
terça-feira, agosto 07, 2007
sexta-feira, julho 27, 2007
Imprevisível
Não há maneira de ignorar Sarkozy. O presidente francês não voltará a deixar que a França, em tempos no centro das decisões europeias e uma opinião a ter em conta no panorama internacional, volte à situação para a qual se deixou arrastar no segundo mandato de Chirac.
A crise social francesa não está resolvida. As reformas não estão feitas e a oposição de rua ainda nem desfraldou as bandeiras, mas Sarkozy tenta recolocar a França no mundo de forma a que isso ajude dentro de portas, uma vez que os franceses são muito susceptíveis ao papel do país na diplomacia internacional e viam com desagrado a perda de influência.
Nessa estratégia tudo serve. Até a primeira-dama francesa pode dar uma mãozinha nas negociações, até porque tem pinta de quem impressiona um qualquer ditador ranhoso do terceiro mundo.
Sarkozy é ainda em grande medida uma incógnita, mas além de obliterar completamente a presidência portuguesa da União, aposta em opiniões fortes sobre o panorama internacional que naturalmente não lhe irão granjear bons amigos. Aliás, até será difícil perceber, se do outro lado do atlântico, o renovado amigo americano, gostará de saber que Sarkozy reconhece a necessidade de se estabelecer parcerias com países árabes para o desenvolvimento de energia nuclear, numa óptica de produção de energia para o futuro, mas que na realidade é uma grande negociata para as empresas francesas.
Depois das opiniões manifestadas sobre o “suposto” bloqueio da Polónia nas negociações sobre o tratado, depois da sua objecção total à entrada da Turquia na União, depois da parceria nuclear com a Líbia, seguem-se as FARC na Colômbia e qualquer dia o Nobel, mas mesmo assim Sarkozy continuará a ser imprevisível.
segunda-feira, maio 07, 2007
Ainda Sarko
Foi ridículo ver como subitamente a Europa já tem salvação. Foi ridículo ver José Manuel Barroso repetir diversas vezes que era muito amigo e conhecia bem Sarkozy e dizer nas entrelinhas como esperava que em 2009 não o metessem a correr para fora da comissão.
Fiquei logo com a sensação que talvez depois de amanhã esteja para sair o mini-tratado-reciclado de salvação da Europa, uma vez que o Sr. Sarkozy deslocou-se imediatamente em embaixada a Bruxelas com o seu homem de mão para a Europa, que já sabe tudo e vai resolver tudo do que nos aflige.
A Turquia bem pode esquecer a entrada na União mas resolve-se num instante, talvez na próxima segunda, com um mini-tratado de cooperação com as nações do Mediterrâneo. Já está.
Hoje um Sarkozy, amanhã um mundo de Sarkozys para ver se ainda há hipótese de salvar a humanidade.
Também seria assim se tivesse ganho a outra candidata?
Sais de fruto

A violência da noite de ontem em Paris e nalgumas cidades francesas vêm acabar por confirmar a razão pela qual Sarkozy ganhou. Independentemente da opinião que se tenha sobre o sujeito, ele parece que vem limpar definitivamente a casa suja em que a sociedade francesa se tornou. É ao mesmo tempo o grande disciplinador como o grande reformador. Parece que vem devolver uma espécie de auto-estima que recoloque a França como grande referência internacional, que entretanto tinha perdido.
Podemos dizer muita coisa, mas uma sociedade não pode tolerar que por razões maiores ou menores haja um grupo de pessoas que vem para a rua partir tudo e puxar fogo a carros, sob pena disso obrigar à existência de duas Franças. A da maioria que se revê nas políticas preconizadas por Sarkozy, que está farta de insegurança, por oposição a uma França minoritária que utiliza a violência como linguagem e arma politica.
Tive oportunidade de dizer por aqui que Sarkozy como praticamente todos os políticos europeus defende a herança do estado social que a Europa inventou para si própria. Mas Sarkozy defende também um estado mais forte na repressão e não podemos em consciência dizer que o homem não tem alguma razão. Aquilo que saltou à vista dos últimos tempos foi uma intenção de ser mais duro com a violência e a imigração, mas Sarkozy (a Tatcher francesa com 20 anos de atraso, segundo a BBC) tem pretensões de mudar a nível fiscal, a nível social, a nível laboral, correndo o risco de pisar os calos daqueles que votaram nele por razões securitárias.
O que se torna importante é perceber que apesar da blogosfera e os jornais franceses, mas também em Portugal e noutras partes, referiram sem hesitação que Ségolène era uma incógnita e Sarkozy uma certeza. Mas ninguém pode afirmar com propriedade que o candidato Sarkozy, será igual ao Presidente Sarkozy.
Se o homem for realmente inteligente terá de perceber a diferença que existe entre repressão e desenvolvimento social. Terá de compreender mais cedo ou mais tarde que as causas da violência é que têm de ser combatidas ainda que passe a haver um comportamento mais musculado por parte das polícias na rua. Esse tipo de intervenção tem objectivos e meios relativamente finitos, que se esgotam em pouco tempo, para mais que acabam por se tornar numa espiral imparável de violência que as autoridades podem não conseguir controlar.
