quarta-feira, abril 11, 2007

Pare, escute e olhe...


Nem de propósito. Horas depois de uma conversa sobre o desinteresse português sobre o que se passa cá no burgo, eis que António Barreto explica. O episódio de ontem do Portugal Social foi de tal forma deprimente que justifica, por si só, todos os que, à mesma hora, optaram por fazer outra coisa qualquer.

Depois de episódios em que observámos as mudanças que a sociedade portuguesa viveu, fomos controntados com o que parece na mesma ou ainda pior. Foi difícil de ver este episódio, tal como é “difícil viver nas cidades portuguesas”. Pior que isso só o facto de não se antecipar uma inversão de tendências.

Presumo que as “Estefânias” deste país não tenham visto o programa, tal como aqueles que, como o casal do Algueirão, passam dois dias e meio em cada mês no percurso casa-trabalho, trabalho-casa.

A relação trabalho-tempo é, digo eu, algo cada vez mais preocupante. Para além das óbvias implicações nas vidas das pessoas, tem efeitos cada vez mais evidentes na qualidade da democracia. Ou alguém espera que as “Estefânias” tenham disposição para acompanhar os temas do momento ?

E que dizer da abordagem que Saldanha Sanches fez da “capacidade” dos autarcas acelerarem processos que a burocracia prolonga no tempo ? Assustador e sintomático da sociedade em que vivemos. Salve-se quem puder…

O mínimo que se pode dizer é que estes factores contribuem, directa ou indirectamente, para o aumento do individualismo de cada um de nós. E é por via disso que me lembrei das palavras de Brecht que, salvo qualquer variante de tradução, aqui ficam:

"Primeiro eles vieram atrás dos comunistas
E eu não protestei, porque não era comunista
Depois, eles vieram pelos socialistas
e eu não disse nada, porque não era socialista
Mais tarde, eles vieram atrás dos líderes sindicais
E eu calei, porque não era líder sindical
Então foi a vez dos judeus

E eu permaneci em silêncio porque não era judeu
Finalmente, vieram me buscar
E já não havia ninguém para protestar."

1 comentário:

JÚLIO SILVA CUNHA disse...

Acho a ordem de perseguição pouco plausível! Os líderes sindicais, os socialists e os comunistas antes das comunidades judaicas!?
:)
J.