segunda-feira, novembro 13, 2006

Causas para todos os gostos

Sou muitas vezes abordado pelas mais diversas campanhas. Em especial se me encontrar algures no eixo Oeiras – Cascais, onde a solidariedade parece ser mato. Deve ser uma espécie de obrigação das tiazocas. Festas e solidariedade.
Ora são as infelizes crianças com verrugas no nariz, a difícil adaptação das crianças com pé chato (das quais eu sou um digno representante) ou, como neste fim-de-semana, o verdadeiro drama das crianças hiperactivas...
Tenho receio de me estar a tornar um trintão amargo só porque não reconheci imediatamente a devida importância do drama dos meninos e meninas hiperactivas. Afinal eles também são filhos de deus e que por alguma razão nasceram com essa terrível dificuldade de não se conseguirem concentrar na escola e terem uma actividade acima do normal para as restantes crianças.
Naturalmente tive de me travar de razões com a moça que diligentemente defendia esta causa, até porque (tal como eu) não reconheceu de imediato a urgência de ajudar outras crianças mais necessitadas do que estas.
Nem sequer tentei perceber para que serve o dinheiro para uma associação como esta, porque não entendo de que forma se pode ajudar alguém a ter uma vida normal, como a que eu e os meus amigos tivemos, mas com mais playstations.
Aquilo que parece separar-nos é uma constrangedora desresponsabilização dos pais na educação dos filhos. A vontade de não contrariar as crianças porque depois de adultas elas ficam cheias de traumas. A ideia que crianças que gritam todos os dias, resolvem partir tudo, e exigem todos os gadgets cujos pais não resistem em comprar para os calar, resulta quase sempre num diagnóstico de hiperactividade.
A Hiperactividade é um fenómeno dos nossos dias. Aquilo que separa estas crianças, das crianças da minha geração é a “Ritalina”. Entupidos de medicamentos serão muito mais saudáveis e poderão dizer no futuro que nunca levaram uma palmada na vida. Mas serão mais felizes?
Continuo a achar que existem crianças a precisar seriamente de mais ajuda dos que as crianças hiperactivas, mas como não tenho filhos podem ser paternalistas à vontade…

4 comentários:

miga disse...

Estas associações não serão de ajuda aos pais destas crianças?
...

miguelinho disse...

Aquilo que fundamentalmente separa a educação das crianças da nossa geração da educação das crianças de hoje é o défice que a criancinhas de hoje têm do factor "palmada no rabo".
Vá lá saber-se porquê os paizinhos e as mãezinhas dos dias de hoje acham que é anti-pedagógico ou contra-natura dar um tabefe na criancinha só porque esta está num qualquer centro comercial a berrar a plenos pulmões porque quer a ultima versão do jogo X.P.T.O para a sua consola.
Se desse ao meu pai ou a minha mãe algumas das respostas que vejo criancinhas e adolescentes de hoje darem aos seu progenitores, embora já tenha passado dos 30 ficaria certamente com a marca de cinco dedos na cara para poder reflectir melhor na forma como me tinha expressado.
De facto tal como dizes no "eixo Oeiras - Cascais" este tipo de comportamento assume proporções de epidemia.

cuotidiano disse...

É outra vez o factor "fast food" na vida das pessoas - como não há tempo para afectos, tempos juntos, os pais julgam que compensam alguma coisa dando... coisas!

O espantoso é que na linha de Cascais pensei que as tias não tinham puto para fazer e poder-se-iam dedicar mais aos filhos - mas pronto... é mais fácil pagar a umas quantas amas e ir para o cházinho com as amigas... ou então para o peditório enquanto as próprias crianças berram ao ouvido dos outros!

José Raposo disse...

Sim uma palmada no rabo pode ser fundamental.

As tias não se dedicam aos filhos porque têm empregadas :) por isso têm tempo livre para caridade :)