Sarkozy é uma incógnita como Ségolène porque ainda faltam responder uma série de questões sobre a Europa e sobre o relacionamento com os EUA, assim como virá a ser concretamente o comportamento da França em relação aos novos imigrantes assim como com os cerca de 6 milhões que já estão em França. Já sabemos que há um elevado potencial de paralisação da França, uma vez que estudantes, trabalhadores das mais variadas classes e imigrantes organizados em torno de sindicatos fortes, podem bloquear ou tentar bloquear Sarkozy e as suas medidas. Mas o que esta Europa não está à espera e não está preparada, é para o eventual sucesso do novo Presidente Francês. Se por acaso Sarkozy conseguir estancar a imigração, fazer valer as suas ideias sobre o alargamento da Europa, se conseguir fazer passar um mini-tratado que acabe por afastar a Europa de uma índole mais federalista e ainda assim devolver a paz social e criar riqueza, então ele tornar-se-á a nova referência europeia de desenvolvimento e nada será como dantes neste lado do Atlântico.
quinta-feira, maio 03, 2007
Sarkozy a caminho do Eliseu
Por mais que isso possa não me agradar, apesar de não ter nada a ver com isso, Sarkozy é bem capaz de estar já com um pé na soleira da porta do palácio.
Royal não conseguiu fazer vingar as suas ideias no debate se bem que começo a questionar se tem algumas que escapem às originais, mas inverosímeis soluções que parece encontrar para os problemas. Todo o debate parece uma espécie de declaração final onde se pretende meter tudo de uma vez. Sarkozy tem um discurso mais organizado, parece mais calmo e mais coerente e naturalmente paternalista e arrogante. Lamentável a gestão que ambos os candidatos fazem do medo da violência e da delinquência em França. De tal forma que a páginas tantas os candidatos se degladiavam pelo objectivo de dar maiores penas aos delinquentes sexuais, qualquer coisa próxima do disparate de alguns sistemas jurídicos do tipo três penas perpétuas sem possibilidade de visitas e com direito a castração e as partes fervidas em óleo quente. Muito triste.
Quanto à economia, o tradicional na actual Europa. A luta entre o que fazer ao estado social e ao preço que ele cada vez mais tem nos orçamentos de estado e o tradicional défice. A maioria das propostas são as que estão em debate em Portugal sem qualquer novidade, embora Royal não consiga explicar onde vai buscar o dinheiro. Estranhamente por aquele lado ainda parece ser objectivo o pleno emprego e Sarkozy acredita no crescimento pelo aumento do consumo privado... Deve ser das economias de escala... Flexisegurança, duração do trabalho e as reformas também são temas que nos são muito próximos.
Nenhum faz a mais pequena ideia do que fazer à juventude e à lei do primeiro emprego.
O ambiente, pobrezinho, enche a boca dos candidatos mas parece que tudo passa por taxar os estrangeiros que poluem, números e mais números e a questão nuclear.
Uma discussão de dedo em riste sobre um tema que aparentemente não seria o principal do debate. O dramático exemplo de como a Turquia jamais entrará na União Europeia e de resto o que já sabíamos um pouco em todo o mundo sobre as ideias de imigração de cada um dos candidatos.
Alguns blogs franceses parecem indiciar que Royal pode ter ganho, e a sondagem do Le Monde também, especialmente por causa daquela coisa da imoralidade política, onde Royal mostrou as garras arrastou Sarkozy ao tapete e mordeu-lhe diversas vezes, no campo (que conhece melhor) da consciência social. Mas eu não estou convencido.
Royal perde estas eleições porque não fez a necessária ponte com uma França que se chega à direita, mas antes preferiu manter o dogmatismo de todas as bandeiras da esquerda, acabando por entrar inconsequentemente nos temas favoritos e nos fantasmas agitados pela direita, onde não está preparada e apenas pode perder por comparação. Sarkozy ganha porque conseguiu provar que afinal é mais do que o grande disciplinador dos imigrantes e da violência e que tem na realidade uma resposta para problemas mais vastos mantendo ainda assim o essencial do estado social.
A Europa ficará irremediavelmente condicionada pela agenda Sarkozy e a França bem se pode preparar para o aumento da contestação social.
domingo, abril 08, 2007
Dança de cadeiras
Agora que Bush está quase a sair e a América (espero eu) a mudar de caminho, o “bushismo” naquilo que de mais neo-con ele tem, começa a surgir em França pela mão de Sarkozy.
quarta-feira, março 28, 2007
Merci a tout les jeunes...
Sempre em crescendo, nada melhor que manifestar a verdadeira amizade e aguardar pelas televisões e pela polícia e atirar-se a eles para lhes morder nas canelas, frente às câmaras de todos os canais.
Sarkozy tem muito a agradecer a esta querida e amistosa juventude.
segunda-feira, março 19, 2007
Falácia do dia
"Si vous le voulez, nous allons gagner la plus formidable bataille des idées..." Nikolas Sarkozy