sexta-feira, janeiro 26, 2007

Solitariedades - Aborto - take 2

Marques Mendes diz que um problema se combate, não se legaliza. Julgo que tem toda a razão. Mas o problema não é o aborto, mas sim o aborto clandestino e as suas consequências ao nível da saúde pública, entre outras. E é também por isso que votar SIM a 11 de Fevereiro é a única opção que faz sentido. Aliás, começa a ser cada vez mais claro a quem é que não faz sentido votar SIM.
Não faz sentido a quem se arroga o direito de decidir por toda e cada uma das mulheres deste País. A quem acha que o que há a fazer é apoiar as mulheres com dificuldades económicas, como se fosse esse o único motivo que conduz uma mulher ao aborto.
Não faz sentido para quem quer sobrepôr o direito de um feto de semanas a existir passados uns meses, ao direito da Mulher de decidir sobre o que fazer com o seu próprio corpo.
Não faz sentido para aqueles que só são de Direita Liberal em termos económicos e não a nível social. Só assim compreendo o facto de parecerem ignorar legislações de diversos países europeus que não são propriamente sociedades da barbárie, como se pretende fazer crer.
E não faz sentido absolutamente nenhum para quem ameaça de excomunhão aqueles que votarem SIM, como se o voto SIM obrigasse alguém a fazer o que quer que seja.

9 comentários:

miga disse...

Com essa da excomunhão é q eu fiquei aflita.
Isso fica registado nalgum lado? Se eu me quiser casar pela Igreja ( só pq a festa é gira e me apetece gastar uma fortuna no vestido)tenho de responder a um inquérito e uma das perguntas é se votei sim no referendo?

miga disse...

E o pai, não tem uma palavra a dizer?
Começo a concordar, em parte, com quem levanta esta questão.

pouremuz disse...

A excomunhão tem efeitos essencialmente locais. No caso de Castelo de Vide, dá para imaginar os que seriam olhados de lado pelos seus pares...

Quanto ao "pai", e dado o carácter ainda patriarcal da nossa sociedade, parece-me que é uma falsa questão.

Quantos usam o direito de ficar com o filho recém nascido ??

miga disse...

Mas o voto não é secreto? Ou vamos ser obrigados a dizer na confissão como votámos?
Quanto ao pai: Para mim não está clara uma coisa - se ganhar o SIM, não estamos a dar carta branca para a mulher decidir sozinha se quer, ou não, ter um filho "concebido dentro do matrimónio"? Espero bem que a lei venha a ser devidamente regulamentada.

José Raposo disse...

Miga, já falámos que o "pai" vê tudo. A democracia não é um obstáculo a ele saiba o teu voto.

De qualquer forma prefiro a expressão do pároco de Castelo de Vide interpretada pelo Contra Informação: "Aqueles que votarem SIM vão ser dependurados pelos nervos do nariz e espancados nas partes pudendas..."

miga disse...

O Mel depois faz o filme ....

pouremuz disse...

A questão do Pai parece-me parte dos sofismas do "Não".

Imaginemos que a decisão também passa pelo Pai. O Pai decide Não e a Mãe decide Sim. Empate. Quem tem o voto de qualidade ?

No caso do Pai também defender o Sim, nem há questão nenhuma. Portanto...

miga disse...

Claro que a questão pode surgir mesmo que o pai seja defensor do sim.
Espero que na regulamentação da lei, seja tido em conta, que é sempre preciso ouvir o pai.

pouremuz disse...

Miga, para mim é evidente que o "voto de qualidade" é sempre da Mulher.