhaçadas que o PND faz agora na Madeira, finalmente Alberto João tem um adversário à altura. Teve de haver alguém a fazer o mesmo jogo que o Presidente do governo regional, para empurrar o PSD, que negou sempre a teoria do défice democrático, à realização de actos aparentemente ilegais.
Claro que esta coisa da bandeira nazi é um fait-divers, uma comparação grave e totalmente incorrecta e injusta para o com o PSD-Madeira, mas ao melhor nível do que o Alberto João nos habituou.
É sempre bom recordar que muitos e muitos portugueses, nos mais elevados cargos, já foram insultados e ofendidos pela refinada (leia-se troglodita) ironia do Alberto João e aparentemente ninguém se preocupou muito com isso.
O PSD-Madeira tem uma maioria absoluta há 30 anos e não precisa sequer de se incomodar com estes disparates. Mas não, o PSD-Madeira não só se contenta com o poder que tem manipulado da forma como sempre entendeu, como aparentemente não permite que qualquer opinião contrária à sua tenha qualquer possibilidade de ser veiculada, ainda que legitimada pelo voto popular, tal como a sua própria maioria.
O deputado regional não pode ser suspenso por votação da maioria parlamentar, que ninguém sequer percebeu se chegou a votar-se esta suspensão, uma vez que os restantes grupos parlamentares se ausentaram da sala. Nem a maioria pode suspender sine die os trabalhos da Assembleia Regional até que seja proferida uma decisão judicial relativa a um processo que nem sequer foi iniciado, contra um deputado que na realidade não fez mais do que exaltar-se.
A Assembleia Regional não é um órgão acessório do Governo regional, uma espécie de escritório que despacha encomendas e confirma o glorioso trabalho do Governo regional, mas antes a legitima expressão da vontade do povo madeirense e a manter-se esta suspensão o povo da Madeira não está a ver devidamente representados os seus votos, uma vez que o PSD apesar de ter uma maioria absoluta não se pode arrogar ao direito de ser o único legitimo representante dos madeirenses.
A manter-se este impasse, e caso Cavaco não consiga nos bastidores resolver este disparate e a Assembleia Regional não voltar a trabalhar, com o deputado em causa presente, então não resta qualquer alternativa senão a dissolução que reponha a normalidade democrática naquele arquipélago.