sexta-feira, janeiro 05, 2007

olhares do campo – Medida de coacção

Com o novo ano entram em vigor novas regras para o subsídio de desemprego. Dir-se-á que o tempo e as circunstâncias exigem as mudanças que agora se impõem. Aceitemos que sim.
Mas por vezes há medidas que parecem perfeitas para acentuar alguns equívocos e preconceitos, em vez de assegurarem a eficácia social que supostamente deveriam perseguir.
Incentivar formas activas de procura de emprego é uma medida pertinente, não tanto para pôr a mexer esses malandros que vivem do subsídio de desemprego, mas para incluir e implicar as pessoas na (re)orientação do seu percurso profissional. O preconceito de que exista muita gente a viver à sombra do subsídio de desemprego, além de equívoco, omite uma realidade que a alguns talvez convenha esconder: o nosso mercado de trabalho não tem resposta para as legítimas expectativas de emprego das pessoas.
Mas obrigar os desempregados a apresentarem-se quinzenalmente, isso, francamente, não me parece medida nenhuma de combate ao desemprego. Parece-me mais uma acentuação do preconceito sobre os malandros dos desempregados, fixando-se-lhes uma medida como a judicial de termo de identidade e residência.

8 comentários:

Anónimo disse...

Sim, esses malandros, gatunos, chupistas, que não querem fazer a ponta de um corno... É preciso expô-los à luz do dia, mostrar quem eles são, eles que venham cá todos os quinze dias...

Ah, e já agora, não vamos garantir o anonimato das mulheres que queiram fazer o aborto nos nossos hospitais, essa hereges hão-de ser mostradas pelo que são. Querem abortar anonimamente, vão para o privado, suas galdérias...

Maravilhoso país o nosso que se nos oferece neste novo ano...

Tiago Alves disse...

O que são "legítimas expectativas"? E o que sugere então ao mercado (seja essa pessoa quem for) que comece a dar resposta às tais "legítimas expectativas"?

O mercado resulta da interacção entre todos os seus agentes, incluindo os malandros que vivem do subsídio de desemprego. Pelo que deles também faz parte a culpa e a solução para uma possível melhoria.

Seja como for, também acho que a apresentação quinzenal é anedótica embora o objectivo - colocar as pessoas activamente à procura de emprego - seja a correcta. Talvez subsidiar o emprego.. e não o desemprego..

no campo disse...

Caro Tiago:
Por "legítimas expectativas" até só já entendo alternativas de emprego que não impliquem desqualificação e perda significativa do nível de vida (rendimento, tempo e custos despendidos em deslocações, etc.). Quem sabe nos nossos dias seja elevar demasiado as expectativas...
De resto, estamos de acordo quanto à bondade da ideia de "procura activa" de trabalho, assim como quanto ao disparate da apresentação quinzenal (que era, aliás, o cerne do meu texto).
A frase final parece-me ambígua: para mim não se trata de subsidiar o desemprego, mas de atenuar situações contingentes e debilitantes com uma uma prestação social. É uma tarefa da qual julgo que o Estado não se pode eximir, mas aqui a questão entra noutra dimensão...

José Raposo disse...

Não querendo entrar sobre a essência do Subsidio de desemprego mas sobre as apresentações quinzenais, que era na realidade o tema :) Elas parecem-me um bocado parvas se apenas representarem um picar do ponto tipo medida de coacção. No entanto se esta obrigação tiver como objectivo ser uma espécie de consulta com profissionais que podem ajudar a melhor um curriculo, a fazer uma carta de apresentação, que ajudem a identificar oportunidades de formação, que ajudem a utilisar agências de emprego ou a programar alertas através de e-mail nas centenas de agências na net, então já não me parece tão parvo.

Anónimo disse...

Acreditas sinceramente que é isso que vai acontecer, amigo Raposo? Tendo em conta alguns dos funcionários que já tive o (des)prazer de conhecer nos centros de emprego, tenho sérias dúvidas...

José Raposo disse...

anonymous, em primeiro lugar. Somos um conhecido por aqui com problemas de login relacionados com as versões do blogger?

Quanto à questão. Vim a perceber hoje que a ideia nem sequer é que as pessoas se apresentem em centros de eprego pelo que logo aquilo que eu tinha dito deixa de fazer sentido. De qualquer forma não vejo porque razão isso não possa/deva acontecer nos centros de emprego com ou sem apresentação obrigatória. Honestamente a vontade ou a simpatia dos funcionários dos centros de emprego não me interessa para nada. Se essa passar a ser uma das suas funções têm bom remédio... quem não gosta come menos... Se os incomodar a possibilidade de fazerem estas tarefas (partindo do principio que têm disponibilidade de tempo e formação adequada para as fazerem) então podem sempre fazer mais uma greve.

José Raposo disse...

Além disso não podemos generalizar permanentemente. Existem funcionários publicos simpáticos e competentes na mesma medida que existem antipáticos e incompetentes no sector privado.

José Raposo disse...

Problemas técnicos da plataforma Blogger que não deixavam ver que eras o Guronsan :)