terça-feira, novembro 07, 2006

O trigo do joio

Já foi apresentado o Orçamento para o próximo ano e não reserva nenhuma surpresa em particular, além de uma aparente exigência para com aqueles que até agora viam a carroça da crise passar ao lado, os Bancos. Mas ainda assim, nada de importante a destacar e se calhar por isso mesmo continua a não se entender de que forma pode ser considerado como "acalorada" a parte do debate que hoje foi dedicada à Madeira.
Alguma coisa tem de ser. Ou o fenómeno furacão palhaço-vou-me-a-ti-até-te-racho-ao-meio-oh-cubano, rende oportunidades de destaque à esquerda e à direita, para desviar as atenções do essencial, ou então não se consegue perceber a razão de tal disparate.
Na Madeira vivem 250.000 pessoas. Neste momento já vivem num subúrbio como o Cacém cerca 81 145 pessoas de acordo com os censos de 2001.
A Madeira tem uma área total de 797 Km2 e o Cacém tem uma área total de 16km2.
A Madeira lutou desde sempre com a insularidade e por isso mesmo o Estado tem vindo a investir fortemente na ilha, beneficiando os madeirenses e o seu governo regional com vantagens que vão além do investimento que proporciona, tais como custos controlados nas viagens e taxas fiscais mais favoráveis.
Ir do Cacém para Lisboa de carro pelo IC19, demora aproximadamente 01h de manhã e 01h à tarde. De Lisboa ao Funchal de avião, a viagem demora aproximadamente 01h35m e vice-versa.
A Madeira, os madeirenses e aqueles que por razões profissionais decidem fixar-se no arquipélago, beneficiam de um conjunto de vantagens que nenhum morador no Cacém beneficiou ao longo da sua vida.
O Cacém tem ao longo do tempo crescido exponencialmente e ainda assim não se verificou um crescimento equiparado das infra-estruturas rodoviárias, ferroviárias e outras, que são habitualmente consideradas como desenvolvimento e qualidade de vida. A Madeira pelo contrário, tem beneficiado de fortes investimentos nestas áreas, quando na realidade o relevo da ilha apenas permite que a maioria da população se situe na sua costa sul.
A Madeira tem há muitos anos o folclore de má educação do Alberto João, e o Cacém tem vindo a ter juntas de freguesia PCP, PCP-PEV, PS e agora PSD-CDS-PP, que por mais que faça um esforço para me recordar dos últimos 23 anos por estas bandas, não me recordo de os ver gritar impropérios contra os cubanos, os indianos, os chineses, os governos de direita, os governos de esquerda e os governos do meio.
Afinal que é que estamos a enganar? Se não a nós próprios…. O preço a pagar pela insularidade é grande, mas alguém tem dúvidas que se vive muito melhor na Madeira do que no Cacém? Alguém tem dúvidas que o preço da insularidade é fortemente compensado pelo bolso de todos nós?
Por isso para o Cacém, o único caminho está na auto-determinação e independência.
LIBERDADE PARA O CACÉM JÁ!!!

3 comentários:

Nuno Guronsan disse...

Soltem os prisioneiros
Soltem os prisioneiros
Por todo o mundo há prisioneiros
Por todo o mundo

Pois eu em vez de liberdade, gostava mais de ser anexado... tipo pela Suécia ou pela Finlândia, ou ainda, na melhor das hipóteses, por uma sueca ou por uma finlandesa...

Enfim, não devia ter bebido aquele vinho da Madeira logo a seguir ao jantar, começo agora a perceber o que aconteceu às células cinzentas do AJJ... hic...

o (exilado) anónimo do costume disse...

E haverá barreiras alfandegárias a entrados de fora, ou aceitam remessas de emigrantes, na nova "república popular do cacém"?!

José Raposo disse...

Claro que aceitamos... as remessas são essencais às manutenção do novo Estado. Além disso tb vamos ter taxas mais favoráveis. Taxas alfandegárias é uma pena mas vai ter de ser se os produtos não forem produzidos no cacém. Ou seja... todos vão pagar :)